Mapa mental: como fazer um que ajude de verdade a passar no concurso

Passo a passo para fazer mapa mental de concurso, com exemplo pronto de Direito Penal, o que a pesquisa diz sobre a técnica e como usar o mapa para revisar de memória.

Equipe KumuAtualizado em 6 min de leitura

Mão preenche o cronograma da semana num caderno

Para fazer um mapa mental útil para concurso, coloque o tema no centro, puxe ramos para as ideias principais e escreva em cada ramo só palavras-chave, ligando os conceitos que a banca costuma confundir. O mais importante, porém, vem depois: o mapa rende mais quando você o refaz de memória e confere com o original do que quando você só o desenha caprichado e relê. Bonito não é o objetivo. Útil é.

O que a pesquisa diz sobre mapas

A evidência sobre mapas é positiva, mas com ressalvas que mudam o jeito de usar:

  • Mapas ajudam a reter. Uma meta-análise com 55 estudos e mais de 5.800 participantes associou o uso de mapas conceituais a maior retenção de conhecimento, com efeitos que variaram de pequenos a grandes conforme a forma de uso e a comparação (Nesbit e Adesope, 2006).
  • No mapa mental em si, o efeito foi modesto. Em um estudo com estudantes de medicina, quem usou mapa mental lembrava cerca de 10% mais fatos de um texto uma semana depois, mas o intervalo de confiança incluía zero. Os participantes também se sentiram menos motivados com a técnica (Farrand, Hussain e Hennessy, 2002).
  • Recuperar de memória vence montar o mapa. Em um experimento publicado na Science, estudantes que praticaram lembrar o conteúdo de memória aprenderam mais do que os que estudaram construindo mapas conceituais, inclusive quando o teste final pedia para fazer um mapa (Karpicke e Blunt, 2011).

A conclusão prática: o mapa é uma boa forma de organizar um assunto e de servir de gabarito. O ganho maior vem quando você usa o mapa para se testar.

Quando o mapa mental vale a pena

Vale a penaNão vale a pena
Assuntos com classificações e listas (excludentes, espécies de prisão, princípios)Texto de lei que exige memória literal (melhor ler a lei e fazer questões)
Temas com relações e exceções (regra, exceção, exceção da exceção)Assunto que você ainda não estudou nenhuma vez
Revisão de véspera de um tema já dominadoConteúdo de cálculo, que pede exercícios
Comparar institutos parecidos (furto x roubo, posse x porte)Quando montar o mapa toma mais tempo do que estudar

Passo a passo

1. Estude antes de mapear

Leia a teoria ou a lei e faça algumas questões do assunto. Mapa feito durante a primeira leitura vira cópia do livro.

2. Comece de memória

Pegue uma folha em branco, feche o material e escreva o tema no centro. Puxe os ramos que você lembrar. Só depois abra o material para completar, de preferência com outra cor. A parte que você não lembrou é exatamente a que precisa de revisão.

3. Um ramo por ideia principal

Cada ramo saindo do centro é uma categoria: requisitos, espécies, exceções, prazos, competência. Evite mais de seis ou sete ramos principais. Se houver mais, o tema provavelmente pede dois mapas.

4. Palavras-chave, não frases

Escreva "agressão injusta, atual ou iminente", não um parágrafo explicando. Se precisar de uma frase inteira, é sinal de que o detalhe deve ir para o caderno de erros ou para a lei seca.

5. Marque o que a banca cobra

Use um símbolo (um asterisco, por exemplo) nos pontos em que você já errou questões ou que aparecem muito nas provas. Ligue com uma seta os conceitos que a banca costuma trocar.

6. Uma folha, no máximo

O mapa precisa caber em uma página. Se não couber, divida em submapas.

Exemplo: excludentes de ilicitude

O ponto de partida é o texto do Código Penal:

"Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: I - em estado de necessidade; II - em legítima defesa; III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito."

Em forma de mapa (cada nível de recuo é um ramo):

  • Excludentes de ilicitude (art. 23 do CP)
    • Estado de necessidade (art. 24)
      • perigo atual
      • não provocado por vontade do agente
      • não podia de outro modo evitar
      • direito próprio ou alheio
      • sacrifício não razoável de exigir
      • (muito cobrado) não pode alegar quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo (§ 1º)
    • Legítima defesa (art. 25)
      • agressão injusta, atual ou iminente
      • meios necessários, usados com moderação
      • direito seu ou de outrem
      • (muito cobrado) agente de segurança pública e vítima mantida refém (parágrafo único)
    • Estrito cumprimento de dever legal
    • Exercício regular de direito
    • Excesso: o agente responde pelo excesso doloso ou culposo (parágrafo único do art. 23)
    • Seta: estado de necessidade (perigo) x legítima defesa (agressão)

As marcações "muito cobrado" apontam dois pontos que interessam diretamente a quem vai ser policial: o dever legal de enfrentar o perigo e a hipótese do refém. Para conferir cada requisito no texto vigente, abra o art. 23 na lei seca e o art. 25. A teoria completa está em excludentes de ilicitude e em legítima defesa: requisitos, e há uma videoaula sobre legítima defesa.

Como revisar com o mapa

O mapa pronto é um gabarito. Use assim:

  1. Revisão por recuperação: em uma folha em branco, refaça o mapa de memória. Compare com o original e marque o que faltou.
  2. Revisão por questões: olhe só o centro e os ramos principais e tente explicar cada um em voz alta. Depois, faça 10 a 20 questões do tema.
  3. Intervalos crescentes: refaça o mapa um dia, três dias e sete dias depois, como na revisão espaçada.

A cada revisão, o mapa refeito tende a ficar mais completo. Quando ele sair inteiro de memória e as questões do tema estiverem com bom índice de acerto, aumente o intervalo.

Papel ou aplicativo?

Tanto faz para o aprendizado; escolha pelo que você vai usar. Papel é mais rápido para refazer de memória e lembra o formato da prova. Aplicativo facilita editar e guardar. O erro é gastar mais tempo formatando cores e ícones do que pensando no conteúdo.

Erros comuns

  • Copiar mapas prontos. O benefício vem de organizar e recuperar o conteúdo. Mapa de outra pessoa pode servir de conferência, não de substituto.
  • Fazer mapa de tudo. Escolha os temas em que a organização visual ajuda. Para o resto, questões e lei seca.
  • Só reler o mapa. Reler é uma das técnicas de baixa utilidade na revisão de Dunlosky e colegas (2013). Refaça e teste.
  • Mapa sem fonte. Em matéria jurídica, confira cada ramo no texto da lei. Um ramo errado vira erro na prova.

Para encaixar mapas e revisões na sua semana sem perder o ritmo de questões, use o gerador de cronograma.

Perguntas frequentes

Mapa mental funciona para concurso?

Funciona como ferramenta de organização e de revisão, principalmente para temas com classificações e exceções. A pesquisa mostra que o ganho é maior quando você usa o mapa para se testar, refazendo-o de memória, e não só para reler.

Qual a diferença entre mapa mental e mapa conceitual?

O mapa mental parte de um tema central e se ramifica em ideias associadas. O mapa conceitual liga conceitos com setas e frases que explicam a relação entre eles. Para concurso, uma mistura dos dois costuma funcionar: ramos a partir do tema e setas entre os conceitos que a banca confunde.

Devo fazer mapa mental de todas as matérias?

Não. Ele rende mais em assuntos com listas, requisitos e exceções. Para lei seca, questões e leitura do texto legal funcionam melhor; para matemática e raciocínio lógico, exercícios.

Quanto tempo gastar em um mapa?

Pouco. Se um mapa leva mais de 20 a 30 minutos, provavelmente você está copiando o material. Use esse tempo para questões e para refazer o mapa de memória.

Fontes

Leia também