Resumos para concursos: como fazer resumo que serve para revisar
Resumo bom é curto, feito com as suas palavras e usado para se testar. Veja o passo a passo, um modelo de uma página, exemplos e os erros que fazem o resumo virar cópia.
Equipe KumuAtualizado em 6 min de leitura
Um resumo para concurso só vale o tempo gasto se cumprir duas funções: obrigar você a processar o conteúdo enquanto escreve e servir de material rápido para revisar se testando depois. Para isso, ele precisa ser curto, escrito com as suas palavras (não copiado), focado no que a banca cobra e organizado em forma de perguntas ou de pontos que você consiga cobrir e recitar. Resumo que vira uma segunda apostila consome horas e quase não ajuda.
O que a pesquisa diz sobre resumir
Na revisão de Dunlosky e colegas (2013), que avaliou dez técnicas de estudo, resumir ficou entre as técnicas de baixa utilidade. O motivo não é que resumir seja inútil, mas que o benefício depende muito de saber resumir bem: quem não tem treino tende a copiar trechos em vez de selecionar e reformular as ideias. As técnicas de maior utilidade na mesma revisão foram a prática de testes e a prática distribuída.
Daí vem a estratégia deste artigo: fazer o resumo de um jeito que se pareça com prática de testes (escrever de memória) e usá-lo depois em revisões espaçadas. Há base para isso. Estudantes que praticaram recuperar o conteúdo de memória aprenderam mais do que os que fizeram estudo elaborativo com mapas (Karpicke e Blunt, 2011). E testar-se rende mais retenção a longo prazo do que reler (Roediger e Karpicke, 2006).
Resumo passivo x resumo ativo
| Resumo passivo | Resumo ativo |
|---|---|
| Feito com o livro aberto, copiando frases | Feito depois de estudar, primeiro de memória |
| Cobre o capítulo inteiro | Cobre o que cai e o que você erra |
| Texto corrido | Tópicos, tabelas e perguntas |
| Relido nas revisões | Usado para se testar nas revisões |
| Várias páginas por tema | Uma página por tema, no máximo |
Passo a passo para fazer um resumo ativo
1. Estude e faça questões antes
Leia a teoria ou a lei e resolva uma bateria de questões do assunto. Assim você descobre o que a banca cobra e onde estão as pegadinhas. Resumir antes das questões costuma gerar resumo do livro, não da prova.
2. Escreva de memória
Feche o material e escreva o que lembra, em tópicos curtos. Só então abra a fonte e complete com outra cor o que faltou ou estava errado. O que você precisou completar é o ponto fraco do tema.
3. Use as suas palavras
Reescrever com as próprias palavras força o processamento. A exceção é a lei: quando a banca cobra a literalidade, mantenha as expressões exatas e indique o artigo. O guia de como estudar lei seca mostra como lidar com o texto legal.
4. Escreva em forma de pergunta
Transforme os tópicos em perguntas que você possa responder na revisão. Por exemplo, em vez de "Prisão em flagrante: hipóteses do art. 302 do CPP", escreva "Quais são as hipóteses de flagrante e qual a diferença entre flagrante próprio, impróprio e presumido?". A resposta fica abaixo, curta.
5. Marque as pegadinhas
Inclua um campo "como a banca cobra" com as trocas mais comuns: prazos, palavras como "somente" e "exceto", regra e exceção. Esse campo é a parte mais valiosa do resumo.
6. Uma página por tema
Se passar de uma página, você está copiando. Corte o que é óbvio para você e o que nunca cai.
Modelo de uma página
Use esta estrutura para qualquer assunto:
| Bloco | O que escrever |
|---|---|
| Tema e fonte | Assunto, artigos de lei e data da última revisão |
| Núcleo | 3 a 7 tópicos curtos com a ideia central |
| Perguntas | 5 a 10 perguntas que você deve saber responder |
| Como a banca cobra | Pegadinhas, trocas comuns, exceções |
| Meus erros | Itens que você errou em questões, com a regra correta |
O bloco "Meus erros" conversa com o caderno de erros. Se preferir manter os dois separados, use o resumo para o tema e o caderno para os erros.
Exemplo curto
Um trecho de resumo de excludentes de ilicitude, no modelo acima:
Tema: excludentes de ilicitude (arts. 23 a 25 do Código Penal).
Núcleo:
- Quatro excludentes no art. 23: estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento de dever legal, exercício regular de direito.
- Em qualquer uma, o agente responde pelo excesso doloso ou culposo (parágrafo único do art. 23).
Perguntas:
- Qual a diferença entre estado de necessidade e legítima defesa?
- Quem não pode alegar estado de necessidade?
- O que diz o parágrafo único do art. 25 sobre o agente de segurança pública?
Como a banca cobra: troca "perigo atual" (estado de necessidade) por "agressão injusta" (legítima defesa); afirma que a legítima defesa vale só para direito próprio (o art. 25 fala em "direito seu ou de outrem").
Confira cada ponto no texto do art. 25 e aprofunde em excludentes de ilicitude.
Como revisar com o resumo
O resumo pronto é um roteiro para se testar, não um texto para reler.
- Cubra as respostas e responda às perguntas em voz alta ou por escrito.
- Marque as que errou e releia só essas.
- Faça 10 a 20 questões do tema depois de cada revisão.
- Espace as revisões: um dia, uma semana e um mês depois, por exemplo. A lógica completa está em revisão espaçada para concursos.
A cada revisão, atualize a data no topo e acrescente novos erros. Um resumo vivo, que muda com as questões, vale mais do que um resumo bonito e parado.
Quanto tempo gastar
Uma regra prática: o resumo não deve levar mais do que um quarto do tempo que você dedicou ao tema. Se você estudou uma hora, gaste até 15 minutos resumindo. O resto do tempo vai para questões e revisão. Para encaixar resumos, questões e revisões na semana, use o gerador de cronograma.
Erros comuns
- Copiar o livro. Se o resumo tem frases inteiras do material, ele é uma cópia. Feche o livro antes de escrever.
- Resumir tudo. Priorize pelo que cai. Comece pelos assuntos de maior incidência no seu edital.
- Fazer resumo e nunca revisar. O valor está no uso. Agende as revisões no momento em que terminar o resumo.
- Usar só resumo de terceiros. Pode servir de conferência, mas o benefício de processar o conteúdo é de quem escreve.
- Perfeccionismo visual. Cores e caligrafia não melhoram a memória. Use o tempo para responder perguntas.
Resumo, mapa ou flashcard?
| Ferramenta | Melhor para |
|---|---|
| Resumo de uma página | Temas com várias ideias e pegadinhas |
| [Mapa mental](/blog/mapa-mental-como-fazer) | Classificações, requisitos e comparações |
| Flashcards | Prazos, números e definições curtas |
Os três funcionam melhor do mesmo jeito: feitos com as próprias palavras e usados para se testar em intervalos crescentes.
Perguntas frequentes
Fazer resumo vale a pena para concurso?
Vale quando o resumo é curto, feito com as suas palavras e usado para se testar. Resumir copiando o material rende pouco: na revisão de Dunlosky e colegas (2013), resumir aparece como técnica de baixa utilidade justamente porque depende muito de como é feito.
Resumo à mão ou no computador?
Escolha o que você vai usar nas revisões. O mais importante é escrever de memória e reformular as ideias, o que pode ser feito nos dois formatos. Se for digitar, evite copiar e colar trechos do material.
Devo resumir a lei seca?
Em geral, não. Para lei seca, o melhor é ler o texto do artigo, marcar as palavras que a banca troca e fazer questões. No resumo, coloque só as pegadinhas e o número do artigo.
Posso estudar só por resumos comprados?
Eles ajudam a revisar, mas não substituem o seu próprio processamento nem as questões. Use como conferência e complemente com as suas anotações e os seus erros.
Fontes
- Dunlosky, J., Rawson, K. A., Marsh, E. J., Nathan, M. J., & Willingham, D. T. (2013). Improving students' learning with effective learning techniques. Psychological Science in the Public Interest, 14(1), 4–58.
- Karpicke, J. D., & Blunt, J. R. (2011). Retrieval practice produces more learning than elaborative studying with concept mapping. Science, 331(6018), 772–775.
- Roediger, H. L., & Karpicke, J. D. (2006). Test-enhanced learning: Taking memory tests improves long-term retention. Psychological Science, 17(3), 249–255.
- Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940), arts. 23 a 25