Como usar simulados no concurso: frequência, correção e o que medir

Simulado não é só para medir nota. Veja quando começar, com que frequência fazer, como corrigir em 5 passos e como transformar cada erro em revisão.

Equipe KumuAtualizado em 6 min de leitura

Simulado bem usado é uma ferramenta de aprendizado, não só um termômetro. Responder a perguntas de memória fixa o conteúdo melhor do que reler, mostra exatamente o que você não sabe e treina o tempo e a pressão do dia da prova. O que faz o simulado funcionar é a correção: sem ela, você só gasta questões. Comece cedo, com blocos curtos, e aumente o tamanho e a frequência conforme a prova se aproxima.

Por que fazer simulado funciona

Na psicologia cognitiva, esse fenômeno se chama efeito de teste. Em um experimento clássico, estudantes que leram um texto e depois fizeram testes de memória lembraram mais, uma semana depois, do que os que releram o mesmo texto, embora estes se sentissem mais confiantes (Roediger e Karpicke, 2006). Meta-análises posteriores confirmaram a vantagem da prática de testes sobre a releitura e outras formas de estudo (Rowland, 2014; Adesope e colaboradores, 2017). Na revisão de Dunlosky e colegas (2013) sobre dez técnicas de estudo, a prática de testes ficou entre as duas de maior utilidade.

Há ainda um benefício que interessa a quem faz concurso: o que você aprende testando resiste melhor ao estresse. Em um experimento, quem aprendeu por meio de testes não teve a queda de memória causada por estresse agudo, ao contrário de quem só releu (Smith, Floerke e Thomas, 2016).

Três tipos de simulado

Nem todo simulado precisa ser uma prova inteira. Use três formatos, cada um com uma função:

TipoTamanhoPara que serveQuando usar
Bloco temático20 a 40 questões de um assuntoFixar o que acabou de estudarToda semana, desde o início
Misto40 a 60 questões de várias disciplinasTreinar a troca de assunto e revisarA cada uma ou duas semanas
Prova completaIgual ao edital, no tempo realTreinar tempo, resistência e estratégiaMensal no começo; semanal perto da prova

Para a prova completa, use provas anteriores da sua banca e da sua carreira. Há questões oficiais com gabarito em questões de concursos.

Com que frequência

Uma progressão que funciona para quem estuda de 10 a 20 horas por semana:

FaseBlocos temáticosMistosProvas completas
Primeiros 2 meses2 a 3 por semana1 a cada 2 semanas1 por mês, só para conhecer o formato
Meio da preparação2 por semana1 por semana1 a cada 2 semanas
Últimas 6 a 8 semanasconforme os erros1 por semana1 por semana, no horário real

Não espere "terminar a teoria" para começar. Até errar antes de estudar ajuda: tentar responder primeiro pode melhorar o aprendizado do conteúdo que vem depois, o chamado efeito do pré-teste (Richland, Kornell e Kao, 2009). Um bom primeiro passo é o diagnóstico grátis, com 15 questões no estilo da banca.

A correção em 5 passos

A correção deve levar pelo menos metade do tempo que você gastou fazendo o simulado. É nela que o aprendizado acontece.

  1. Corrija logo, de preferência no mesmo dia. O retorno sobre o erro ajuda a corrigir a memória.
  2. Separe os itens em quatro grupos:
    • acertei com certeza;
    • acertei no chute ou na dúvida;
    • errei por não saber;
    • errei por desatenção (li errado, marquei errado, confundi "exceto").
  3. Estude os três últimos grupos. O acerto no chute é um erro disfarçado e deve ser tratado como tal.
  4. Escreva a regra em uma linha. Para cada erro, anote qual era a regra correta, não a resposta. Isso vira o seu caderno de erros.
  5. Agende a revisão. Coloque o assunto do erro na sua revisão espaçada, para voltar a ele em alguns dias.

O que medir além da nota

A nota total diz pouco sobre o que fazer a seguir. Uma planilha simples, preenchida depois de cada simulado, vale mais:

DataDisciplinaItensAcertosErrosBrancosTempoPrincipal causa dos erros
05/10Direito Penal30196538 minconfusão entre excludentes
05/10Português30217241 minpontuação

Com algumas semanas de registro, você vê:

  • Tendência por disciplina: onde a taxa de acerto não sobe.
  • Erros por desatenção: se são muitos, o problema é leitura ou tempo, não conteúdo.
  • Tempo por item: onde você perde minutos. Use isso para ajustar a gestão do tempo na prova.
  • Brancos (no Cebraspe): se você deixa muitos itens que acertaria, ou marca muitos que erra. A conta do ganho esperado está em vale a pena chutar no Cebraspe?.

Como fazer a prova completa

Para o simulado completo servir de ensaio, reproduza o dia:

  • mesmo horário da prova real;
  • mesmo tempo total, incluindo a discursiva ou redação quando houver;
  • papel: caderno impresso, folha de respostas e caneta;
  • sem celular e sem consulta;
  • sem relógio no pulso, se o seu edital proibir, como fizeram os da PF 2025 e da PM-SP 2026;
  • planejamento antes: decida a ordem das disciplinas e os marcos de tempo, e depois compare o planejado com o que aconteceu.

O simulado nacional grátis acontece a cada quinze dias, no estilo da banca e com ranking entre candidatos. Ele é útil para treinar a pressão de saber que outras pessoas estão fazendo a mesma prova, o que também ajuda a controlar a ansiedade na prova.

Erros comuns com simulados

  1. Fazer simulado e não corrigir. É o desperdício mais comum.
  2. Repetir o mesmo simulado até decorar o gabarito. A nota sobe, o aprendizado não. Se for refazer, espere algumas semanas e foque nos itens que você errou.
  3. Usar a nota para se punir. Uma nota baixa no início é informação, não sentença. O que importa é a tendência ao longo das semanas.
  4. Fazer só provas completas. Elas cansam e demoram para corrigir. Os blocos temáticos são o dia a dia; a prova completa é o ensaio.
  5. Ignorar a banca. Certo ou errado e múltipla escolha exigem estratégias diferentes. Treine no formato do seu edital.

Um exemplo de semana

Para quem estuda duas horas por dia útil e um pouco mais no sábado:

DiaSimulado
Segunda a quinta20 questões do assunto estudado no dia, com correção
SextaRevisão dos erros da semana
SábadoMisto de 50 a 60 questões, cronometrado, com correção
DomingoDescanso ou planejamento da semana

Uma vez por mês, troque o misto de sábado por uma prova anterior completa, no horário real. Se quiser que a sua semana seja montada a partir das suas horas disponíveis, use o gerador de cronograma.

Perguntas frequentes

Quando devo começar a fazer simulados?

Desde a primeira semana, em blocos curtos do assunto estudado. Provas completas podem começar no primeiro mês, só para conhecer o formato. Errar muito no começo é normal e útil.

Quantos simulados fazer por semana?

Depende da fase e das suas horas. Uma boa base é ter questões em quase todos os dias de estudo, um simulado misto por semana e uma prova completa por mês, aumentando para uma por semana nas últimas semanas antes da prova.

Quanto tempo devo gastar corrigindo?

Pelo menos metade do tempo que você levou para fazer o simulado. A correção é onde você descobre a regra que faltava e decide o que revisar.

Vale refazer um simulado que já fiz?

Vale, desde que haja um intervalo de algumas semanas e o foco esteja nos itens errados. Refazer logo em seguida mede a memória do gabarito, não o aprendizado.

Simulado de cursinho ou prova anterior?

A prova anterior da sua banca é a referência mais fiel do estilo de cobrança. Simulados inéditos ajudam a variar as questões, desde que sigam o formato do seu edital.

Fontes

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