Como estudar para concurso policial do zero: o plano dos primeiros 30 dias
Começando do zero? Veja como escolher a carreira, ler o edital, montar a primeira semana, estudar por questões e revisar sem se perder no volume de matérias.
Equipe KumuAtualizado em 8 min de leitura

Para estudar para concurso policial do zero, faça nesta ordem: escolha uma carreira-alvo, leia o último edital dela, descubra onde você está com um diagnóstico e monte uma semana curta, que você consiga cumprir, baseada em questões e revisão. Matéria bonita e curso completo vêm depois. Quem começa do zero quase sempre perde os primeiros meses tentando "ver tudo" sem saber o que a prova cobra.
Este guia mostra o caminho dos primeiros 30 dias, com uma rotina pronta e os erros que mais atrasam iniciantes.
Passo 1: escolha uma carreira-alvo (mesmo que provisória)
Concursos policiais têm um núcleo de disciplinas que se repete: Língua Portuguesa, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Penal, Direito Processual Penal e legislação especial aparecem na maioria dos editais. Mas o peso de cada uma, a banca e as matérias específicas mudam muito de uma carreira para outra. A PRF cobra legislação de trânsito, a Polícia Federal costuma ter conteúdo de informática e contabilidade em alguns cargos, a Polícia Penal cobra a Lei de Execução Penal.
Por isso, escolha um alvo. Ele pode mudar depois, mas dá direção ao estudo. Critérios práticos:
- Escolaridade exigida e requisitos (idade, altura, CNH) que você já cumpre.
- Banca provável: Cebraspe, FGV, Vunesp e outras cobram de jeitos diferentes.
- Rotina da carreira que você aceita viver (escala, risco, lotação longe de casa).
- Previsão de concurso, olhando só fontes oficiais.
As páginas de carreiras reúnem requisitos e etapas por cargo. Se estiver em dúvida entre as duas federais, leia PRF ou PF: qual escolher.
Passo 2: leia o último edital antes de abrir qualquer apostila
O edital é o contrato da prova. Mesmo que o próximo ainda não tenha saído, o último publicado mostra o desenho provável. Leia com um marca-texto e anote em uma folha:
- Lista de disciplinas e quantidade de questões de cada uma.
- Peso de cada bloco (conhecimentos básicos e específicos costumam ter pesos diferentes).
- Regra de eliminação: nota mínima por bloco e nota mínima geral.
- Formato das questões (certo/errado, múltipla escolha, discursiva).
- Etapas além da prova escrita: TAF, exame médico, avaliação psicológica, investigação social, curso de formação.
Com essa folha você já sabe mais do que boa parte dos iniciantes. Ela vai alimentar o seu cronograma.
Passo 3: descubra o seu ponto de partida
"Do zero" raramente é zero absoluto. Você provavelmente lê bem, já ouviu falar de direitos fundamentais e sabe fazer contas básicas. O problema é que não sabe quanto sabe de cada coisa.
Faça um teste curto antes de planejar. O diagnóstico grátis tem 15 questões no estilo da banca e devolve sua nota estimada e as três disciplinas por onde começar. Errar muito nesse primeiro teste é esperado e útil: pesquisas sobre o chamado efeito do pré-teste mostram que tentar responder antes de estudar, mesmo errando, pode melhorar o aprendizado do conteúdo que vem depois (Richland, Kornell e Kao, 2009).
Passo 4: estude por questões desde a primeira semana
O erro clássico do iniciante é passar meses lendo teoria e só depois "começar a fazer questões". A pesquisa em psicologia cognitiva aponta o contrário. Na revisão de Dunlosky e colegas (2013), que avaliou dez técnicas de estudo, as duas com maior utilidade foram a prática de testes (responder perguntas, recuperar da memória) e a prática distribuída (espalhar o estudo no tempo). Reler e grifar ficaram entre as de baixa utilidade.
Na prática, cada sessão segue este ciclo:
- Teoria curta (20 a 30 minutos): um resumo, uma aula curta ou o texto da lei sobre um único assunto.
- Questões do mesmo assunto (30 a 40 minutos): de provas oficiais, preferencialmente da sua banca.
- Correção ativa (10 a 15 minutos): para cada erro, escreva em uma linha qual era a regra certa. Isso vira o seu caderno de erros.
Há questões oficiais com gabarito em /questoes, filtráveis por disciplina e banca. O passo a passo detalhado está em como resolver questões de concurso.
Passo 5: comece pelo que mais cai, não pela ordem do edital
O edital lista os assuntos em ordem de conteúdo, não de importância. Um iniciante que segue a ordem do edital pode passar semanas em um tópico que quase nunca aparece. Priorize pela combinação de dois fatores:
- Peso da disciplina na prova (quantas questões, qual o peso).
- Incidência do assunto nas provas anteriores da banca.
A ferramenta o que mais cai cruza esses dois dados para a sua carreira. Em Direito Penal, por exemplo, temas como excludentes de ilicitude e crimes contra a administração pública costumam render bem; se quiser ver como é uma aula curta de um tema central, assista à videoaula de legítima defesa.
Passo 6: a sua primeira semana, pronta
Uma semana para quem tem cerca de 2 horas por dia útil e um pouco mais no fim de semana. Ajuste os nomes das disciplinas ao seu edital.
| Dia | Bloco 1 (1h) | Bloco 2 (1h) |
|---|---|---|
| Segunda | Português: concordância (teoria + questões) | Constitucional: art. 5º, incisos iniciais |
| Terça | Penal: conceito de crime e excludentes | Revisão do dia anterior (questões, sem reler) |
| Quarta | Português: crase | Administrativo: princípios (art. 37 da CF) |
| Quinta | Processo Penal: inquérito policial | Revisão de segunda e terça |
| Sexta | Legislação especial do seu edital | Caderno de erros da semana |
| Sábado | Simulado curto (30 a 40 questões misturadas) | Correção do simulado |
| Domingo | Descanso ou TAF | Planejar a próxima semana (15 min) |
Repare em três coisas: só três ou quatro disciplinas por semana no início, revisão marcada no próprio cronograma e um dia para misturar tudo. Se a sua rotina é diferente, o gerador de cronograma monta a semana a partir das suas horas e da data da prova. Para quem trabalha em escala, veja o guia de estudo com escala de plantão.
Passo 7: revise antes de esquecer
Sem revisão, boa parte do que você estudou na segunda-feira some até o domingo. Esse é o fenômeno da curva do esquecimento, descrito por Ebbinghaus no século XIX e replicado em estudo moderno (Murre e Dros, 2015). A saída é revisar em intervalos crescentes, de preferência respondendo questões em vez de reler.
Uma regra simples para começar é a 1-3-7: revisar o assunto um dia, três dias e sete dias depois do primeiro estudo. O método completo está em revisão espaçada para concursos.
Passo 8: não deixe o TAF para depois do edital
Quase todo concurso policial tem teste de aptidão física eliminatório. Barra fixa, corrida e natação não se resolvem em poucas semanas para quem está parado. Reserve dois ou três treinos por semana desde o começo, mesmo que curtos. Os índices exatos estão no edital de cada carreira; o guia de TAF para concurso policial mostra como organizar o treino.
Os erros que mais atrasam quem começa do zero
- Comprar material demais. Três cursos, cinco apostilas e nenhum terminado. Escolha uma fonte de teoria por disciplina e muitas questões.
- Estudar só o que gosta. Quem ama Direito Penal e foge de Português perde pontos onde o peso é alto.
- Medir o estudo só por horas. Duas horas de leitura passiva rendem menos que uma hora de questões com correção. Registre também quantas questões fez e a taxa de acerto.
- Mudar de plano toda semana. Ajuste o plano a cada duas ou quatro semanas, com base no seu desempenho, não no ânimo do dia.
- Pular o sono. Dormir pouco prejudica a formação de novas memórias (Yoo e colegas, 2007). Estudar até de madrugada costuma sair caro no dia seguinte.
Como saber se está funcionando
Depois de 30 dias, compare:
- A taxa de acerto nas disciplinas que você começou. Ela deve estar subindo, mesmo que devagar.
- O número de dias em que cumpriu o plano. Constância vale mais que intensidade. Se ela é o seu problema, o mini-curso grátis de 7 dias trata justamente disso.
- O tamanho do caderno de erros: erros que se repetem mostram onde voltar.
Refaça o diagnóstico a cada mês para ver a distância até a nota de corte diminuir. Não existe método que garanta aprovação, mas existe método que torna cada hora de estudo mais produtiva.
Perguntas frequentes
Dá para passar em concurso policial começando do zero?
Muitos aprovados começaram sem base jurídica. O que pesa é o tempo de preparação, a constância e o método. Não há prazo garantido: depende da carreira, da concorrência e de quantas horas por semana você consegue estudar.
Por qual matéria começar?
Pelas de maior peso no edital da sua carreira-alvo, normalmente Português e as disciplinas jurídicas centrais. Dentro de cada uma, comece pelos assuntos de maior incidência na banca.
Preciso de cursinho para começar?
Não é obrigatório. Para começar, bastam o edital, uma fonte de teoria por disciplina, questões oficiais e um plano de revisão. Um curso pode ajudar a organizar a teoria, mas não substitui resolver questões.
Quanto tempo por dia devo estudar no começo?
O suficiente para cumprir todos os dias. Para muita gente que trabalha, isso fica entre uma e duas horas nos dias úteis. Veja o cálculo completo em quantas horas estudar por dia.
Devo esperar o edital sair para começar?
Não. Depois do edital, o prazo até a prova costuma ser curto para quem começa do zero. Use o último edital como referência e ajuste quando o novo for publicado.
Fontes
- Dunlosky, J., Rawson, K. A., Marsh, E. J., Nathan, M. J., & Willingham, D. T. (2013). Improving students' learning with effective learning techniques. Psychological Science in the Public Interest, 14(1), 4–58.
- Richland, L. E., Kornell, N., & Kao, L. S. (2009). The pretesting effect: Do unsuccessful retrieval attempts enhance learning? Journal of Experimental Psychology: Applied, 15(3), 243–257.
- Roediger, H. L., & Karpicke, J. D. (2006). Test-enhanced learning: Taking memory tests improves long-term retention. Psychological Science, 17(3), 249–255.
- Murre, J. M. J., & Dros, J. (2015). Replication and analysis of Ebbinghaus' forgetting curve. PLOS ONE, 10(7).
- Yoo, S.-S., Hu, P. T., Gujar, N., Jolesz, F. A., & Walker, M. P. (2007). A deficit in the ability to form new human memories without sleep. Nature Neuroscience, 10(3), 385–392.