Língua PortuguesaIdeia central, tema e títuloDIRPS UFU 2011
UFU
Questão de Língua Portuguesa
SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROGRAD – Pró-Reitoria de Graduação DIRPS – Diretoria de Processos Seletivos 25 de setembro de 2011 Início: 14 horas Duração: 4 horas EDITAL 069/2011 TIPO 1 ODONTÓLOGO/ODONTOPEDIATRIA 1. Verifique se este caderno contém um total de 50 questões e 2 situações de Redação. 2. Fique atento aos avisos a serem feitos pelo chefe de setor. 3. Após ser autorizado, abra o caderno, verifique o seu conteúdo e solicite imediatamente a troca caso faltem folhas ou existam falhas na impressão. situação, também ocasionará a anulação da prova. 8. Ao término da prova, este caderno deverá ser levado pelo candidato. OBS.: os fiscais não estão autorizados a dar informações sobre esta prova. Nossa medicina, cada vez mais dependente da tecnologia e fragmentada em especialidades, vê a doença como um fato apenas biológico, que acontece em um corpo também fragmentado. Ao contrário, para muitos povos indígenas a origem da doença pode estar fora do corpo, ligada a forças invisíveis, humanas ou da natureza. Assim, as práticas de cura devem dar conta dos problemas físicos e também espirituais. 5 O improvável diálogo entre essas duas visões de mundo, tão diferentes, vem sendo travado há quase 50 anos no Parque Indígena do Xingu (PIX), que acaba de comemorar meio século de criação. Desde que começaram a prestar assistência à saúde dos índios do parque, em 1965, os médicos da então Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), construíram um convívio de respeito às práticas tradicionais de cura dos pajés, rezadores e raizeiros. O resultado dessa colaboração pode ser medido por bons dados de saúde 10 que atestam o aumento da população das aldeias e o controle das doenças. “A receita do sucesso se baseia no respeito e na valorização da cultura centenária dos indígenas e seus sistemas de cura”, observa Douglas Rodrigues, médico sanitarista e um dos responsáveis pelo Projeto Xingu, no qual se engajou ainda estudante. “Dessa convivência, ancorada na troca de saberes, acabou surgindo um diálogo entre as medicinas e os profissionais, pois havia consciência de que só seria possível interferir em determinados 15 processos de saúde e de doença a partir do entendimento e respeito à cultura indígena.” Desde os anos 1970, antropólogos de vários países vêm construindo uma visão de doença diferente da que tem a biomedicina. Articulando o biológico e o cultural, ensinam que a doença é uma experiência subjetiva que só adquire sentido dentro de determinado contexto - ainda que os conhecimentos sobre a anatomia e a fisiologia humanas possam ser aplicados universalmente. 20 “Para as culturas indígenas, o corpo é construído social e espiritualmente através de dietas especiais, ritos de passagem e outras práticas que constroem a pessoa social. Não é surpreendente, então, que sinais da doença e suas causas sejam frequentemente procurados fora do corpo”, afirma Jean Langdon, titular da cadeira de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina, em livro lançado em comemoração aos 40 anos do Projeto Xingu. 25 “Para muitos povos indígenas, as doenças que acometem as crianças, principalmente as menores de um ano, são causadas porque os pais romperam algum tabu, alguma regra social relacionada à alimentação do casal ou ao comportamento social ou ainda ao tipo de trabalho que realizam nessa fase de maior vulnerabilidade das crianças”, explica Sofia. “Esse pensamento nos mostra como é diferente a própria concepção de corpo: o corpo da criança não é tido como um organismo individualizado, como aprendemos na biologia, um corpo separado dos 30 pais e seus parentes mais próximos. Para eles, pai, mãe e filho permanecem como uma unidade psíquica e física, compartilhando substâncias corporais e alimentos.” Sofia explica ainda que, embora vejam as doenças de modo tão diferente do nosso, os índios buscam os serviços de saúde para aliviar e tratar os sintomas, sem com isso deixar de procurar seus próprios especialistas. “As abordagens terapêuticas não são necessariamente excludentes, elas devem ser complementares. Os recursos 35 médicos ocidentais são reconhecidos como parte do tratamento e mais uma alternativa terapêutica disponível e não implicam necessariamente uma mudança sobre a explicação das causas da doença.” Consciente dos limites do modelo biomédico, focado na doença e no médico, que domina a prática da nossa medicina, foi instituída no país a figura do “médico generalista” e criada uma política nacional de humanização da assistência à saúde. O objetivo é valorizar o trabalho em equipe, o diálogo entre os profissionais de saúde, 40 a subjetividade do paciente, a relação do médico com seu paciente e sua comunidade – entre outras questões. “O índio, ao nos colocar numa situação extrema, nos obriga a refletir e a tratar gente como gente”, observa Douglas. “O pajé não sai do lado do paciente enquanto durar a doença, dure uma semana ou um mês. A gente dá uma passadinha e vai para outro emprego, e no dia seguinte passa outro médico. No entanto, estudos mostram que, se o paciente está tranquilo, isso aumenta a imunidade. Por isso, para nossos alunos, residentes e pós- 45 graduandos ensinamos a revalorização do toque e da relação com o paciente. Apalpar um baço, por exemplo, exige treinamento. Mas a tendência, hoje, é colocar o paciente no ultrassom e basear-se em exames, sem olhar para a pessoa e interagir com ela. Isso um computador faz!” A experiência da Unifesp com os povos nativos brasileiros tem algo a contribuir sobre isso. “A concepção do modelo de atenção à saúde indígena, embora gestada a partir de outras premissas, se aproxima da Política Nacional 50 de Humanização do Ministério da Saúde em sua perspectiva de ‘escuta e conversa’, de ‘questionar e reconstruir’ 1 os conceitos relacionados à saúde, adoecimento e cura”, afirma Sofia. “Devemos nos conduzir com a mais íntima disposição de apresentar as possibilidades que conhecemos sem desprezar as possibilidades e conhecimentos do outro; esclarecer o que sabemos sem qualquer barreira para ouvir e respeitar o que desconhecemos; informar o que podemos sem considerar que podemos tudo.” CASTILHO, Inês. Disponível em: <http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/465/artigo221050-5.htm>. Acesso em: 2 maio 2011. Texto adaptado.
De acordo com a temática do texto, assinale a alternativa que NÃO pode ser utilizada para dar título ao texto.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


