Questões de Língua Portuguesa · COPEPS UEMG

Língua PortuguesaElementos da narrativa e foco narrativoCOPEPS UEMG 2008

UEMG

Questão de Língua Portuguesa

ÚNICO CADERNOESTRANGEIRA (INGLÊS, FRANCÊS, ESPANHOL) UEMG PROCESSO SELETIVO / 2º SEMESTRE DE 2008 para rascunho da mesma. 2. 54 (cinqüenta e quatro) questões de múltipla escolha relativas aos conteúdos acima indicados, e mais uma página com a Tabela Periódica dos Elementos. Para a Prova de Redação, observe o seguinte: finitiva. tinta azul ou preta, sem deixar lacunas (“brancos”). dação definitiva – devidamente preenchidos. dade da impressão. Observe atentamente o seguinte fragmento poético: O outono toca realejo No pátio da minha vida. Velha canção, sempre a mesma, Sob a vidraça descida... QUESTÃO (Mário Quintana) Os ciclos da vida e a transição para a maturidade são possíveis idéias recorrentes neste fragmento poético e, também, no texto “Fala, amendoeira”, constante na prova de Língua Portuguesa. Produza um texto dissertativo, posicionando-se sobre a ‘fala’ da amendoeira “Outoniza-te com dignidade”. Relacione, em sua posição, esta ‘fala’ com idéias do trecho poético de Mário Quintana, acima citado. Dê um título à sua redação. 1 2 3 Leia com atenção o texto a seguir. Carlos Drummond de Andrade Este ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à natureza – essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista reparou no firmamento, que seria uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a linha entre céu e chão – névoa baixa e seca, hostil aos aviões. Pousou a vista, depois, nas árvores que algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras destruições mais urgentes. Estavam todas verdes, menos uma. Uma que, precisamente, lá está plantada em frente à porta, companheira mais chegada de um homem e sua vida, espécie e anjo vegetal proposto ao seu destino. Essa árvore de certo modo incorporada aos bens pessoais, alguns fios elétricos lhe atravessam a fronde, sem que a molestem, e a luz crua do projetor, a dois passos, a impediria talvez de dormir, se ela fosse mais nova. Às terças, pela manhã, o feirante nela encosta sua barraca, e, ao entardecer, cada dia, garotos procuram subir-lhe o tronco. Nenhum desses incômodos lhe afeta a placidez de árvore madura e magra, que já viu muita chuva, muito cortejo de casamento, muitos enterros, e serve há longos anos à necessidade de sombra que têm os amantes de rua, e mesmo a outras precisões mais humildes de cãezinhos transeuntes. Todas estavam ainda verdes, mas esta ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas de vermelho, numa gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom – cor final de decomposição, depois da qual as folhas caem. Pequenas amêndoas atestavam o seu esforço, e também elas se preparavam para ganhar coloração dourada e, por sua vez, completado o ciclo, tombar sobre o meio-fio, se não as colhe algum moleque apreciador do seu azedinho. E como o cronista lhe perguntasse – fala, amendoeira – por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu explicar-lhe: - Não vês ? Começo a outonear. É 21 de março, data em que as folhinhas assinalam o equinócio do outono. Cumpro meu dever de árvore, embora minhas irmãs não respeitem as estações. - E vais outoneando sozinha? - Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado, e, como deves notar, trago comigo um resto de verão, uma antecipação de primavera e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me fustiga pela madrugada, uma suspeita de inverno. - Somos todos assim. - Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal, meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação da alma que da natureza. - Não me entristeças. - Não, querido, sou tua árvore da guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que te outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor. As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso: parábolas, ritmos, tons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho. 4

Observa-se, no conto Uns Braços, que o narrador coloca a personagem Inácio já em distanciamento temporal, em relação aos fatos ocorridos na casa do solicitador Borges. Marque, a seguir, a alternativa, cujo fragmento confirma adequadamente a observação acima.

Sua resposta

Mais questões de Elementos da narrativa e foco narrativo

Ver as 1.493 questões de Elementos da narrativa e foco narrativo

Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.