Língua PortuguesaIdeia central, tema e títuloCOPEPS UEMG 2006
UEMG
Questão de Língua Portuguesa
Nº DE QUESTÕES: 48 CADERNO 1 UEMG PROCESSO SELETIVO / 2007 Este Caderno 1 contém 28 (vinte e oito) páginas numeradas e se compõe de: 1. uma prova de Redação com um texto, seguido de uma proposta de Redação com o respectivo espaço para rascunho da mesma. 2. 48 (quarenta e oito) questões de múltipla escolha, distribuídas entre os conteúdos de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Física e História. O tempo máximo de duração das provas deste caderno é de 4 horas. Fique atento(a), pois o tempo acima inclui a transcrição da Redação para a folha definitiva e a marcação das questões de múltipla escolha no cartão de respostas. Para a Prova de Redação, observe o seguinte: Leia atentamente o texto, o enunciado e as instruções específicas constantes da folha de Redação definitiva. Transcreva sua redação para esta folha com LETRA BEM LEGÍVEL. Não serão consideradas as redações produzidas sob a forma de verso. Ao final, entregue ao(à) aplicador(a) a folha de Redação definitiva, devidamente preenchida, juntamente com o cartão de respostas das questões de múltipla escolha. Para as questões de múltipla escolha, fique atento(a) para as recomendações abaixo: Leia cuidadosamente cada questão e NÃO DEIXE NENHUMA SEM RESPOSTA. Ao receber o cartão de respostas: 1. Assine seu nome à tinta no espaço indicado, utilizando caneta preta ou azul. 2. Ao preencher o cartão de respostas, cubra todo o espaço correspondente à sua opção, marcando-o com tinta azul ou preta, sem deixar lacunas (“brancos”). 3. Assinale somente uma alternativa em cada questão. Sua resposta NÃO será computada, se forem marcadas duas ou mais alternativas. 4. Não use corretivo. O cartão de respostas não poderá ser rasurado, amassado ou dobrado. Preste muita atenção neste detalhe, pois não será fornecido outro cartão, em caso de algum problema. Ao final das provas, entregue ao(à) aplicador(a) o cartão de respostas, juntamente com a folha de Redação definitiva – devidamente preenchidos. impressão. Você deverá permanecer na sala por, no mínimo, 60 (sessenta) minutos, a contar do início das provas. Terminadas as provas, e após a entrega das mesmas ao(à) aplicador(a), o(a) candidato(a) deverá retirar-se imediatamente do prédio, não lhe sendo permitidos a permanência em corredores e o uso de instalações sanitárias. Leia o texto poético a seguir. Olá, como vai? Eu vou indo, e você, tudo bem? Tudo bem, eu vou indo, correndo, pegar meu lugar no futuro. E você? Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono tranqüilo, quem sabe? Quanto tempo... Pois é, quanto tempo... Me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios... Oh! Não tem de quê. Eu também só ando a cem. Quando é que você telefona, precisamos nos ver por aí. Prá semana, prometo, talvez nos vejamos, quem sabe? Quanto tempo... Pois é, quanto tempo... Tanta coisa que tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas. Eu também tenho algo a dizer, mas me foge a lembrança. Por favor, telefone, preciso beber alguma coisa rapidamente. Prá semana... O sinal... Eu procuro você... Vai abrir, vai abrir... Prometo, não esqueço. Por favor, não esqueça, não esqueça, não esqueça. Adeus... (Paulinho da Viola – MPB) QUESTÃO: Como pode ser percebido, o texto acima é uma letra de música e constitui um „flagrante‟ de duas pessoas (possivelmente numa grande cidade) que se encontram em um sinal de trânsito – cada uma em seu veículo... e ali mantêm um apressado diálogo... Produza um texto dissertativo, comentando cena e diálogo presentes em Sinal Fechado, tendo como referência as considerações feitas sobre “indústria da urgência”, no artigo de Roberto Pompeu de Toledo (Prova de Língua Portuguesa). Dê um título à sua redação. 1 2 Leia com atenção o texto a seguir. Os pássaros, a canção e a pressa Considerações sobre a indústria da urgência e o caso de um brasileiro que escapou dela Roberto Pompeu de Toledo Houve tempo em que quem falava sozinho na rua era considerado louco. Hoje, em nove casos em dez, trata-se do portador de um telefone celular, pessoa considerada normal. Esta observação, como já terá adivinhado o leitor, vem a propósito da morte desse grande brasileiro que foi Antonio Carlos Jobim, mas vamos por partes, começando por um retrospecto do que tem sido a aventura humana neste século. A aceleração do tempo é uma das características do século XX, talvez a principal delas. As coisas chegam e vão embora com impressionante rapidez. Flâmula – quem se lembra desse objeto? Nos anos 50 e 60, não havia quarto de rapaz que não fosse decorado com flâmulas – espécie de bandeira triangular homenageando clubes ou universidades, cidades ou países. As flâmulas chegaram, fizeram grande sucesso e foram embora. O bambolê teve a mesma sorte. O século XX viu nascer e morrer o long-playing, o comunismo, o Zeppelin, Che Guevara, a admiração por Che Guevara, John Kennedy, a admiração por John Kennedy, o charleston, o musical de Hollywood, a Iugoslávia, o radinho de pilha, os hippies, os yuppies, o bonde elétrico, o Concorde, as viagens espaciais tripuladas, o surrealismo, o gramofone, a vitrola de alta fidelidade (“hi-fi”), o hidroavião, o concretismo, o disco de 78 rotações e a União Soviética. Algumas invenções pareciam irremediavelmente destinadas à absolescência quando experimentaram um espetacular retorno. Exemplo: camisinha. Outras pareciam destinadas a um espetacular retorno quando experimentaram o fracasso. Exemplo: o Cometa de Halley, que fez enorme sucesso em 1910 e falhou em 1986. Pode-se alegar que em outros séculos também houve costumes, tecnologias e cometas de vida breve. Não como no século XX, nem em quantidade nem em velocidade. No curto espaço de cinqüenta, sessenta ou setenta anos passou-se do 14-Bis ao Boeing 747, da Mariafumaça ao Trem-bala,(...) do cinema mudo ao vídeo laser, do lampião de gás ao forno de microondas. Como resultado, a própria velocidade do tempo passou a ser um valor em si. Se as coisas não andam depressa, ficam aborrecidas. Parar é chatear-se, e lá vamos nós: gastança do tempo, a gula de digeri-lo, o consumo compulsivo (...) dessa substância sem cor nem cheiro chamada tempo passou a ser a mais invencível dependência do período, a droga mais mortal. Esta é a hora dos excitados. Nesse processo, uma das criações mais características do século foi a indústria da urgência. É preciso correr atrás do tempo. Ou correr na frente, melhor ainda. Chegar antes dele, fazer uma hora em menos de uma hora, eis o ideal. Quem não consegue capota, está fora do ritmo, fora de seu tempo, e pronto – com isso chegamos ao telefone celular. Ele é a culminância apoteótica da indústria da urgência que caracteriza estes nossos anos. Contabilize o leitor com rigor científico: quantas vezes deu na vida, ou recebeu, um telefonema realmente urgente? Algo que não pudesse esperar meia hora, até o próximo orelhão? (...) E no entanto os celulares se multiplicam como saúvas, brotam como capim. Centenas deles, milhares, entram em circulação a cada dia. As pessoas na rua portam o aparelhinho 3 como se fosse uma nova peça do vestuário, ou um novo complemento, como o guarda-chuvaainda que mal comparando, pois o guarda-chuva (...) não toca, não fala nem é histérico como o telefone celular. De repente um monte de gente percebeu que tem pressa, não pode esperar, que é urgente chamar, é urgente ser chamado, é urgente, é urgente, é tudo tão urgente... Antonio Carlos Jobim não tinha nada a ver com isso, e é por isso que é lembrado nestas linhas. Era um homem de vagares. Gostava de passarinhos, árvores, canções e poesia, quatro produtos fora do alcance da indústria da urgência. Ele andou na contramão da mistificação da pressa que se abateu sobre as vidas da esmagadora maioria de seus contemporâneos. E porque tinha uma outra percepção do tempo conseguiu, mesmo num território do efêmero como da música popular, deixar uma obra que o ultrapassa, em duração.
O assunto principal do texto se faz explícito em todos os fragmentos transcritos nas alternativas abaixo, EXCETO em:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.




