Língua PortuguesaCoesão referencial: anáfora e catáforaFJPF (UFRJ) 2006
DNIT
Questão de Língua Portuguesa
Leia o texto abaixo e responda às questões que seguem. A discussão é caquética, de tão antiga, mas nunca sai completamente de cartaz e, volta e meia, encontra alguma razão para ressurgir: humanos são geneticamente talhados para a monogamia ou ela é uma imposição cultural/ religiosa que tenta domesticar nossa suposta tendência biológica à promiscuidade? Que cada lado afie seus argumentos. A bola da vez para ressuscitar o velho debate é o comportamento sexual adotado por (olha só a que ponto chegamos) pingüins antárticos, espécie enfocada no documentário francês “A Marcha dos Pingüins”, em cartaz na cidade desde a última sexta. Hit nas bilheterias do mundo inteiro, o filme acompanha uma colônia de pingüins-imperadores que marcham mais de 1.000 km pela gelada Antártida. Ao chegar ao local de procriação, procuram um parceiro, muitas vezes o mesmo do ano anterior, entre milhares de outros, por uma espécie de senha sonora. Religiosos e políticos conservadores americanos ficaram encantados com a suposta fidelidade das aves, consideradas um “exemplo ideal de monogamia” para os humanos. É a mania de usar lentes antropomórficas para enxergar o mundo não-racional, atribuindo a ele características e, principalmente, valores humanos. Para que isso funcione, elegem-se alguns comportamentos “positivos” e omitem-se os “negativos”. Nessa engrenagem, o diferencial humano por definição - a racionalidade - pode servir aos dois lados. 6 “Seres humanos não nasceram para ser adeptos da fidelidade, e a biologia mostra isso claramente”, afirma o americano David Barash, 59, professor de psicologia da Universidade de Washington [...]. A razão, segundo a biologia evolutiva: a busca por variação de parceiros está diretamente ligada à preservação da espécie. Já a terapeuta Peggy Vaughan, 70, considerada pela imprensa dos EUA uma “especialista em casos extraconjugais”, vem na contramão. “É irrelevante saber se nascemos ou não com predisposição à infidelidade”, diz. “Diferentemente de animais não-racionais, nós fazemos escolhas. Se fosse simplesmente uma questão de “fazer o que nascemos para fazer”, não existiria a decepção e a desonestidade, tão freqüentes, observa ela [...]. Decepção e desonestidade certamente são conceitos desconhecidos para os pingüins, mas não para a autora, que começou a pesquisar a infidelidade após ser traída pelo então marido. E é bem aí, no capítulo da variedade de sentimentos humanos, inexistentes em outras espécies, que mora a complexidade. [...] Mesmo que a tendência à infidelidade seja natural, isso não quer dizer que não se possa resistir a ela, ressalvam profissionais. Para isso, existem os fatores culturais. “Como descendentes dos animais, os humanos não nasceram para a fidelidade, mas estão inseridos numa determinada cultura que dita as regras de normalidade, acrescida da religião, que propaga os valores morais”, afirma a psicóloga e terapeuta de casais Magdalena Ramos, coordenadora do Núcleo de Casal e Família da PUC-SP. [...] (Débora Yuri e Roberto de Oliveira. Folha de São Paulo, 15 de janeiro de 2006.)
A palavra ou expressão cujo sentido NÃO se acha especificado imediatamente no texto é:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

