Língua PortuguesaVozes verbaisCMRJ 2012
CMRJ
Questão de Língua Portuguesa
3 Luis Fernando Veríssimo comenta com humor os jogos olímpicos modernos. Raul Pompeia, escritor brasileiro do final do século XIX, também registrou a impressão produzida pela prática do esporte, introduzida nas escolas brasileiras a partir de 1851. No romance O Ateneu, de 1888, ele assim descreve uma apresentação de ginastas: Capítulo 1 1 Diante das fileiras, Bataillard, o professor de ginástica, exultava, envergando a altivez do seu sucesso na extremada elegância do talhe, multiplicando por milagroso desdobramento o compêndio inteiro da capacidade profissional, exibida em galeria por uma série infinita de atitudes. 5 Ao peito tilintavam-lhe as agulhetas do comando, apensas de cordões vermelhos em trança. Ele dava as ordens fortemente, com uma vibração penetrante de corneta que dominava à distância, e sorria à docilidade mecânica dos rapazes. Acabadas as evoluções, apresentaram-se os exercícios. Músculos do 10 braço, músculos do tronco, tendões dos jarretes, a teoria toda do corpore sano foi praticada valentemente ali, precisamente, com a simultaneidade exata das extensas máquinas. Houve após o assalto aos aparelhos. Os aparelhos alinhavamse a uma banda do campo, a começar do palanque da regente. Não posso dar ideia do deslumbramento que me ficou dessa parte. Uma desordem de contorções, 15 deslocadas e atrevidas; uma vertigem de volteios à barra fixa, temeridades acrobáticas ao trapézio, às perchas, às cordas, às escadas; pirâmides humanas sobre as paralelas, deformando-se para os lados em curvas de braços e ostentações vigorosas do tórax; formas de estatuária viva, trêmulas de esforço, deixando adivinhar de longe o estalido dos ossos desarticulados; posturas de 20 transfiguração sobre invisível apoio; aqui e ali uma cabecinha loura, cabelos em desordem cacheados à testa, um rosto injetado pela inversão do corpo, lábios entreabertos ofegando, olhos semicerrados para escapar à areia dos sapatos, costas de suor, colando a blusa em pasta, gorros sem dono que caíam do alto e juncavam a terra; movimento, entusiasmo por toda a parte e a soalheira, branca 25 nos uniformes, queimando os últimos fogos da glória diurna sobre aquele triunfo espetaculoso da saúde, da força, da mocidade. O professor Bataillard, enrubescido de agitação, rouco de comandar, chorava de prazer. Abraçava os rapazes indistintamente. Duas bandas militares revezavam-se ativamente, comunicando a animação à massa dos espectadores. O 30 coração pulava-me no peito com um alvoroço novo, que me arrastava para o meio dos alunos, numa leva ardente de fraternidade. Eu batia palmas; gritos escapavam-me, de que me arrependia quando alguém me olhava. POMPEIA, Raul. O Ateneu. 4 ed. São Paulo: Moderna, 2004. p. 23-24 (adaptado). Glossário: corpore sano: do latim, significa “corpo são”, isto é, saudável (da expressão mens sana in corpore sano: “mente sã, corpo são”). 4
Na oração “a teoria toda do corpore sano foi praticada valentemente ali” (linhas 10-11), a voz verbal equivale, na forma sintética, à que está expressa na seguinte passagem:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


