Questões de Língua Portuguesa · CMRJ

Língua PortuguesaEmprego da vírgulaCMRJ 2020

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Questão de Língua Portuguesa

Texto I Imagem disponível em: LOBATO, Monteiro. História das invenções. São Paulo, SP: Círculo do Livro.

Figura da questão (imagem do caderno de prova)

História das invenções Dona Benta costumava receber livros novos, de ciências, de arte, de literatura. Era o tipo da velhinha novidadeira. Bem dizia o compadre Teodorico: "Dona Benta parece velha, mas não é, tem o espírito mais moço que o de jovens de vinte anos". Assim foi que naquele bolorento mês de fevereiro, em que era impossível botar o nariz fora de casa, de tanto que chovia, resolveu contar aos meninos um dos últimos livros chegados. — Tenho aqui um livro de Hendrik Van Loon — disse ela —, um sábio americano, autor de coisas muito interessantes. Ele sai dos caminhos por onde todo mundo anda e fala das ciências dum modo que tudo vira romance, de tão atrativo. Já li para vocês a geografia que ele escreveu e agora vou ler este último livro — História das invenções do homem, o fazedor de milagres. Era um livro grosso, de capa preta, cheio de desenhos feitos pelo próprio autor. Desenhos não muito bons, mas que serviam para acentuar suas ideias. — E quando começa? — quis saber Narizinho. — Hoje mesmo, no serão. Podemos começar logo depois do rádio. — Comece, vovó! — disse Pedrinho. E Dona Benta começou. — Este livro não é para crianças — disse ela; — mas se eu ler do meu modo, vocês entenderão tudo. Não tenham receio de me interromperem com perguntas, sempre que houver qualquer coisa obscura. Aqui está o prefácio. . . — Que é prefácio? — perguntou Emília. — São palavras explicativas que certos autores põem no começo do livro para esclarecer os leitores sobre as suas intenções. O prefácio pode ser escrito pelo próprio autor ou por outra pessoa qualquer. Neste prefácio o Senhor Van Loon diz que antigamente tudo era muito simples. . . — Tudo o quê? — interrompeu Pedrinho. — A explicação das coisas do mundo. A Terra formava o centro do universo. O céu era uma abóbada de cristal azul onde à noite os anjos abriam buraquinhos para espiar. Esses buraquinhos formavam as estrelas. Tudo muito simples. Mas depois as coisas se complicaram. Um sábio da Polônia, de nome Nicolau Copérnico, publicou um livro no qual provava que a Terra não era fixa, pois girava em redor do Sol, e as estrelas não eram brinquedinhos dos anjos, sim sóis imensos, em redor dos quais giravam milhões de terras como a nossa. Isso veio causar uma grande trapalhada nas ideias assentes, isto é, nas ideias que estavam na cabeça de todo mundo — e por um triz não queimaram vivo a esse homem. Afinal a sua ideia venceu e hoje ninguém pensa de outra maneira. A astronomia, que é a ciência que estuda os astros, tomou um grande desenvolvimento. Os astrônomos foram descobrindo coisas e mais coisas, chegando à perfeição de medir a distância dum astro a outro, e pesar a massa desses astros. As distâncias entre os astros eram tão grandes que as nossas medidas comuns se tornaram insuficientes. Foi preciso criar medidas novas — medidas astronômicas. — Por quê? — perguntou Narizinho. — Com o quilômetro a gente pode medir qualquer distância. É só ir botando zeros e mais zeros. — Parece, minha filha. As distâncias entre os astros são tamanhas que para medi-las com quilômetros seria necessário usar carroçadas de zeros, de maneira que não haveria papel que chegasse. E então os astrônomos inventaram o "metro astronômico", ou a "unidade astronômica", que é como eles dizem. Essa unidade, esse metro tinha 92 900 000 milhas. — Que colosso, vovó! Eu acho que fizeram um metro grande demais. . . — Pois está muito enganada, minha filha. As distâncias entre a Terra e as novas estrelas, que com os modernos telescópios foram sendo descobertas, acabaram deixando essa medida pequena. E então o astrônomo Michelson propôs outra medida: o ano-luz. — Cáspite! — Pois bem, isto que os astrônomos fizeram para os astros, outros homens de ciência fizeram para o contrário dos astros, isto é, para as moléculas e átomos, que são coisinhas infinitamente pequenas. Chegaram a medir átomos que têm o tamanhinho de uma trilionésima parte de milímetro. — Será possível? Um milímetro já é uma isca que a gente mal percebe. . . — Ora, neste livro o Senhor Van Loon trata de mostrar como esse bichinho homem, que já foi peludo e andava de quatro, chegou a desenvolver seu cérebro a ponto de medir a distância entre os astros e a calcular o tamanho dos átomos. — Como foi isso? — Inventando coisas. O homem é um grande inventor de coisas, e a história do homem na Terra não passa da história das suas invenções com todas as consequências que elas trouxeram para a vida humana. É mais ou menos isto o que Van Loon diz neste prefácio. Vamos agora ver o capítulo número 1. — Depois da pipoca, vovó! — gritou Narizinho farejando o ar. De fato: da cozinha vinha para a sala o cheiro das pipocas que Tia Nastácia estava rebentando. Pipocas à noite foi coisa que nunca faltou no sítio de Dona Benta.

Figura da questão (imagem do caderno de prova)

- Adaptado de: LOBATO, Monteiro. História das invenções. São Paulo, SP: Círculo do Livro.

) Analise atentamente: “e as estrelas não eram brinquedinhos dos anjos, sim sóis imensos” (l. 26 e 27). O uso da vírgula, no fragmento acima, vincula-se a determinado valor semântico. Tal valor pode ser construído por meio de outro(s) sinal(is) de pontuação, a exemplo do que ocorre em:

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