Língua PortuguesaInterpretação de textosASPERHS 2008
CM Ipojuca
Questão de Língua Portuguesa
Texto II Falso mar, falso mundo O mundo anda cada vez mais complicado, o que não é bom. O nosso frágil corpo humano não foi feito para competir com a máquina, conviver com a máquina e explorá-la. A cada adiantamento técnico-científico, o conflito fica mais duro para o nosso lado. A massificação da vida cotidiana, por exemplo. (...) Viajar de avião — quem não tem medo adora. Por mim, detesto. Não tenho medo, mas também não acho agradável a idéia de que estamos todos nós ali, arrumadinhos, em filas simétricas, dentro daquela lata voadora... Um menino que estudava ciências me explicou que o vôo dos aviões a jato era comandado pelas leis da balística: o motor funciona como uma pistola automática que constantemente estivesse disparando. O vôo é mantido pela explosão contínua do jato, como a bala é impulsionada pela explosão da pólvora. O avião não pode cair enquanto o jato estiver mandando o seu impulso. (Estaria o menino certo? Tinha só doze anos!). Mas, de qualquer forma, me senti segura e tranqüilizei os medrosos: todos sabemos que uma bala jamais cai a meio do caminho antes de chegar ao seu ponto de alcance. Só uma senhora gorda, que mantinha a mão enfiada na bolsa, debulhando secretamente o seu terço; essa ficou até pior, dizendo que a coisa de que tinha mais medo era de tiro, e a gente, então, era voada por tiro? Puxou pra fora o terço e eu nunca mais tentei tranqüilizar ninguém em avião. Mas nesta semana vi na TV uma reportagem que me horrorizou como prova de que, a cada dia, mais renunciamos às nossas prerrogativas de seres vivos e nos tornamos robotizados. Foi a “Praia Artificial” no Japão (logo no Japão, arquipélago penetrado e cercado de mar por todos os lados!). É um galpão imenso, maior do que qualquer aeroporto, coberto por uma espécie de cúpula oblonga, de plástico. (...) Pois que debaixo daquele imenso teto de plástico está um mar, com a sua praia. Mar que, na tela, aparece bem azul com ondas de verdade, coroadas de espuma branca; ondas que chegam a derrubar as pessoas e sobre as quais jovens atletas surfam e rebolam. E um falso sol, de luz e calor graduáveis; e a praia é de areia composta por pedrinhas de mármore, a cujo contato algumas moças de biquíni se queixavam de que doía um pouco. “Mas valia a pena.” (...) (...) Se fosse uma honesta piscina de água morna, tudo bem. Mas fingir as ondas, falsificar um sol bronzeando, de trinta e cinco graus, e toda aquela gente se deitando com a simulação, e depois voltando para a rua vestida nos seus casacos! Me deu pena, horror, sei lá. (...) Raquel de Queiroz
Em relação ao texto II, analise as afirmações abaixo e indique a correta:
Mais questões de Interpretação de textos
- CMRJ 2027Ao longo do texto I, o autor relata um episódio segundo o qual, saindo em viagem, teria ficado sem seu celular. Esse evento provocou nele
- CMRJ 2027Os textos I e II tratam os smartphones como os itens da contemporaneidade que têm levado as pessoas em geral a lidar (ou a não saberem lidar) com o hábito cotidiano. Que fragmento…
- CMRJ 2027Coutinho traz uma reflexão crítica sobre o uso dos smartphones. Em sua visão, de todas as informações abaixo uma não está em consonância com o que ele afirma. Marque-a.
- Vunesp 2026“Fui ter com ela; expus-lhe a crise e fiz-lhe a proposta. Marcela ouviu-me com os olhos no ar, sem responder logo; como insistisse, disse-me que ficava, que não podia ir para a Eu…
- Vunesp 2026É correto afirmar que a autora do texto
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
