Língua PortuguesaCoesão referencial: anáfora e catáforaDECEx 2022
CMF
Questão de Língua Portuguesa
Texto 3 O vigário de Pitangui, Padre Belchior Pinheiro, reivindica a honra de ter lido para D. Pedro os papeis chegados do Rio e acrescenta que, finda a leitura, o príncipe, tremendo de raiva, arrancara-os das mãos, amarrotara-os e pisara-os. Mas a crer no bom vigário, logo se dominara, a buscar reflexão e conselho. Padre Belchior prossegue contando: “D. Pedro, depois, abotoando-se e recompondo a roupa (pois vinha de quebrar o corpo à margem do riacho Ipiranga, agoniado por uma disenteria com dores, que apanhara em Santos), virou-se para mim e disse: ‘— E agora, Padre Belchior?’ E eu respondi prontamente: ‘—Se Vossa Alteza não se faz rei do Brasil, será prisioneiro das Cortes e talvez deserdado por elas. Não há outro caminho senão a independência e a separação’. D. Pedro caminhou alguns passos silenciosamente, acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro, Carlota e outros em direção aos nossos animais, que se achavam à beira da estrada, dizendo-me: Padre Belchior, eles o querem, terão a sua conta. As Cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de ‘Rapazinho’ e de ‘Brasileiro’, pois verão agora quanto vale o ‘Rapazinho’. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações; nada mais quero com o Governo Português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal”. O rapazinho mostrava que não temia o desafio e que era um homem criado no Brasil, um brasileiro decidido a defender a sua dignidade e a do país de adoção. E indo D. Pedro I ao encontro dos dragões da Guarda de Honra, repetiu a proclamação da Independência: “Amigos, as Cortes querem escravizar-nos e perseguem-nos. De hoje em diante nossas relações estão quebradas. Nenhum laço nos une mais!” Aí, então, o príncipe arrancou do chapéu o laço azul e branco, símbolo da nação portuguesa e, atirando-o ao chão, exclamou: “Laço fora, soldados! Viva a independência, a liberdade e a separação do Brasil”. Aos vivas ao Brasil independente e a D. Pedro, desembainhou este a sua espada, acompanhado no gesto pelos militares, e pelos civis que se descobriram, e disse: “Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil!”. A frase deve ter sido fielmente reproduzida: Deus, honra e sangue faziam parte da linguagem de D. Pedro, em horas solenes, nos seus protestos de juras. Nenhuma exigiria mais ênfase do que a testemunhada pela comitiva presa do maior entusiasmo, na tarde de 7 de setembro, na colina do Ipiranga. Todos prestaram, eletrizados, o mesmo juramento, e D. Pedro I, embainhando a espada, pôs-se à frente do grupo, como se estivesse em pleno campo de batalha a comandar um ataque contra os inimigos do Brasil e seus, contra as Cortes, contra Portugal, contra o resto do mundo. Mas antes, clamou, voltando-se para trás, de pé nos estribos, para que todos o vissem: “Brasileiros, a nossa divisa de hoje em diante será – Independência ou Morte”. E tomou a direção de São Paulo, a galope, picando de espora a “sua bela besta baia”. SOUSA, O. T. de. História dos fundadores do Império do Brasil: a vida de D. Pedro I. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1971. P. 30-31 (Adaptado).
Considere o seguinte trecho: “. D. Pedro caminhou alguns passos silenciosamente, acompanhado por mim” (l. 10-11). O pronome sublinhado se refere:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

