Língua PortuguesaElementos da narrativa e foco narrativoLegalle 2025
Pref Caxias do Sul
Questão de Língua Portuguesa
Nós, Baby Boomers da pré-história, preferimos os finais felizes Era uma amiga nossa, da época do colégio. Morava em um apartamento pequeno, mas era dela. Quitado. Hoje os jovens não consideram a posse um benefício, mas quem nasceu nos anos 1960 sabe que ter um imóvel para chamar de seu era o objetivo de uma vida - que nossa amiga só atingiu aos 50 anos. Por isso, o espanto quando ela um dia nos chamou em sua casa para anunciar que iria morar com o homem que havia conhecido no Tinder. Colocaria seu apartamento à venda. Foi um rebuliço. Tá louca? Você não pode vender o único lugar que tem para voltar! Bom, aí começou uma conversa difícil sobre a nossa falta de otimismo em seu namoro. Estávamos apenas sendo previdentes, mas ela se defendeu: tudo ia muito bem com o casal, não eram crianças, já haviam passado por casamentos anteriores e ela não seria tola de dar um passo desses se não estivesse absolutamente confiante. Deveríamos ter dado os parabéns e saído de fininho, envergonhadas pelo nosso ceticismo, mas continuamos bem sentadas onde estávamos e insistimos para ela não vender, e sim alugar o apartamento, e que fosse cuidadosa com o contrato, deveria incluir uma cláusula que facilitasse sua recuperação em caso de emergência. “Emergência que não haverá”, disse ela. Era comovente. Resultado: não houve, mesmo, necessidade nenhuma de voltar para o seu apartamento. Ela e o marido continuam tão apaixonados como estavam 13 anos atrás, quando iniciaram um romance de dar inveja em amigas agourentas. O casamento segue firme e forte, e eles trabalham duro, mesmo já em idade de se aposentar, o que seria motivo para ela querer torcer nosso pescoço, pois se tivesse vendido o apartamento naquela época, teria capital para investir em um negócio próprio e talvez estivesse vivendo hoje com mais folga no orçamento. No entanto, ela alugou o apartamento, como sugerimos. Somos cinco melhores amigas, e nossas vozes, juntas, fazem diferença na vida uma da outra. Pois bem: depois de muitos anos sendo ocupado por locatários diversos, o apartamento acaba de voltar às suas mãos. Não, nossa amiga não se separou: quem separou foi sua filha mais nova, que lá instalou suas roupas e os planos incertos para o futuro. O apartamento continua pequeno, e agora quem o visita são as amigas da jovem inquilina, todas na faixa dos 30, que defendem, com razão, que é preciso desapegar de bens materiais, que desta vida nada se leva, que ninguém pode adivinhar o dia de amanhã, que investir em experiências é mais enriquecedor do que se matar trabalhando para ser dono de um imóvel, e eu tenho muita simpatia por essa linha de pensamento, talvez pensasse assim se pertencesse à Geração Z e tivesse nascido em 1997. Porém, nós, Baby Boomers da pré-história, preferimos os finais felizes. Autora: Martha Medeiros - GZH (adaptado)
O título do texto alude ao fato de que a geração da narradora “prefere os finais felizes”, o que denota uma cosmovisão ancorada em valores como estabilidade, proteção e previsibilidade. Considerando o desfecho narrativo, infere-se que o “final feliz” a que a narradora faz referência consiste em: I. A decisão da amiga de alienar o imóvel e investir os recursos na constituição de um empreendimento próprio, alcançando, assim, autonomia financeira e ausência de arrependimentos. II. A preservação do bem imóvel por parte da amiga, circunstância que lhe permitiu proporcionar respaldo material à filha, validando, portanto, a preocupação da geração Baby Boomer com garantias concretas. III. A aceitação da amiga em atender às ponderações das demais, priorizando sua autodeterminação e demonstrando que a liberdade decisória malogra sobre critérios de segurança patrimonial. Das assertivas, NÃO se pode afirmar que:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


