Língua PortuguesaCoesão referencial: anáfora e catáforaDES IFSUL 2010
IF SUL
Questão de Língua Portuguesa
Texto 1: 1 Conta-se que um determinado professor explicava o conceito saussuriano de signo escrevendo, com 2 uma das mãos, no quadro negro, a palavra “nariz” e apontando, com a outra, para o seu próprio nariz. 3 Ensinava que a palavra escrita é o significante e o órgão para o qual apontava, o significado. (PIETROFONTE, Antonio Vicente Seraphim; LOPES, Ivã Carlos. A semântica lexical. In: FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à linguística. 4. ed. v. 2. São Paulo: Contexto, 2007. p. 111.) Texto 2: 1 [...] quando Alice encontra o Chapeleiro Louco e a Lebre de Março para tomar chá eles estão 2 acompanhados de um dormouse. Lewis Carroll faz muitas piadas sobre o comportamento do 3 dormouse: ele dorme e acorda todo tempo, fala enquanto dorme e quase dorme enquanto fala. 4 O dormouse (Muscardinus avellanarius) é um mamífero roedor da família Gliridae. Existem na 5 Europa, na África e Ásia, algumas espécies são encontradas nas ilhas britânicas. Tem esse nome 6 devido a sua principal característica, o longo período de hibernação: um dormouse dorme até seis 7 meses por ano. [...] A palavra dormouse vem do latim dormire (dormir) como em dormant (adormecido) 8 ou dormitory (dormitório). [...] 9 Em português, que bicho é esse? O Houaiss registra a palavra glirídeo, “família de roedores do 10 Velho Mundo, conhecidos vulgarmente como arganazes”. Fosse um estudo sobre roedores, dormouse 11 seria, portanto, arganaz. Existem 34 espécies diferentes de dormice, nenhuma no Brasil. Cada um dos 12 tradutores de Carroll escolhe um nome brasileiro para o dormouse: “arganaz”, “caxinguelê”, “leirão”, 13 “marmota”, “ratão do banhado”, “rato silvestre”, “rato do campo”. 14 O problema é que nenhum desses nomes lembra sono ou dormir e, sem isso, as piadas de Carroll 15 simplesmente não funcionam. Ana Maria Machado, em sua ótima tradução (Ática, 2000), percebeu que 16 a questão não era o bicho mas o nome do bicho e na sua história o dormouse virou “dormundongo”. (FURTADO, Jorge. Alice através do espelho do tempo. Zero Hora, 13 mar. 2010, p. 4-5. Cultura)
Quanto ao emprego dos pronomes no Texto 2, é possível afirmar que: I. “ele” (l. 3) é anafórico porque se refere a “dormouse” (l. 3), caso se referisse a “Lewis Carroll” (l. 2) seria dêitico. II. “esse” (l. 9) é catafórico, pois se refere a “glirídeo” (l. 9). III. “desses nomes” (l. 14) é anafórico, sendo usado para evitar a repetição da enumeração do final do terceiro parágrafo. Está(ão) correta(s):
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

