Língua PortuguesaInterpretação de textosCMRJ 2027
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Questão de Língua Portuguesa
O celular que escraviza Eles roubam nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e podem até causar acidentes de trânsito. Quando é a hora de desligar? 1 Estamos viciados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia, não . conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência. Dormimos ao lado dele, . acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por . enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo. Somos incapazes de 5 ficar mais de um minuto sem olhar para ele. É através dele que nos conectamos com o . mundo, com os amigos, com o trabalho. Sabemos da vida de todos e informamos a todos . o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele nos fornece pequenos . estímulos prazerosos dos quais nos tornamos dependentes. Somos 21 milhões – número . de brasileiros com mais de 15 anos que têm smartphones, os celulares que fazem muito 10 mais que falar. Com eles, trocamos e-mails, usamos programas de GPS e navegamos . em redes sociais. O tempo todo. Observe a seu redor. Em qualquer situação, as pessoas . param, olham a tela do celular, dedilham uma mensagem. Enquanto conversam. . Enquanto namoram. Enquanto participam de uma reunião. E – pior de tudo – até mesmo . enquanto dirigem. 15 “É uma dependência difícil de eliminar”, diz o psiquiatra americano David . Greenfield, diretor do Centro para Tratamento de Vício em Internet e Tecnologia, na . cidade de West Hartford. “Nosso cérebro se acostuma a receber essas novidades . constantemente e passa a procurar por elas a todo instante.” O pai de todos os vícios, . claro, é o Facebook, maior rede social do mundo, onde publicamos notícias sobre nós 20 mesmos como se alimentássemos um grande jornal coletivo sobre a vida cotidiana. . Depois dele, novas redes foram criadas e apertaram o nó da dependência. Programas . de troca de fotos como o Instagram conectam milhões de pessoas por meio das imagens . feitas pelas câmeras cada vez mais potentes dos celulares. Os aplicativos de trocas de . mensagem, como o Whatsapp, promovem bate-papos escritos que se assemelham a 25 uma conversa na mesa do bar. O final dessa história pode ser dramático. Interagir com . o aparelho – e com centenas de amigos escondidos sob a tela de cristal – tornou-se para . alguns uma compulsão tão violenta que pode colocar a própria vida em risco. . Parece exagero? Pense na história da garota americana Taylor Sauer, de 18 . anos. Em janeiro, Taylor dirigia numa rodovia interestadual que liga os Estados de Utah 30 e Idaho quando bateu a 130 quilômetros por hora na traseira de um caminhão. Taylor . trocava mensagens com um amigo sobre um time de futebol americano. Uma a cada 90 . segundos. Seu último post foi: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no . Facebook não é seguro! Haha”. Se não estivesse teclando, provavelmente Taylor teria . avistado o veículo à frente, que andava a meros 25 quilômetros por hora. O caso terrível 35 não é uma aberração estatística. A cada ano, 3 mil americanos morrem por causa da . distração no celular, de acordo com a agência federal National Transportation Safety . Board. Pág. 7 . No Brasil, não é diferente – pelo menos é a impressão dos profissionais que . trabalham na área. “Minha experiência sugere que essa é a quarta maior causa de 40 acidentes, só atrás do excesso de velocidade, uso de álcool e drogas e cansaço”, diz . Dirceu Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. (...) O cérebro só . faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um . acidente. . (...) 45 A sensação de estar por fora é consequência da hiperconectividade, um conceito . elaborado por dois pesquisadores canadenses, Anabel Quan-Haase e Barry Wellman. . Eles criaram uma teoria para explicar como vive o dono de um celular moderno. Ele pode . se comunicar a partir de qualquer lugar a qualquer instante. Não há fronteiras entre ele, . seus amigos e o restante do mundo – com exceção (maldição!) de locais em que o sinal 50 é fraco ou (pesadelo!) não chega. Um dos efeitos colaterais da hiperconectividade é ser . altamente viciante. Daí a desconfiança de especialistas de que motoristas que não . conseguem largar o celular enquanto dirigem são, na verdade, dependentes. . Dispositivos eletrônicos como os celulares geram a sensação de prazer para o cérebro . porque ele se sente recompensado a cada novidade recebida. Uma mensagem é um 55 pacotinho de prazer. A descarga de uma substância estimulante para nossos neurônios, . a dopamina, encarrega-se de gerar a sensação agradável. O Instituto de Informação e . Tecnologia de Helsinque, na Finlândia, fez um estudo para analisar quanto tempo do dia . gastamos com o hábito de verificar atualizações em busca desse barato cerebral. De . acesso em acesso, somamos duas horas e 40 minutos. É o mesmo tempo gasto nos 60 Estados Unidos com televisão e dez vezes o que se gasta com leitura. (...) Reportagem de Rafael Barifouse e Isabella Ayub, Revista Época,15/06/2012. Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html>. Último acesso em 03 de outubro de 2017. IV.Sobre o texto III, responda às questões de 11 a 15.
Pág. 8
No trecho “O cérebro só faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um acidente.” (l. 41-43), a oração reduzida de gerúndio pode ser desenvolvida sem mudança de sentido em
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.