Língua PortuguesaInterpretação de textosAMIGA PÚBLICA 2012
CM Poço Verde
Questão de Língua Portuguesa
A tribo que mais cresce entre nós “A nova tribo dos micreiros cresceu tanto que talvez já não seja mais apenas uma tribo, mas uma nação, embora a linguagem fechada e o fanatismo com que se dedicam ao seu objetivo de culto sejam quase de uma seita, {...} Sua linguagem lembra a dos funkeiros em quantidade de importações vocabulares adulteradas, porém é mais ágil e rica, talvez a mais rápida das tribos urbanas modernas. Dança quem não souber o que é BBS, internet, modem, interface, configuração, acessar e assim por diante. Alguns termos são neologismos e, outros, reações semânticas de velhos significados, como janela, sistema, ícone, maximizar. Quando ouvi outro dia que ‘fulano é ‘interneteiro’, achei que era uma grave acusação. No começo da informatização das redações de jornais, não faz muito tempo, houve um divertido mal-entendido quando uma jovem repórter disse pela primeira vez: ‘Eu abortei!’ Ela acabava de rejeitar não um filho, mas uma matéria. Hoje, ninguém mais associa essa palavra ao ato pecaminoso. Abortase tão impune e frequentemente quanto se acessa. Nada mais tem forma e sim ‘formatação’. Foi-se o tempo em que ‘fazer programa’ era uma aventura amorosa. O ‘vírus’ que apavora os micreiros não é o HIV, mas uma intromissão indevida no ‘sistema’, outra palavra cujo sentido atual não tem nada a ver com os significados anteriores. A geração de 1968 lutou para derrubar o sistema; hoje o sistema cai a toda hora. {...} Falar mal hoje do computador é tão inútil e reacionário quanto foi quebrar máquinas no começo da primeira Revolução Industrial. Ele veio pra ficar, como se diz, e seu sucesso é avassalador. Basta ver o entusiasmo das adesões. Está bem que não se deve ser ‘neoconservador’, como diria o presidente. Devemos ser modernos, se possível pósmodernos. Mas também é ridículo ficar rendendo homenagem à arrogância e onipotência do computador como se fosse tornar obsoleta a inteligência humana, como um salvador da pátria, como se fosse resolver todos os nossos problemas, como se fosse o marco zero de uma nova civilização, como um exterminador do futuro: ‘Ele vai acabar com o livro, vai acabar com o jornal, vai acabar com isso e com aquilo.’ Se a tecnofobia é obsoleta, a tecnofilia pode ser mistificadora. {...} 2 Talvez esteja na hora de baixar um pouco a bola do computador --- até porque, {...}, ele é burro, burro como um robô, só sabe repetir, não sabe nada que você já não tenha sabido antes. Além de não ter imaginação, rejeita o desconhecido e a originalidade. {...} Como é que se pode confiar no discernimento de uma máquina que não é capaz de reconhecer a palavra árvore, ou qualquer outra, se lhe faltar apenas uma simples letra. {...} No fundo, o computador é o personagem daquela famosa piada do próprio Millôr: ‘Para bom entendedor meia palavra basta, não é becil?’” (VENTURA, Zuenir, In: Crônicas de um fim de século. Rio deA, Zuenir, In: Crônicas de um fim de século. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999, p. 56 – 8)
Julgue as assertivas: I. A palavra “tecnofobia” é formada da junção do radical grego tecno, que significa “arte”, “técnica” a outro radical grego fobia, que significa “medo”, “horror”, “aversão” à tecnologia. II. A palavra “tecnofilia” é formado pelo mesmo processo ao radical tecno, que se junta a filia, que significa “amor, “afinidade”, “atração” pela tecnologia. III. O 2º parágrafo inicia com o pronome “sua” que faz referência ao interneteiro.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
