Questões de Língua Portuguesa · CMRJ

Língua PortuguesaOrdem dos termos na oraçãoCMRJ 2007

CMRJ

Questão de Língua Portuguesa

As mudanças climáticas e o ‘homo faber’ Carlos Costa Ribeiro A cada relatório publicado pelos cientistas que integram o painel de mudanças climáticas das Nações Unidas, cresce o número de pessoas solidárias com a tese de que o homem está destruindo a vida no planeta. Afirma-se, de forma categórica, que as alterações no clima provocadas pelas ações humanas resultarão em desastres ambientais sem 5 precedentes, tais como a elevação do nível dos oceanos e a escassez de água potável. Para o cidadão comum, não iniciado na complexidade dos temas da climatologia, da ecologia e da economia, o alerta dos cientistas soa como ameaça real e assustadora. Há uma perplexidade geral e duas importantes perguntas estão no ar. A primeira é saber quem são os culpados. A segunda, o que fazer para reverter os danos previstos. 10 Para os mais afoitos líderes da corrente que acredita na iminência das catástrofes, a resposta à primeira pergunta é muito simples: o culpado é o estilo de vida perdulário que prevalece nos países desenvolvidos, capitaneados pelos Estados Unidos, que, inclusive, não assinaram o Protocolo de Kioto! A resposta à segunda pergunta também já foi dada: é preciso promover, a qualquer custo, a redução imediata no consumo de petróleo e de carvão, 15 substituindo-os por fontes alternativas de energia limpa. Entretanto, há um reduzido número de pessoas que discorda dessas avaliações quanto aos vilões apontados e à adoção de soluções simplistas para questões tão complexas. Vejamos algumas reflexões e ponderações desse grupo minoritário. 20 Ao inventar a agricultura, há cerca de 10 mil anos, abandonamos a vida nômade de catadores de frutos para nos estabelecer em pequenos aldeamentos à espera da colheita. Embora a agricultura tenha exigido a remoção sistemática de florestas, a irrigação artificial e a domesticação de animais, todas elas atividades que resultam em drásticas modificações no ambiente natural − inclusive com emissão significativa de gases estufa, como o gás carbônico e o metano — seus benefícios para a preservação da vida na Terra são 25 incalculáveis. Mais ainda, o convívio nas aldeias e a proximidade com animais domesticados provocaram o surgimento de doenças como a varíola e o sarampo, transmitidos através dos rebanhos. Não se pode dizer que houve culpados, nem que havia outra alternativa menos devastadora que garantisse a segurança alimentar e que tenha sido abandonada em prol da 30 agricultura. Levamos séculos para debelar essas doenças. Eliminamos várias e hoje já conseguimos controlar grande parte das demais, através das vacinas e da progressiva melhoria das condições de vida. O sucesso da empreitada está sendo alcançado não pela restrição à atividade agrícola ou ao convívio em cidades, mas sim pela riqueza proporcionada pelo próprio desenvolvimento da agricultura e a conseqüente expansão do 35 comércio mundial. Com o advento da era industrial, no início do século XVIII, prosseguimos numa escalada de incorporação de novos conhecimentos, através de um ciclo virtuoso de descobertas científicas e inovações que resultaram em sucessos em prol da vida, criando perspectivas alentadoras para o futuro. Sem minimizar as dificuldades enfrentadas, tais como 40 guerras, instabilidade econômica, desigualdades sociais e até equívocos no uso de recursos naturais, chegamos aos dias de hoje com duas conquistas importantíssimas. A primeira é uma economia globalizada, forte e estável. A segunda — conseqüência da primeira — é uma sofisticada rede de instituições de ciência e de tecnologia. Assim, para que seja possível o desenvolvimento de alternativas viáveis de substituição — em larga 45 escala e a médio prazo — dos combustíveis fósseis tradicionais (carvão e petróleo) que formam a base da segurança energética do mundo contemporâneo, é indispensável aperfeiçoar e preservar estas duas conquistas. As previsões de uma possível elevação do nível dos oceanos — por desequilíbrios no efeito estufa causados por ações humanas — foram estabelecidas para um cenário em que 50 nada será feito, daqui até 2100, para mudar o padrão de consumo de combustíveis fósseis. Entretanto, basta analisarmos o extraordinário aumento de eficiência dos sistemas de produção e uso de energias, alcançado ao longo dos últimos 250 anos, para concluirmos que na verdade esses avanços estão apenas começando. A sorte é que eles ocorrem muito mais por razões econômicas e de mercado do que por imposições políticas em favor do meio 55 ambiente. E esta é de fato a melhor garantia de que dispomos para afirmar que estamos avançando em direção a um mundo ainda mais seguro, livre de inundações oceânicas e sem escassez de água potável. Se agirmos com a confiança e a perseverança dos inventores da agricultura, novas fontes de energia chegarão ao mercado, de forma competitiva, a tempo de evitar as 60 catástrofes anunciadas. O homo faber, ou seja, aquele que preserva a vida através do uso inteligente de suas ferramentas, estará a salvo para enfrentar futuros desafios e riscos para a sua sobrevivência. (O Globo, 31/05/2007, adaptado).

A mudança da ordem das palavras de cada trecho a seguir modifica o sentido original do texto de Carlos Costa Ribeiro em

Sua resposta

Mais questões de Ordem dos termos na oração

Ver as 475 questões de Ordem dos termos na oração

Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.