Língua PortuguesaCoesão referencial: anáfora e catáforaCOPS UFLA 2019
UFLA
Questão de Língua Portuguesa
1 Página INSTRUÇÃO: Leia o texto 2 para responder às questões 2 à 6 TEXTO 2 1 Caderno de Sábado – O senhor fala faz muito tempo em inteligência coletiva e em coletivos inteligentes. Vê-se, 2 entretanto, que as redes sociais podem ser utilizadas para o bem e para o mal, por exemplo, para disseminar 3 ideias radicais e extremistas. Pode-se falar de uma inteligência coletiva do mal e da internet como um 4 instrumento também a serviço da estupidez e da barbárie universais? 5 Lévy – Falo em inteligência coletiva para enfatizar e estimular o aumento das capacidades cognitivas em geral, 6 sem fazer juízo de valor. Refiro-me ao aumento da memória coletiva, ao crescimento das possibilidades de gestão 7 e de criação de redes e das oportunidades de aprendizagem em sistemas de cooperação, com acesso universal a 8 informações e dados. Acredito que esse aspecto é inegável e que todos os atores intelectuais e sociais 9 responsáveis deveriam utilizar essas novas possibilidades na educação, na gestão do conhecimento, nas 10 empresas e nas deliberações políticas democráticas. É preciso inserir a internet na longa série que passa pela 11 invenção da escrita e do impresso. Trata-se de um considerável ganho na capacidade humana de tratamento das 12 operações simbólicas. O núcleo dessa capacidade, contudo, é a linguagem, que existe desde sempre e não 13 depende de qualquer tecnologia em particular. Graças à linguagem existem a arte, a cultura, a religião, os valores 14 e a complexidade das instituições econômicas, sociais e políticas. Mas falar de linguagem significa também falar 15 em mentira e manipulação. Falar em valores significa falar em bem e mal, belo e feio. É absurdo imaginar que um 16 instrumento que aumenta os poderes da linguagem em geral pudesse favorecer somente a verdade, o bem e o 17 belo. É preciso sempre perguntar: verdadeiro para quem? Belo para quem? Bem para quem? O verdadeiro vem 18 do diálogo aberto aos diversos pontos de vista. Direi até mais do que isso: se tentássemos transformar a internet 19 numa máquina de produzir somente a verdade, o belo e o bem, só chegaríamos a um projeto totalitário, de resto, 20 sempre fadado ao fracasso. 21 Caderno de Sábado – Nas redes sociais, a violência verbal é enorme. As pessoas insultam-se, ofendem-se e 22 dividem-se, cada vez mais, em direita e esquerda, bons e maus, os meus e os teus. Há jornalistas que fecham os 23 seus blogs aos comentários de leitores saturados de posts racistas e de ameaças de todos os tipos. Essa é ainda 24 uma etapa de aprendizagem dos recursos de interação disponíveis? 25 Lévy – Se alguém me insulta ou me envia coisas chocantes no twitter ou num blog, eu bloqueio e ponto final. 26 Certo é que nunca teremos uma humanidade perfeita. Em contrapartida, o usuário da internet não é um 27 intelectual menor de idade. Ele tem em mãos um grande poder, mas tem também grandes responsabilidades a 28 cumprir. O problema, sobretudo para os professores, consiste em educar esses utilizadores da internet. 29 É preciso ensinar a estabelecer prioridades, a atrair a atenção, a fazer uma escolha justa e uma análise crítica das 30 fontes às quais nos conectamos. Temos de prestar atenção na cultura daqueles com quem nos conectamos e 31 precisamos aprender a identificar as narrativas feitas e as suas contradições. Essa é a nova “digital literacy” 32 (alfabetização digital): tornar-se responsável. 33 Caderno de Sábado – A internet já mudou a nossa maneira de pensar, de ler e de organizar a nossa construção 34 mental do saber? 35 Lévy – Isso é inegável. O acesso imediato a dicionários, enciclopédias, entre as quais a Wikipédia, livros (gratuitos 36 ou pagos), vídeos educativos e outros dispositivos colocou à disposição de todos o equivalente a imensas 37 bibliotecas. Além disso, podemos ser assinantes de incontáveis sites especializados e contatar redes de pessoas 38 interessadas nos mesmos assuntos para construir saberes de modo colaborativo. O desenvolvimento de novos 39 tipos de rede de colaboração na pesquisa ou na educação (os famosos MOOC – Curso Online Aberto e Massivo, 40 “Massive Open Online Course”) são a prova clara e definitiva disso que estou sustentando nesta resposta. 41 Caderno de Sábado – Tem uma canção brasileira famosa que diz, “ainda somos os mesmos e vivemos como 42 nossos pais”. Depois da internet, somos os mesmos e vivemos como nossos pais ou nos separamos deles? 43 Lévy – A condição humana fundamental não muda. O que muda é a nossa cultura material e intelectual. O nosso 44 potencial de comunicação multiplicou-se e distribuiu-se no conjunto da sociedade. A percepção do mundo que 45 nos cerca aumentou e tornou-se mais precisa. A nossa memória cresceu. A nossa capacidade de análise de 46 situações complexas a partir de massas de dados vai, em breve, transformar a nossa relação com o meio 2 47 ambiente biológico e social. [...] Nós somos sempre os mesmos, mas mudamos. Disponível em: https://biblioo.cartacapital.com.br/pierre-levy/. Acesso em: 3/9/2019. Página
Quanto à retomada de elementos previamente introduzidos no texto, é INCORRETO afirmar que:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


