Questões de Educação e Pedagogia · INCAB (ex-FUNCAB)

Educação e PedagogiaLDB – Educação básica: disposições geraisINCAB (ex-FUNCAB) 2012

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Questão de Educação e Pedagogia

O mal de crescer. É um mal crescer. Crescer como a maior parte das pessoas cresce. Porque, desgraçadamente, todos os dias, se verifica a atualidade permanente daquela célebre pergunta: “Por que, sendo as crianças tão inteligentes, os adultos o são tão pouco?” Ora, isto vem agora a propósito de uma simples reflexão, ao alcance de qualquer um. Os adultos não podem ver uma criança correndo, que não lhe recomendem logo: “Olha que cais!” Por seu gosto, quereriam-na sentada, durante a infância inteira, se acaso não viessem a ficar preocupados de que, nessa posição, estragariam as calças rapidamente, como naquela anedota muito conhecida... Mas enquanto os adultos assim desejam ver a criança submetida a um interesse seu, – sem absolutamente se preocuparem em conhecer o dela, e muito menos o respeitarem, – vejam como a criança os vence na inteligência: é incapaz de exigir que os adultos se ponham a correr, em sua companhia, incapaz de exigir que façam alguma das coisas a que ela se dedica com o mais absoluto entusiasmo, e todo seu decidido fervor. Os adultos dizem à criança: a gente anda assim, pisa assim, olha para tal lado, faz uma cara como esta, etc. – na sua ânsia, que julgam muito louvável, de amoldar a infância plástica a um determinado tipo que lhe convém ou agrada. No entanto, a criança é incapaz de pretender que os adultos procedam segundo qualquer tipo determinado. Não dizem às mamães nem aos papais nem às avós, nem às titias que sejam diferentes do que são, – e nem se interessem por eles de modo a prejudicá-los na sua liberdade... Muitos pais e professores gostariam (ainda nos tempos de hoje) que seus filhos ou alunos andassem sempre de livro em punho, ou de agulha nas mãos, ou de lápis entre os dedos... – todas as coisas que para o adulto são úteis, vantajosas, agradáveis, em suma. Vejam agora, se a alguma criança já ocorreu exigir que os adultos andassem com as mãos sujas de lama, com os bolsos cheinhos de cacos de vidro, com as gavetas recheadas de pedacinhos de papel, de figurinhas, de trapos, de fios de cor... E isso tudo são coisas que a criança, acha belíssimas, de uma utilidade indiscutível, de um valor inigualável... Os adultos ficam aborrecidos quando as crianças sobem às árvores. Mas as crianças não se zangam por eles não subirem... É uma desigualdade pasmosa. De um lado, a liberdade, agindo e deixando agir... Do outro, o preconceito, o servilismo, a ideia feita, o lugar-comum e não raro a hipocrisia, não só agindo como também querendo fazer agir... Valha-nos a independência da criança, que a salva de alguns crimes de lesa-humanidade. Valha-nos a sua própria força vital que contraria, desvia, inutiliza as más influências dos adultos, concedendo-lhe uma verdadeira imunização contra os maus propósitos... E, no entanto, os adultos se julgam tão superiores! Tão encarregados de mandar neste mundo, e, na medida do possível, até fora dele! As crianças, não. As crianças não estão pensando nisso. Estão vivendo, realmente, a vida. Estão sendo, legitimamente, donas deste mundo e de todos os outros, criados e incriados. Dentro da sua pequena estatura, são criaturas imensas como o próprio Criador... Estão em tudo... E nelas tudo está. Dizem que Deus criou o homem à sua imagem... Pretensões dos adultos. Criada à imagem de Deus não pode ter sido senão a criança... (MEIRELLES, Cecília. O mal de crescer. In: Crônicas de Educação 2. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: Fundação Biblioteca Nacional, 2001. pp.19-20.)

“Muitos pais e professores gostariam (ainda nos tempos de hoje) que seus filhos ou alunos andassem sempre de livro em punho, ou de agulha nas mãos, ou de lápis entre os dedos ... – todas as coisas que para o adulto são úteis, vantajosas, agradáveis, em suma.” Se tomassem essa atitude, os educadores estariam contrariando, diretamente, o princípio – apresentado na Resolução CNE/CEB nº 4, de 13 de julho de 2010, p.2 – de:

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.