Língua PortuguesaCrônica e contoCPCC UFES 2010
UFES
Questão de Língua Portuguesa
1 É necessário apelar para Aristóteles: a definição se faz pelo gênero 2 próximo e pela diferença última. Exemplo: o homem é um animal racional. O 3 gênero próximo é o animal; a diferença última é o racional. Aplicando a mesma 4 definição ao jornalismo e à literatura, teríamos de encontrar a diferença última 5 entre as duas expressões da comunicação humana. 6 O gênero próximo é o mesmo: o universo das letras. A diferença última é o 7 tempo. Daí que a palavra crônica é segmento comum da literatura e do 8 jornalismo. O jornalismo condiciona o espaço da letra ao tempo do tempo. O 9 jornalismo distingue-se da literatura por ser uma expressão datada. 10 Não se trata de considerar o jornalismo como uma expressão inferior à 11 literatura. São expressões diferentes, unidas pelo mesmo gênero. Utilizam o 12 mesmo veículo, pretendem atingir o mesmo objetivo, mas em tempo próprio para 13 cada um. Dois exemplos da diversidade de tempo que marca tanto o jornalismo 14 como a literatura: o primeiro seria o de Castro Alves, essencialmente um poeta, e 15 José do Patrocínio, essencialmente um jornalista. Ambos integram a cultura 16 brasileira, ligados sobretudo à causa da abolição da escravatura. Patrocínio era o 17 tigre, enchia a rua do Ouvidor, foi levado em triunfo, no ombro do povo, logo após 18 a princesa Isabel ter assinado a Lei Áurea. O herói foi ele, não a princesa. 19 Castro Alves nunca teve triunfo igual, mas continua presente em nosso 20 presente e estará presente em nosso futuro. “O Navio Negreiro” atravessa 21 gerações, é declamado nas escolas, nos teatros, na TV, emplacou na história. 22 Patrocínio jornalista não foi menor, foi até maior do que Castro Alves no factual, 23 no tempo, na data. Mas no tempo? Na permanência? O gênero próximo que unia 24 os dois eram as palavras que despertavam emoções e apelos à razão, mas a 25 diferença última foi o tempo – um escreveu para o dia; o outro, para sempre. (Carlos Heitor Cony, “Jornalismo e literatura”, Folha de São Paulo, 29/04/2005.
Da argumentação do autor, NÃO se conclui que:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

