Língua PortuguesaLíngua falada e língua escritaCOPESE UFPI 2015
Pref Bom Jesus (PI)
Questão de Língua Portuguesa
O que eu vou ser quando crescer? 01 As inscrições para o Enem estão abertas e várias das minhas leitoras têm me perguntado como eu 02 escolhi a minha profissão e que conselhos eu poderia dar para ajudá-las nessa decisão. Isso parece tão simples 03 quando a gente é criança, né? Sempre temos na ponta da língua a resposta para a clássica pergunta ―O que 04 você vai ser quando crescer?‖, e ela geralmente é: ―Bailarina‖, ―Cantora‖, ―Jogador de futebol‖… Na infância 05 levamos em conta apenas a emoção para responder, pois é a etapa em que acreditamos que nossa vontade 06 basta para tornar as coisas possíveis. Os pais acham graça e até incentivam aqueles sonhos, porém, basta 07 chegar à adolescência que descobrimos que o incentivo era só por terem achado que tudo não se passava de 08 fantasia infantil. E então nos explicam que não basta sonhar com uma profissão…É preciso escolher uma 09 carreira segura. Que nos sustente, que dê status, que possa realizar as nossas ambições… 10 Essa fase realmente não é fácil. Lembro que, na época do vestibular, todos me cobravam uma 11 resposta, afinal, com 16 anos, eu já deveria saber o que almejava fazer pelo resto da minha vida, certo? Errado. 12 Eu pelo menos não tinha a menor ideia do que queria para o meu futuro. Só sabia que era louca por música, 13 que adorava escrever, que amava animais e que detestava matemática e física. Eu invejava profundamente os 14 meus colegas que desde os cinco anos de idade diziam: ―Quero ser médico!‖, e durante a vida inteira se 15 prepararam mentalmente para isso. Eu não era assim… Até o momento de fazer a inscrição no vestibular eu 16 ainda tinha dúvidas. Acabei escolhendo jornalismo, pois isso parecia a coisa certa a se fazer. Eu era muito boa 17 em português, gostava de fazer redações, escrevia poesias… Mas guardei no fundo do peito a vontade de 18 também ser veterinária. Quando intimamente eu achava que devia era estudar música. 19 Mas bastou entrar na faculdade para que eu percebesse que o que a gente pensa que sabe sobre uma 20 profissão não é bem o que ela é na prática. 21 [...] 22 Então, esse é o conselho que dou para as minhas leitoras e para todos os jovens que estão indecisos 23 nesse momento de escolha profissional: não pense que sua decisão é permanente. Você não tem que acertar 24 de primeira. A vida é longa, dá tempo de experimentar algumas vezes antes de escolher o caminho definitivo. E 25 mesmo depois de escolhido, ainda dá para voltar atrás, ―resetar‖ o jogo, começar tudo de novo… Claro que, 26 quanto antes descobrir o que realmente quer, mais cedo você vai se realizar profissionalmente. Mas não pense 27 nessa escolha como se fosse sua única chance, senão a pressão pode atrapalhar muito! 28 Boa escolha para você! Ah, o mais importante: lembre-se daquela frase superclichê, mas que é tão 29 verdadeira:“Siga o seu coração”! 30 Beijinhos! 31 Paula (PIMENTA, Paula. O que eu vou ser quando cescer?, Fazendo meu blog, Veja, 15 mai. 2014. Com adaptações. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/fazendo-meu-blog/sem-categoria/o-que-eu-vou-ser-quando-crescer/>. Acesso em 25 set. 2015)
As características linguísticas dos textos são dependentes, em grande parte, de aspectos contextuais, estratégicos e genéricos, que influenciam as escolhas feitas por seus produtores. Considerando essa informação, indique quais dos itens a seguir estão corretos quanto à apresentação de características estratégicas do texto ―O que eu vou ser quando crescer?‖. I. Trechos em que a autora parece dirigir-se aos seus leitores, como se tentasse estabelecer um diálogo, como em ―Isso parece tão simples quando a gente é criança, né?‖ (linhas 02 e 03); II. Marcas de textos orais, que deixam a linguagem mais informal e mais próxima dos leitores, como em ―Sempre temos na ponta da língua a resposta para a clássica pergunta ‗O que você vai ser quando crescer?‘‖ (linhas 03 e 04); III. Uso de reticências para que a autora não se comprometa em afirmar sobre o que não tem certeza, como na linha 17; IV. Orações sequenciadas que reforçam a mesma ideia, deixando mais evidente o que a autora quis dizer, como na linha 25.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
