Questões de Língua Portuguesa · Com. Exam. (MPE RS)

Língua PortuguesaCoesão referencial: anáfora e catáforaCom. Exam. (MPE RS) 2015

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Questão de Língua Portuguesa

1 A Retórica não existe para impor normas sobre como deve ser o discurso. Isso compete à Estilística. 2 A Retórica diz, por exemplo, o que é concisão, como obtê-la e que efeitos é possível retirar dela, mas é 3 a Estilística que estabelece se a concisão é desejável no discurso. Isso faz com que recursos retóricos 4 pertençam ao campo estilístico. Por ser normativa, a Estilística é vista com má fama por alguns, o que 5 se estende à Retórica, já que nem todos diferenciam uma da outra. É preciso avaliar a normatividade 6 de forma consequente, pois ela não é, em essência, ruim ou boa. É certo que temos exemplos em que 7 ela descambou para o dogmatismo e produziu efeitos desastrosos, o que pode ser observado nas 8 regras de versificação dos parnasianos. O poema tinha de ser rimado, metrificado, ritmado segundo 9 formas fixas. Para facilitar essa tarefa dos virtuoses, criaram as licenças poéticas, como 10 encadeamentos, sístoles, diástoles, inversões sintáticas bruscas, palavras supérfluas para completar 11 metro, etc. Ou seja, para não macular um aspecto da forma, criavam-se licenças até de efeito cômico 12 que a forma em outro aspecto. Mas nem toda normatividade é maligna: o jornal, que é 13 escrito a muitas mãos, não teria unidade sem o seu Manual de Estilo. 14 Enquanto forma de estudo da literatura, é possível dizer que a Estilística existe desde os estudos 15 retóricos de Aristóteles, Quintiliano e Cícero, que viam no estilo a melhor forma de adornar o 16 pensamento. Este pressuposto prevaleceu até o Renascimento e conduziu, inclusive, a várias tentativas 17 de codificação dos artifícios literários. Neste sentido, a Estilística foi até o século XX uma espécie de 18 ciência exata capaz de fornecer os dados técnicos necessários à produção de um discurso literário. 19 Não existe, a rigor, distinção clara entre a Retórica e a Estilística, porque o que importava era a 20 apreciação de um estilo individual, por exemplo, como nos códigos medievais, que distinguiam os 21 estilos entre sublime, médio e simples, e não a interpretação ou análise literária das características da 22 expressão linguística individual, mas apenas um inventário dos recursos obtidos pela linguagem num 23 dado contexto. 24 A rapidez da interação virtual exige novas formas de adaptação e de registro, o que não deve ser 25 considerado como uma maldição que se abateu sobre a linguagem culta. A língua é um bem social, ela 26 promove a inserção do indivíduo no grupo e na comunidade à qual pertence. Por ser mecanismo de 27 construção cultural, a linguagem muda e se adapta ao contexto histórico, político e tecnológico. 28 Não dominar os novos mecanismos de escrita que se apresentam na internet é não conseguir 29 interagir satisfatoriamente, é perder o tempo da fala e não participar da ideia que em alguns segundos 30 passado no universo virtual. Partindo do pressuposto de que a criança e o adolescente estão 31 inseridos no contexto atual, é natural que surja um novo tipo de linguagem e de comunicação. 32 Talvez seja pedantismo afirmar que só os cânones da língua têm traço estilístico. O mecanismo 33 linguístico se adapta às necessidades dos falantes e também à época. Há quem que a 34 internet tem corrompido linguisticamente os jovens, como se a nova linguagem fosse um vício, mas o 35 que não tem sido levado em consideração é que, em vez de embotar habilidades e competências de 36 leitura e de escrita, o chamado “internetês” exige dos jovens o domínio de várias habilidades, como 37 manusear rapidamente um teclado, pensar de forma rápida e objetiva para dar a resposta precisa à 38 pergunta feita, criar um código de comunicação para que se interaja em um mínimo de tempo e, 39 sobretudo, conseguir que a comunicação se faça dentro do assunto discutido. 40 A resistência às mudanças e àquilo que é considerado novo sempre existiu. O preconceito travestido 41 de tradicionalismo também é uma constante. É por demais ignorância avaliar essa conduta linguística 42 como algo irremediavelmente nocivo e não entender as necessidades de uma geração tecnológica. A 43 resposta do comportamento radical contra o “internetês” por parte de pais e professores é 44 compreensível e bem ilustrada na fala de um pai de uma criança de cinco anos. O pai, ao comprar um 45 celular moderno, teve problemas para fazê-lo funcionar. A filha de cinco anos pediu que a 46 tentar e em menos de dez minutos explicou toda a configuração do aparelho ao pai atônito. Como 47 cobrar dos jovens que eles retrocedam? 48 Há uma solução para esse impasse conflituoso entre gerações: é necessário educar conscientizando. 49 Explicar que, tal qual na fala, existe ambiente para se utilizar a nova linguagem virtual. Assim como não 50 é apropriado redigir uma dissertação com elementos da fala coloquial, também não são aceitáveis 51 abreviações e expressões do mundo virtual no texto acadêmico. Adaptado de: MAGI, L. S. Estilística e a evolução escrita. Disponível em: <http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/49/artigo327754-2.asp>. Acesso em: 17 out. 2014.

Considere as seguintes afirmações acerca do uso de expressões de referência nominal constantes no texto. I – A expressão definida O poema (l. 8) designa referente previamente descrito no texto. II – A expressão definida os jovens (l. 34) designa referente de conhecimento exclusivo do autor do texto. III – A expressão definida A filha (l. 45) designa referente anteriormente compartilhado pelo autor do texto com o leitor. Quais estão corretas?

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