Questões de Língua Portuguesa · CMRJ

Língua PortuguesaReescrita de frases e equivalência de sentidoCMRJ 2007

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Questão de Língua Portuguesa

Texto 1 Soneto VII Cláudio Manuel da Costa Onde estou? Este sítio desconheço: Quem fez tão diferente aquele prado? Tudo outra natureza tem tomado; E em contemplá-lo tímido esmoreço. Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço De estar a ela um dia reclinado: Ali em vale um monte está mudado: Quanto pode dos anos o progresso! Árvores aqui vi tão florescentes, Que faziam perpétua a primavera: Nem troncos vejo agora decadentes. Eu me engano: a região esta não era: Mas que venho a estranhar, se estão presentes Meus males, com que tudo degenera! Obras seletas, Ediouro, 1997. TEXTO 2 As mudanças climáticas e o ‘homo faber’ Carlos Costa Ribeiro A cada relatório publicado pelos cientistas que integram o painel de mudanças climáticas das Nações Unidas, cresce o número de pessoas solidárias com a tese de que o homem está destruindo a vida no planeta. Afirma-se, de forma categórica, que as alterações no clima provocadas pelas ações humanas resultarão em desastres ambientais sem precedentes, tais como a elevação do nível dos oceanos e a escassez de água potável. Para o cidadão comum, não iniciado na complexidade dos temas da climatologia, da ecologia e da economia, o alerta dos cientistas soa como ameaça real e assustadora. Há uma perplexidade geral e duas importantes perguntas estão no ar. A primeira é saber quem são os culpados. A segunda, o que fazer para reverter os danos previstos. Para os mais afoitos líderes da corrente que acredita na iminência das catástrofes, a resposta à primeira pergunta é muito simples: o culpado é o estilo de vida perdulário que prevalece nos países desenvolvidos, capitaneados pelos Estados Unidos, que, inclusive, não assinaram o Protocolo de Kioto! A resposta à segunda pergunta também já foi dada: é preciso promover, a qualquer custo, a redução imediata no consumo de petróleo e de carvão, substituindo-os por fontes alternativas de energia limpa. Entretanto, há um reduzido número de pessoas que discorda dessas avaliações quanto aos vilões apontados e à adoção de soluções simplistas para questões tão complexas. Vejamos algumas reflexões e ponderações desse grupo minoritário. Pág. 2 Ao inventar a agricultura, há cerca de 10 mil anos, abandonamos a vida nômade de catadores de frutos para nos estabelecer em pequenos aldeamentos à espera da colheita. Embora a agricultura tenha exigido a remoção sistemática de florestas, a irrigação artificial e a domesticação de animais, todas elas atividades que resultam em drásticas modificações no ambiente natural − inclusive com emissão significativa de gases estufa, como o gás carbônico e o metano — seus benefícios para a preservação da vida na Terra são incalculáveis. Mais ainda, o convívio nas aldeias e a proximidade com animais domesticados provocaram o surgimento de doenças como a varíola e o sarampo, transmitidos através dos rebanhos. Não se pode dizer que houve culpados, nem que havia outra alternativa menos devastadora que garantisse a segurança alimentar e que tenha sido abandonada em prol da agricultura. Levamos séculos para debelar essas doenças. Eliminamos várias e hoje já conseguimos controlar grande parte das demais, através das vacinas e da progressiva melhoria das condições de vida. O sucesso da empreitada está sendo alcançado não pela restrição à atividade agrícola ou ao convívio em cidades, mas sim pela riqueza proporcionada pelo próprio desenvolvimento da agricultura e a conseqüente expansão do comércio mundial. Com o advento da era industrial, no início do século XVIII, prosseguimos numa escalada de incorporação de novos conhecimentos, através de um ciclo virtuoso de descobertas científicas e inovações que resultaram em sucessos em prol da vida, criando perspectivas alentadoras para o futuro. Sem minimizar as dificuldades enfrentadas, tais como guerras, instabilidade econômica, desigualdades sociais e até equívocos no uso de recursos naturais, chegamos aos dias de hoje com duas conquistas importantíssimas. A primeira é uma economia globalizada, forte e estável. A segunda — conseqüência da primeira — é uma sofisticada rede de instituições de ciência e de tecnologia. Assim, para que seja possível o desenvolvimento de alternativas viáveis de substituição — em larga escala e a médio prazo — dos combustíveis fósseis tradicionais (carvão e petróleo) que formam a base da segurança energética do mundo contemporâneo, é indispensável aperfeiçoar e preservar estas duas conquistas. As previsões de uma possível elevação do nível dos oceanos — por desequilíbrios no efeito estufa causados por ações humanas — foram estabelecidas para um cenário em que nada será feito, daqui até 2100, para mudar o padrão de consumo de combustíveis fósseis. Entretanto, basta analisarmos o extraordinário aumento de eficiência dos sistemas de produção e uso de energias, alcançado ao longo dos últimos 250 anos, para concluirmos que na verdade esses avanços estão apenas começando. A sorte é que eles ocorrem muito mais por razões econômicas e de mercado do que por imposições políticas em favor do meio ambiente. E esta é de fato a melhor garantia de que dispomos para afirmar que estamos avançando em direção a um mundo ainda mais seguro, livre de inundações oceânicas e sem escassez de água potável. Se agirmos com a confiança e a perseverança dos inventores da agricultura, novas fontes de energia chegarão ao mercado, de forma competitiva, a tempo de evitar as catástrofes anunciadas. O homo faber, ou seja, aquele que preserva a vida através do uso inteligente de suas ferramentas, estará a salvo para enfrentar futuros desafios e riscos para a sua sobrevivência. (O Globo, 31/05/2007, adaptado). Pág. 3 Sobre o texto 1, marque a resposta correta.

“Para o cidadão comum, não iniciado na complexidade dos temas da climatologia, da ecologia e da economia, o alerta dos cientistas soa como ameaça real e assustadora. Há uma perplexidade geral e duas importantes perguntas estão no ar. A primeira é saber quem são os culpados. A segunda, o que fazer para reverter os danos previstos”. Reescreve-se corretamente o 2º parágrafo acima, mantendo-se o sentido do texto, em:

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