Língua PortuguesaInterpretação de textosCCV UFS 2010
UFS
Questão de Língua Portuguesa
Giancarlo Lepiani, de Johanesburgo Apesar de ser a metrópole mais cosmopolita do continente africano, Johanesburgo ainda exibe com notável clareza as marcas do período em que viveu sob o regime de segregação 3 racial. A topografia urbana desta cidade surgida na corrida do ouro do século XIX oferece constantes surpresas – em questão de minutos, é possível passar de avenidas que poderiam se misturar à paisagem de qualquer cidade americana a favelas tão miseráveis quanto as que se 6 encontram nos países mais pobres do resto da África. Nos dias que antecedem a abertura da Copa, porém, chama atenção o surgimento de um traço comum entre os diferentes cenários que formam Johanesburgo. A bandeira da África do S ul 9 pós-apartheid está em todas as partes – e isso não se deve só à empolgação com as chances da frágil seleção local no torneio. Como seria de se esperar, as decorações com as cores do país estão espalhadas por todos os caminhos que serão usados pelas delegações e torcedores. Mas 12 elas não se limitam às avenidas que ligam o aeroporto aos grandes hotéis – onde, é claro, foram instaladas pela prefeitura. As bandeiras estão também nas casas e lojas dos bairros mais variados – dos habitados 15 pelas comunidades indianas e muçulmanas aos distritos dominados por negros ou brancos. O símbolo nacional também enfeita boa parte dos carros, desde as latas-velhas pilotadas por motoristas negros até as SUVs* dos residentes mais ricos da capital de negócios do continente. 18 Quando se comenta o assunto com algum morador, o que mais se ouve é que o país está ansioso para mostrar o que é capaz de fazer. Uma propaganda de rádio dá uma boa medida da sensação dos sul-africanos nestes dias de contagem regressiva para a abertura: “Disseram que 21 não poderíamos sediar uma Copa; disseram que os estádios não ficariam prontos a tempo; disseram que não daria certo. Estavam errados”. No último Mundial, na Alemanha, um dos grandes legados do maior evento esportivo do 24 planeta foi justamente o orgulho com que sua população, enfim mais imune aos fantasmas da II Guerra, exibiu as cores do país ao receber visitantes do mundo todo. Numa África do Sul ainda muito distante de apagar os sinais dos tempos de conflito racial, uma possível repetição do 27 fenômeno alemão de 2006 pode valer muito mais que qualquer vitória dos Bafanas** no gramado. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/copa-2010/2010/06/01/> Acesso em: 04 jun. 2010. *SUVs: veículos utilitários esportivos (sigla em inglês para Sport Utility Vehicles) **Bafanas: rapazes (em isiZulu) - como são chamados os jogadores da seleção sul-africana de futebol
Da leitura do primeiro parágrafo, infere-se que Johanesburgo
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

