Questões de Língua Portuguesa · DEPSEC UNIFAP

Língua PortuguesaIdeia central, tema e títuloDEPSEC UNIFAP 2009

CBM AP

Questão de Língua Portuguesa

Sociedade do Controle. Somos sim vigiados em toda parte, mas sem o aspecto sombrio de outros tempos de perder a liberdade ou ser punido. A visibilidade ganhou status Por PATRÍCIA PEREIRA. Sorria, você está sendo filmado". Já leu isso em algum lugar? Provavelmente sim. A frase - e a nova realidade social que ela traz embutida - pode ser vista como um retrato de nossa sociedade: a vida de cada um é exposta e controlada, mas há certa alegria nisso. A disseminação de tecnologias como câmeras, celulares e internet permite um controle cada vez mais eficiente sobre os indivíduos. Além disso, o público invade as fronteiras do privado. Vão desaparecendo os espaços indevassáveis, sejam físicos ou subjetivos. Ok, não dá mais para se esconder, mas é um luxo abrir o Google e encontrar tudo. Uma faceta interessante dessas tecnologias que nos expõem e, muitas vezes à revelia de nossa vontade, nos controlam, é que elas contam com o aval da própria sociedade. Ocorreu a interiorização do hábito de vigilância e a valorização da visibilidade. Há, entretanto, um outro lado da questão: o sujeito olhado não é mais o mesmo daquele modelo proposto por Foucault, da vigilância em locais fechados. "É uma outra história. Naquela perspectiva anterior, falávamos de um sujeito único, com impressão digital singular. Ele pertencia a um universo físico e era controlado a partir da idéia de ser único. Hoje, somos seres de consumo. Cada um virou um banco de dados", explica Ieda. (...) ...Estamos entranhados no sistema. É o que lembra Fernanda Bruno, professora do programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do instituto de Psicologia da UFRJ. Ela explica que no tipo de vigilância digital que a internet permite, uma ação privada, como comprar algo ou visitar um site, gera um registro que pode funcionar como um vestígio de passos ou hábitos. O dado pode vir a se tornar de domínio público. "O próprio sistema que me permite comunicar com o outro é usado para coletar minhas informações e me vigiar. O mecanismo que coleta e me vigia é o mesmo. Antes se tinha, de forma separada, o espaço em que se habitava e aquele em que existia a vigilância. Agora não. Tudo faz parte de um mesmo sistema", explica Fernanda. Mas ela ressalta que não se pode colocar todas as tecnologias em um mesmo patamar em relação ao poder de vigilância e controle. Há vários tipos diferentes de controle. "Os feitos por filmadoras e câmeras de vigilância, pela via da imagem, são particulares. As câmeras estão cada vez mais presentes nos espaços públicos e, no Brasil em particular, nas grandes cidades, câmeras de vigilância são postas nos espaços privados. Isso obviamente leva a uma situação em que se tem constantemente a possibilidade de estar sendo visto. O maior problema social é que se cria uma idéia de suspeição generalizada, como se todos fossem potencialmente suspeitos ou vítimas potenciais. Hoje existe uma espécie de vigilância para todos. Qualquer um é vítima ou suspeito potencialmente", analisa. Vivemos hoje uma mistura da vigilância com o espetáculo, explica a professora da UFRJ. "Vigiar e ser vigiado não aparece como algo que controla e limita, mas que entretém, excita. Ser visto não é só ser controlado, mas ser 1 admirado, desejado, cuidado. Uma sociedade que incorpora a vigilância como prática cotidiana só pode fazer isso porque a vigilância não tem um aspecto sombrio como tinha no livro de George Orwell ["1984"]. Ela tem o aspecto mais colorido do espetáculo, do entretenimento, do vouyer, do "Show de Truman", do olhar e ser olhado, a sociedade atual é alimentada por isso", diz ela. Texto extraído do site: http\sociologiacienciaevida.uol.com.br. Capturado em 17/02/2009 (Adaptado).

O título “Sociedade do Controle” sugere ao leitor:

Sua resposta

Mais questões de Ideia central, tema e título

Ver as 1.848 questões de Ideia central, tema e título

Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.