Língua PortuguesaLíngua falada e língua escritaFCC 2010
SEDUC SP
Questão de Língua Portuguesa
Atenção: As questões de números 20 a 24 referem-se aos textos seguintes. Texto I O saci − começou ele − é um diabinho de uma perna só que anda solto pelo mundo, armando reinações de toda sorte. Traz sempre na boca um pitinho aceso, e na cabeça uma carapuça vermelha. Azeda o leite, quebra a ponta das agulhas, esconde as tesourinhas de unha, embaraça os novelos de linha, faz o dedal das costureiras cair nos buracos, bota moscas na sopa, queima o feijão que está no fogo, gora os ovos das ninhadas. Quando encontra um prego, vira ele de ponta pra riba pra que espete o pé do primeiro que passa. Tudo que numa casa acontece de ruim é sempre arte do saci. Não faz maldade grande, mas não há maldade pequenina que não faça. [...] Há muitos jeitos de pegar saci, mas o melhor é de peneira de cruzeta. Fica-se esperando um dia de vento bem forte, em que haja rodamoinho de poeira e folhas secas. Chegada essa ocasião, vai-se com todo o cuidado para o rodamoinho e zás! – joga-se a peneira em cima. Em todos os rodamoinhos há saci dentro, porque fazer rodamoinhos é justamente a principal ocupação dos sacis neste mundo. [...] Depois, se a peneira foi bem atirada e o saci ficou preso, é só dar um jeito de botar ele dentro de uma garrafa e arrolhar muito bem. Não esquecer de riscar uma cruzinha na rolha, porque o que prende o saci na garrafa não é a rolha e sim a cruzinha riscada nela. É preciso ainda tomar a carapucinha dele e a esconder bem escondida. Saci sem carapuça é como cachimbo sem fumo. (Monteiro Lobato. Viagem ao céu e O saci. São Paulo: Brasiliense, vol. 2, 1957, pp. 185-192) Texto II Esse texto de Monteiro Lobato ilustra a face mais conhecida do saci. Tal como o Brasil com suas regiões, ele tem muitas faces. Nascido da mistura de várias culturas, simboliza, no mundo das lendas, a própria miscigenação nacional. Histórias indígenas dão conta dele como curumim perneta, de cabelos avermelhados, guardião das florestas e encantador de crianças. Na zona fronteiriça com o Paraguai, é descrito como anão que faz com que as pessoas se percam em estradas de difícil acesso. Em Minas Gerais, recebeu bastão, laço ou cinto que usa para fazer encantamentos – como "varinha de condão", influência europeia. Mas foi em contato com a cultura africana que ele assumiu sua face mais conhecida: tornou-se negro, ganhou gorro e cachimbo na boca. (Brasil. Almanaque de cultura popular. Andreato comunicação & cultura: São Paulo, no 90, outubro de 2006, p.11, com adaptações) 6
Quando encontra um prego, vira ele de ponta pra riba pra que espete o pé do primeiro que passa. (1o parágrafo) A frase transcrita acima
Mais questões de Língua falada e língua escrita
- CETAP 2026O trecho que reproduz uma marca linguística recorrente na realidade nacional é:
- FGV 2026O romance São Bernardo, de Graciliano Ramos é um registro de impressões pessoais do narrador. Ao iniciar a tarefa de escrever o romance, esse narrador pensava em dividi-la entre a…
- FUNATEC 2026Em uma roda de conversa, os alunos relatam acontecimentos vividos no final de semana, organizando oralmente os fatos em sequência temporal. O professor utiliza a atividade para tr…
- Legalle 2026A respeito dos gêneros textuais orais e escritos, marque a alternativa CORRETA.
- FCPC 2026O texto acima consiste no trecho de uma entrevista concedida pelo professor Júlio Araújo à revista Entre. A partir da leitura do trecho, é correto afirmar que o professor defende…
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
