Língua PortuguesaConjunçãoFDRH 2015
FEPAM RS
Questão de Língua Portuguesa
Ruben George Oliven 01 Há um termo que trata de descobertas casuais. Ele se chama serendipity e significa o dom 02 de atrair o conhecimento de coisas felizes ou úteis ou de fazer descobertas desejáveis por acaso. 03 A palavra foi cunhada em 1754 pelo escritor inglês Horace Walpole a partir do conto de fadas 04 persa Os Três Príncipes de Serendip. Seus heróis sempre achavam – acidentalmente ou por 05 sagacidade – coisas que não procuravam. 06 Mas ninguém é serendipitoso (sim, o termo existe no Houaiss) por acaso. No campo 07 científico há vários exemplos de serendipidade. Um dos mais famosos é a descoberta 08 “acidental” da penicilina por Alexander Fleming. Ele, que era um cientista bastante 09 desorganizado, saiu de férias em 1928 e se esqueceu de guardar de forma adequada algumas 10 placas com culturas de micro-organismos em seu laboratório no Saint Mary Hospital em 11 Londres. Ao voltar, viu que havia algo de estranho em uma das placas: a cultura de 12 estafilococos que ela continha havia sido contaminada por um bolor e, ao redor de suas 13 colônias, não havia mais bactérias. 14 A zona em volta do mofo – mais tarde identificada como um tipo raro de cepa de 15 Penicillium notatum – estava clara como se o mofo tivesse secretado algo que inibia o 16 crescimento das bactérias, ao passo que outras colônias mais distanciadas estavam normais. 17 Fleming teria então pronunciado a célebre frase “Isso é estranho”. Ele se deu conta de que esse 18 “molho de mofo” era capaz de matar um amplo espectro de bactérias nocivas, como o 19 estreptococo, o meningococo e o bacilo da difteria. Fleming e seu colega Pryce descobriram 20 um fungo do gênero Penicillium e demonstraram que ele produzia uma substância responsável 21 pelo efeito bactericida. 22 E assim surgiu a penicilina, um antibiótico que revolucionou a medicina e a vida moderna. 23 Como disse Fleming mais tarde, “Quando acordei naquela madrugada de 28 de setembro de 24 1928, eu certamente não planejava revolucionar toda a medicina descobrindo o primeiro 25 antibiótico do mundo, mas acho que foi exatamente isso que eu fiz”. 26 Mas teria Fleming dado atenção esse achado do mofo, caso não estivesse 27 procurando um antibiótico? Na verdade, desde o final da I Guerra Mundial, depois de ter 28 testemunhado a morte de vários soldados devido infecções causadas por feridas, ele 29 estava procurando agentes antibacterianos. Em 1927, ele já estava pesquisando estafilococos. 30 Seu olhar estava, portanto, treinado e direcionado ver fenômenos que lhe pudessem 31 ajudar nesse caminho. 32 O forno de micro-ondas também tem seu descobrimento creditado um acaso. 33 Em 1945, Percy Spencer era engenheiro autodidata da empresa norte-americana 34 Raytheon, fabricante de armas e instrumentos eletrônicos militares e comerciais. Ele notou que 35 as micro-ondas de um aparelho de radar no qual estava trabalhando fizeram derreter uma barra 36 de doces que ele tinha no bolso. Para testar seu achado, Spencer criou um campo de alta 37 densidade eletromagnética fazendo passar a energia de micro-ondas para uma caixa de metal da 38 qual ela não poderia escapar. Quando alguma comida era colocada nessa caixa, sua temperatura 39 subia rapidamente. Em seguida, a Raytheon registrou a patente do forno de micro-ondas. 40 Essa descoberta pode parecer casual, mas, semelhança de Fleming, Spencer era 41 extremamente curioso e tinha se tornado uma das maiores autoridades em tubos de radar. Ele 42 desenvolveu um modo mais eficiente de fabricar magnétrons, as válvulas eletrônicas usadas 43 para gerar os sinais de rádio, que eram o principal mecanismo do radar. Ele estava, portanto, 2 44 atento a tudo que dizia respeito micro-ondas e encontrava-se no caminho de inventar 45 o forno que hoje em dia se tornou um utensílio doméstico essencial. 46 Vários pensadores discutiram o papel da sorte no desenvolvimento da ciência e 47 argumentaram que mais importante que o acaso é a sagacidade para juntar fatos aparentemente 48 irrelevantes. Como disse Louis Pasteur, um dos pais da bacteriologia, “o acaso só favorece a 49 mente preparada”. (Jornal ZH, Caderno PROA, 28/9/2014.)
Sobre o uso de nexos do texto, analise as seguintes afirmações. I – A conjunção proporcional ao passo que (linha 16) poderia ser substituída por “conquanto”, sem prejuízo do sentido e da estrutura da frase em que ocorre. II – O nexo caso (linha 26) poderia ser substituído por “se”, sem prejuízo do sentido e da estrutura da frase em que ocorre. III – A conjunção portanto (linha 30) equivale em sentido ao nexo “contudo”, que poderia substituí-la sem provocar alterações semânticas e/ou sintáticas na frase em que ocorre. IV – O nexo para da linha 43 desempenha a mesma função que Para da linha 36. Quais estão corretas?
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



