Língua PortuguesaCrônica e contoAvança SP 2026
Pref Potim
Questão de Língua Portuguesa
Água mole em pedra dura O mar é paciente, suas ondas vão e vêm, vêm e vão, monótonas, incessantes, em ritmos diferentes, por horas, dias, anos, quase que eternamente, batendo no mesmo lugar, na mesma praia, na mesma pedra, como se sua missão fosse mudar o desenho da costa, refazer as praias, redesenhar as rochas e os continentes, escondendo mais uma Atlântida. Forte, fraco, o movimento das ondas segue incansável, sem sono, sem pressa, mais forte ou mais fraco, de encontro ao rochedo, morrendo na praia. Reverberando tempestades ou manso, sob a brisa. O mar é o dono, a vida depende dele, a morte depende dele, os abrolhos afundam naus, os icebergs afundam navios, as tempestades reescrevem as derrotas e as ondas gigantes engolem os sonhos viajando nas embarcações. O mar molda as pedras, minuto a minuto, ao longo dos milênios, as ondas batem assim ou assado, escavam um lado, amolecem outro, derrubam os alicerces onde o litoral se apoia. Uma madrugada o enorme bloco se solta do continente e a costeira muda sua linha. As ilhas baixas podem estar condenadas. O aquecimento global derrete os gelos polares e o mar sobe. As marés sobem, engolem praias, derrubam coqueiros, espantam os homens. Não há força que resista ao seu avanço, não há muro que contenha suas águas. No movimento inclemente os poetas veem a beleza da vida, e a caiçara a quase miséria da sua existência. O mar pode ser cruel. As tempestades podem durar dias, semanas. Debaixo delas a vida encolhe e os sonhos se perdem na pesca que não acontece, no sueste batendo rijo. O mar é o dono de tudo, o mar pode tudo, a vida nasceu nele, a vida se perde nele. Para que fosses nosso, ó mar, valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena. MENDONÇA, Antonio Penteado. Água mole em pedra dura. Crônicas da cidade. Disponível em <https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2025/11/13/ag ua-mole-em-pedra-dura/>.
Em relação ao texto “Água mole em pedra dura”, é correto afirmar que se trata de uma crônica:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
