Língua PortuguesaCrônica e contoUNESC 2026
SAMAE Jaguaruna
Questão de Língua Portuguesa
Moinho de Sonhos A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as oliveiras vicejavam. Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia. A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino que, no meio do caminho, achou um velho cabo de vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de Rocinante. Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de outra colhedeira − um garoto que se exibia com um escudo e uma espada de pau. Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela. Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes. De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a conversar, embora um e outro continuassem na sua. Logo esse já sabia o nome daquele: o menino recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho. Começaram a se misturar: − Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho. − Só se você me emprestar sua espada, respondeu Alonso. Iam se entendendo, apesar de assustados com a felicidade da nova companhia. Avançaram na entrega: − Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso. Meu pai sozinho é que faz ele girar. − Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho. − Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move o moinho com um sopro. Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a contar: − Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela toda. − E se a gente esticasse o céu como uma lona e cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso. − Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão. − Temos de crescer primeiro. − Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num jeito de subir até o céu! − disse Alonso. − Vamos! − concordou Sancho. Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo entre os dois. Um sopro de vento passou por eles. Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho. CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em: https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
O conto encerra com a frase: "Um sopro de vento passou por eles. Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho." Nesse sentido, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
