Língua PortuguesaNeologismos, abreviação e hibridismoFCC 2026
Pref Barueri
Questão de Língua Portuguesa
Todo mundo conhece um caçador de redundâncias. É aquela pessoa adepta de corrigir alguém que diz ou escreve, por exemplo, “azeite de oliva”. “Se é azeite só pode ser de oliva, oliva é azeitona, de azeitona se faz azeite, entendeu? Falar azeite de oliva é o mesmo que falar ‘entrar para dentro’.” Sempre à espreita de pleonasmos viciosos, de palavras supérfluas, esse tipo especial de sabichão começa estando certo e logo fica errado, erradíssimo. Como se contenta com as primeiras linhas da história, nem desconfia disso, e acaba por protagonizar cenas constrangedoras. Se não sabe que a construção “entrar para dentro” pode, em determinadas circunstâncias, traduzir um reforço legítimo ou até necessário, no caso do azeite seu erro é ignorar que a palavra vinda do árabe “az-zayt” nasceu nos olivais, mas ganhou o mundo. Foi rápido o processo de expansão do sentido de azeite, que logo designava diversos tipos de óleo vegetal – azeite de dendê, por exemplo – e até de origem animal. Em outras palavras, a azeitona perdeu os direitos exclusivos sobre o azeite, que de óleo extraído dela virou genérico e foi azeitar sentidos variados pelo mundo. Daí a necessidade de um qualificativo, “de oliva”, para marcar seu significado primeiro e evitar mal-entendidos. O nome disso não é pleonasmo vicioso. É só a língua se mexendo em seu espetáculo habitual de metáfora e metonímia, quer dizer, de vida. Como se sabe, nada irrita mais os sabichões. Mal se livrou do caçador de redundâncias, o pobre azeite de oliva já precisa encarar, que sina, o maníaco do sentido literal: “Como não é extraído de uma oliva só, o certo é azeite de olivas”. Este pensa que a língua é um kit de mecânica cheio de peças únicas com funções unívocas, quando uma metáfora mais funcional para ela é um kit de química, com as palavras se entrechocando e gerando uma infinidade de reações, muitas surpreendentes, algumas com cara de magia. Mas esse é outro capítulo no almanaque do sabichonismo. (RODRIGUES, Sérgio. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Adaptado)
Considerando o contexto, no trecho almanaque do sabichonismo (4º parágrafo), a palavra sublinhada, um neologismo derivado do termo “sabichão”,
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


