Língua PortuguesaCrônica e contoIDECAN 2025
PM DF
Questão de Língua Portuguesa
Os desafios da IA e o moranguinho do amor No intervalo de poucos dias, fui surpreendida três vezes com o assunto inteligência artificial (IA). Primeiro soube que a Kotter anunciou o cancelamento da edição de 2025 de seu prêmio, após detectar 900 obras inscritas com claros indícios de autoria por IA. Os textos causaram estranheza por conterem perfeição técnica anômala: gramática impecável e falta de profundidade, estrutura previsível sem variações estilísticas e marcas do uso da ferramenta, como a inserção de comentários automáticos. A organização do concurso destacou que “a escrita humana tem imperfeições e saltos criativos que a IA ainda não reproduz com autenticidade” — respirei aliviada — e acrescentou que “prêmios literários precisam celebrar a criação humana”, o que me faz lembrar da segunda surpresa referente ao tema em um período tão curto. Trata-se da reportagem da GloboNews sobre o tour guiado em Amsterdã, que conduz os visitantes a pontos da trajetória de Anne Frank. Com fones e celular, é possível ouvir informações, ver imagens, assistir a vídeos e a animações incríveis. Nesse caso, não há dúvida sobre a contribuição da tecnologia a serviço da História. A terceira descoberta foi bem mais trivial: ser apresentada, na volta das férias, ao “morango do amor”, a gulodice do momento. Um colega trouxe dois em uma caixa para a agência publicitária onde trabalhamos e se divertiu com o meu olhar curioso, hipnotizado com aquela versão da maçã do amor, delícia tradicional em espetáculos circenses, parques de diversão, feiras e quermesses. Sem coincidência, bastaram breves falas entre nós e o meu celular exibiu matérias e ofertas de venda relativas à iguaria — resultado da captura sonora, que gerou o algoritmo. Para o bem e para o mal, a atuação das máquinas é parte do nosso cotidiano. Resta-nos o discernimento para boas escolhas. Estando, por exemplo, em Amsterdã, cultuar a memória de Anne Frank do modo mais inovador. E, enquanto escrevo esta crônica sem incomodar o ChatGPT, ceder à propaganda da loja que diz “cada mordida é uma experiência decadente que promete levar seus sentidos a uma jornada de puro prazer” e enfiar os dentes no vermelho brilhante vitrificado de um moranguinho do amor.
Por meio dos elementos discursivos retratados no texto, é possível depreender que a intencionalidade discursiva da cronista é:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

