Questões de Língua Portuguesa · DIRPS UFU

Língua PortuguesaConectivos e relações de sentidoDIRPS UFU 2015

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Questão de Língua Portuguesa

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Pró-Reitoria de Graduação Diretoria de Processos Seletivos Concurso para Técnico-Administrativo em Educação 29 de novembro de 2015 Início: 9h / Término: 12h30 o EDITAL n 069/2015 TIPO 1 1. Verifique se este caderno contém um total de 40 questões. 2. Fique atento aos avisos a serem feitos pelo chefe de setor. 3. Após ser autorizado, abra o caderno, verifique o seu conteúdo e solicite imediatamente a troca caso faltem folhas ou existam falhas na impressão. contidas. 5. Para se dirigir aos fiscais, levante o braço e aguarde ser atendido. 6. O candidato que for flagrado com telefone celular ou outro aparelho eletrônico, mesmo desligado, terá a sua prova anulada. Não leve o celular ou outro aparelho eletrônico para o banheiro, pois o porte destes, nessa situação, também ocasionará a anulação da prova. 7. É de responsabilidade do candidato a entrega de suas Folhas de Respostas. 8. Ao término da prova, este caderno deverá ser levado pelo candidato. OBS.: os fiscais não estão autorizados a dar informações sobre esta prova. Um bilhão de pessoas com deficiência A aprovação, em 2006, da Convenção Internacional sobre Direitos das Pessoas com Deficiência representou um marco na evolução dos direitos humanos e, particularmente, dos direitos de um grande número de indivíduos que durante muito tempo estiveram ausentes de estratégias de desenvolvimento e dos instrumentos de direitos Lenin Moreno Se analisarmos os temas globais tratados como prioridade no âmbito dos direitos humanos, veremos que as pessoas com deficiência foram as últimas a serem contempladas. Nos diversos debates e na evolução dos modelos políticos e socioeconômicos dos Estados, as pessoas com deficiência estavam ausentes – e em 5 muitos casos ainda estão – das políticas públicas. Aos poucos, foram atendidas de forma progressiva como um “grupo vulnerável” e uma “carga social” que o Estado deveria contemplar. O enfoque dos direitos humanos foi fundamental para iniciar uma transformação profunda nas políticas dirigidas para acabar com uma história de exclusão. É nesse ponto que radica, sem dúvida, a relevância da Convenção 10 Internacional sobre Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada em 2006. Apesar dos avanços nas últimas décadas, ainda há muito por fazer em termos de políticas públicas para que o conceito de justiça social, igualdade jurídica e de solidariedade inclua as pessoas com deficiência, assim como foi feito com outros grupos que, por suas características particulares, também precisaram de legislação e 15 políticas específicas para que suas oportunidades se equiparassem com o resto da sociedade. As organizações de e para as pessoas com deficiência conseguiram mobilizar apoios significativos para inserir seus direitos na agenda internacional. A Convenção de 2006 é resultado desse esforço. Múltiplas redes nacionais, regionais e 20 internacionais agrupam pessoas de forte compromisso e alto nível profissional que, com anos de análises e experiência, são as melhores conhecedoras do tipo de normas e políticas necessárias para tornar o mundo mais inclusivo e acessível a milhões de pessoas com deficiência. Infelizmente, a participação desses indivíduos ainda é escassa nos espaços intergovernamentais onde se definem acordos de relevância 25 global na agenda de desenvolvimento e de direitos humanos, assim como nos espaços de formulação de políticas públicas nacionais. Talvez pelos poucos espaços de participação internacional, esses grupos estiveram ausentes da Declaração do Milênio no ano 2000 e nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). O mundo se comprometeu a acabar com a 30 pobreza e com a fome, universalizar o ensino fundamental, alcançar a igualdade entre os sexos, reduzir a mortalidade das crianças menores de 5 anos, melhorar a saúde materna, combater a aids, a malária e outras doenças, garantir a sustentabilidade do meio ambiente e fomentar uma aliança mundial para o desenvolvimento. Dezenas de indicadores mostraram que, para impulsionar estratégias nacionais 35 dirigidas a esses objetivos e alcançá-los de forma integral, seria necessário identificar Página 3 as metas e os indicadores que serviram de guia aos Estados para que os ODM também contemplassem as pessoas com deficiência. Como bem assinalou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, “os ODM apresentam um esforço dirigido para abordar a pobreza mundial. Eles, contudo, não 40 incluíram as pessoas com deficiência, que nem sequer são mencionadas. Apesar dos progressos notáveis em relação ao cumprimento dos ODM, é difícil avaliar se as pessoas com deficiência foram de alguma forma beneficiadas com a aplicação dos objetivos ou atividades relacionadas”. A invisibilidade e a discriminação de pessoas com deficiência geram um círculo 45 vicioso de desigualdade, iniquidade e pobreza. Para a humanidade do século XXI, isso deveria ser inaceitável. Esse grupo é mais vulnerável à pobreza, e a grande maioria reúne uma ou mais das seguintes características: carece de alimentação adequada; vive em moradias precárias e sem condições de acessibilidade; não tem acesso a água potável e saneamento; carece de dispositivos técnicos de ajuda e assistência pessoal; 50 não recebe atenção adequada de saúde; e está fora dos sistemas educativos. Em resumo, hoje as pessoas com deficiência são as mais pobres entre os mais pobres. Em setembro de 2015, na sede da ONU, acontece o encontro de chefes de Estado e governo para discutir e aprovar o que será a Agenda de Desenvolvimento pós-2015. Espera-se que, nessa ocasião, as pessoas com deficiência façam parte das 55 decisões e compromissos do evento. Os governos e a sociedade deveriam assumir pelo menos oito prioridades para assegurar a inclusão e garantir os direitos de pessoas com deficiência: (1) colocar o desenvolvimento científico e tecnológico a serviço das pessoas com deficiência; (2) incluir plenamente crianças e jovens com deficiência nos sistemas educativos; (3) 60 prestar serviços de saúde especializados e acessíveis; (4) assegurar a inclusão trabalhista das pessoas com deficiência; (5) assegurar a vida e os direitos das pessoas com deficiência em situações de conflito e catástrofes naturais; (6) visibilizar as pessoas com deficiência nas estatísticas nacionais e globais; (7) construir sociedades acessíveis; (8) acabar com a discriminação. 65 Essas oito prioridades podem mudar o mundo e saldar essa dívida da sociedade com as pessoas com deficiência. O célebre astrofísico Stephen Hawking, que vive com uma doença motoneuronial, ponderou: “Percebo que, de muitas formas, sou um afortunado. Posso confiar em uma equipe de assistentes que me permitem viver e trabalhar de forma cômoda e digna. Minha casa e meu local de trabalho são acessíveis 70 para mim. Especialistas em informática me ajudaram com um sistema de comunicação assistida e um sintetizador de voz, que me permitem redigir conferências e documentos, e comunicar-me com distintos públicos”. O físico completou: “A eliminação de obstáculos liberará o potencial de um grande número de pessoas que têm muito a oferecer ao mundo. Os governos de todo o 75 planeta já não podem ignorar milhões de pessoas com deficiência a quem se nega o acesso à saúde, à reabilitação, ao apoio, à educação, ao emprego; a quem se nega o direito da oportunidade de brilhar”. Talvez Hawking seja o melhor exemplo do enorme potencial que o mundo está perdendo ao não prestar atenção a cada um e cada uma desse 1 bilhão de seres 80 humanos que constituem a maior minoria da humanidade. Le Monde Diplomatique Brasil, 06 de julho de 2015 (Adaptado). 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Em relação, aos termos em negrito, assinale a alternativa INCORRETA.

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