Língua PortuguesaConectivos e relações de sentidoDIRPS UFU 2012
UFU
Questão de Língua Portuguesa
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA PROGRAD – Pró-Reitoria de Graduação PROREH – Pró-Reitoria de Recursos Humanos DIRPS – Diretoria de Processos Seletivos 16 de dezembro de 2012 Início: 9 horas Duração: 3 horas TIPO 1 lá contidas. 6. Para se dirigir aos fiscais, levante o braço e aguarde ser atendido. 7. O candidato que for flagrado com telefone celular ou outro aparelho eletrônico, “mesmo desligado”, terá a sua prova anulada. Não leve o celular ou outro aparelho eletrônico para o banheiro, pois o porte destes, nessa situação, também ocasionará a anulação da prova. 8. Ao término da prova, este caderno deverá ser levado pelo candidato. OBS.: os fiscais não estão autorizados a dar informações sobre esta prova. Página 2 Um mundo é o bastante? Nos últimos 40 anos, a Terra perdeu 30% da sua biodiversidade. No Brasil e na Amazônia, sacrificou-se quase 60% da fauna e flora originais. Se não houver mudanças, em 2050 o planeta estará encrencado Marleine Cohen Se a emissão atual de gás carbônico na atmosfera não for refreada antes de o 2016, é bastante provável que a temperatura média do planeta suba mais do que 2 C. o o Caso aumente entre 1,4 C e 5,8 C, confirmando o cenário projetado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para 2100, o próximo século 5 viverá encrenca grossa. Fazer previsões é sempre muito arriscado, mas os cientistas só podem usar os dados de que dispõem. Na verdade, a cada ano os estudos sobre a crise ecológica se acumulam e os cenários se agravam. Se o IPCC estiver certo, há chances de “mudanças radicais, prejudiciais, abruptas e potencialmente irreversíveis”, que 10 deveriam ser evitadas. Com mais calor, o nível do mar deverá subir entre 8 e 88 centímetros, acarretando maior incidência de inundações, secas e epidemias. A degradação ambiental vai prejudicar a capacidade de o planeta fornecer peixes e água doce, reciclar nutrientes do solo e controlar o próprio clima. O número de espécies da flora, necessárias para assegurar o equilíbrio, cairá, em prejuízo da qualidade do ar. 15 Parte substancial da fauna desaparecerá. A Terra está entrando numa nova era geológica, afirma um grupo de estratígrafos, deixando o atual período Holoceno e inaugurando o Antropoceno, a época em que a ação humana constitui um fator de mudanças geofísicas, “a idade recente do homem”, segundo o químico holandês Paul Crutzen. Com efeito, se a 20 população mundial chegar a nove bilhões de pessoas em 2050, e estabilizar, como prevê a ONU, aumentará a pressão por alimentos, água, madeira, fibras e combustível – e a busca do padrão de consumo do Primeiro Mundo. Diante dos impactos previsíveis, a conservação dos recursos naturais torna-se crucial, desde agora. Quanto mais próspera a sociedade, mais pobre o planeta? A equação perversa 25 é lógica antes de futurologia: com nove bilhões os recursos e os serviços ecossistêmicos estarão comprometidos, sim, a menos que ocorram mudanças tecnológicas e sociais decisivas. Em geral, historicamente, as previsões apocalípticas subestimam o poder da inovação e da necessidade. Mas, se os impactos negativos se acumularem, as Metas de Desenvolvimento do Milênio, definidas pela ONU, no ano 30 2000, para erradicar a fome, a mortalidade infantil e as doenças, não serão atingidas. Nunca houve tantos e tão convincentes estudos sobre a saúde do planeta. Aos poucos, os ambientalistas ganham eloquência para questionar o modelo de desenvolvimento dominante e apontar correções. De acordo com o Relatório de Avaliação Ecossistêmica do Milênio, publicado em 2005, que reuniu 1,36 mil 35 especialistas de 95 países para avaliar o impacto das mudanças ambientais sobre o bem-estar humano, a Terra nunca foi tão degradada como nos últimos 50 anos. Nada menos que 60%, ou 15 dos 24 serviços ecossistêmicos examinados, têm sido usados de forma não sustentável. Página 3 Entre 1960 e 2000, período em que a economia global cresceu mais de seis 40 vezes, a demanda ligada a serviços dos ecossistemas – pesca, fornecimento de água, tratamento de resíduos, regulação climática e qualidade do ar – acompanhou o aumento da população. Enquanto esta duplicava, duplicou a extração de água dos rios e lagos e a capacidade hidrelétrica instalada. O volume de água confinada em diques quadruplicou e o de água retida nos reservatórios já é de três a seis vezes maior do 45 que o dos cursos d’água naturais. Quanto à produção de alimentos, cresceu 2,5 vezes; a produção de madeira de corte aumentou mais de 50% e a exploração de madeira para papel e celulose triplicou. Desde 1750, a concentração atmosférica de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera aumentou 32%, sobretudo em decorrência da combustão de combustíveis 50 fósseis e mudanças no uso do solo. Se nos contos de fada a biodiversidade representava a mesa farta que provê a vida ao homem, nos manuais de subsistência atuais ela nos obriga a aprender a viver. Diante dos flagelos ambientais que a era pós-industrial impõe ao planeta, a humanidade precisa aprender a tratar o ambiente como um organismo vivo exposto a 55 uma doença — entender que desse metabolismo em reequilíbrio depende seu bemestar e sobrevivência. Ainda não deixamos de interferir em paisagens intactas e de dizimar florestas primárias, premidos pela necessidade de alimentar sete ou nove bilhões de bocas. Mas, ao menos, já plantamos a semente do basta. A mudança é sutil, se comparada à gravidade dos números da degradação 60 ambiental, mas ainda assim é uma inflexão importante: o homem percebeu que, por trás de nomes científicos de espécies que nunca verá, se encontra sua própria salvação. O homem constatou que os custos econômicos da extinção da biodiversidade e do desmatamento são sempre altos e aprendeu a atribuir valor aos recursos naturais 65 que ainda restam à sua volta, ressalta o ecólogo brasileiro José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia: “Áreas protegidas com mananciais de boa qualidade precisam de pouco investimento em tratamento. Cerca de R$ 3 por mil metros cúbicos de água tratada, no máximo. Mas, quando há desmatamento e degradação dos mananciais, esse custo pode chegar a R$ 300 por mil metros 70 cúbicos”. Engana-se quem projeta a tragédia para um futuro muito distante. Todas as autoridades científicas são unânimes em situá-la entre os próximos 50 e 100 anos, se o atual padrão de destruição for mantido. Se, na maratona pela preservação da sua espécie, o homem mal começou a correr e a se questionar, pergunta-se, antes de 75 mais nada: vai dar tempo? Revista Planeta, 3, ed. nº 482, nov. 2012. (Texto adaptado)
Com efeito, se a população mundial chegar a nove bilhões de pessoas em 2050, e estabilizar, como prevê a ONU, aumentará a pressão por alimentos, água, madeira, fibras e combustível – e a busca do padrão de consumo do Primeiro Mundo. (linhas 19-22) A expressão em destaque denota
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