Língua PortuguesaCrônica e contoCom Exam Pref Bauru 2026
Pref Bauru
Questão de Língua Portuguesa
A foto Foi numa festa de família, dessas de fim de ano. Já que o bisavô estava morre não morre, decidiram tirar uma fotografia de toda a família reunida, talvez pela última vez. A bisa e o bisa sentados, filhos, filhas, noras, genros e netos em volta, bisnetos na frente, esparramados pelo chão. Castelo, o dono da câmera, comandou a pose, depois tirou o olho do visor e ofereceu a câmera a quem ia tirar a fotografia. Mas quem ia tirar a fotografia? – Tira você mesmo, ué. – Ah, é? E eu não saio na foto? O Castelo era o genro mais velho. O primeiro genro. O que sustentava os velhos. Tinha que estar na fotografia. – Tiro eu - disse o marido da Bitinha. – Você fica aqui - comandou a Bitinha. Havia uma certa resistência ao marido da Bitinha na família. A Bitinha, orgulhosa, insistia para que o marido reagisse. "Não deixa eles te humilharem, Mário Cesar", dizia sempre. O Mário Cesar ficou firme onde estava, do lado da mulher. A própria Bitinha fez a sugestão maldosa: – Acho que quem deve tirar é o Dudu... O Dudu era o filho mais novo de Andradina, uma das noras, casada com o Luiz Olavo. Havia a suspeita, nunca claramente anunciada, de que não fosse filho do Luiz Olavo. O Dudu se prontificou a tirar a fotografia, mas a Andradina segurou o filho. – Só faltava essa, o Dudu não sair. E agora? – Pô, Castelo. Você disse que essa câmera só faltava falar. E não tem nem timer! O Castelo impávido. Tinham ciúmes dele. Porque ele tinha um Santana do ano. Porque comprara a câmara num Duty Free da Europa. Aliás, o apelido dele entre os outros era "Dutifri", mas ele não sabia. – Revezamento - sugeriu alguém. – Cada genro bate uma foto em que ele não aparece, e... A ideia foi sepultada em protestos. Tinha que ser toda a família reunida em volta da bisa. Foi quando o próprio bisa se ergueu, caminhou decididamente até o Castelo e arrancou a câmara da sua mão. – Dá aqui. – Mas seu Domício... – Vai pra lá e fica quieto. – Papai, o senhor tem que sair na foto. Senão não tem sentido! – Eu fico implícito - disse o velho, já com o olho no visor. E antes que houvesse mais protestos, acionou a câmera, tirou a foto e foi dormir. Fonte: Veríssimo, L. F. Disponível em: https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-deluis-fernando-verissimo-comentadas/ Acesso em: 17 de maio de 2026.
O texto “A foto”, de Luís Fernando Veríssimo, apresenta uma narrativa curta, ambientada em uma reunião familiar, com humor e ironia sobre uma situação cotidiana. Essas características permitem classificá-lo, predominantemente, como:
Mais questões de Crônica e conto
- CONSULTEC (AIETEC) 2026No trecho de “O espelho”, a transformação vivida pelo narrador-personagem é construída por meio da mudança no modo como ele passa a ser reconhecido pelos outros. A análise dessa t…
- Instituto AOCP 2026No início da crônica (Texto 2), ao transformar-se em humana, a barata formula os pensamentos: “[...] que vergonha, estou nua!” e “[...] que horror! Preciso me livrar dessas barata…
- Avança SP 2026É correto afirmar que, no texto “O estômago e o pés”:
- FACAPE 2026“Só nos tornamos adultos quando perdemos o medo de errar. Não somos apenas a soma das nossas escolhas, mas também das nossas renúncias. Crescer é tomar decisões e depois conviver…
- UNESC 2026O conto encerra com a frase: "Um sopro de vento passou por eles. Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho." Nesse sentido, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativ…
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
