Língua PortuguesaInterpretação de textosFADURPE 2011
Pref Arapiraca
Questão de Língua Portuguesa
Texto 5 Identidade e nacionalismo: des-construção A questão da identidade nacional brasileira é difícil. Se, na Europa, esse tema se construiu sobre tradições populares ancestrais, no Brasil, por falta delas, ele foi, inicialmente, lapidado em cima de um passado inventado pelos escritores do Romantismo, de modo idealizado. A conjunção harmoniosa de índios, negros e europeus, a sobreposição de valores, a construção do herói modelar, o triunfo do Bem são, na realidade, a repetição ingênua dessa identidade forjada e, portanto, falhada. É nesse ponto que começa o “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, um livro que revela não só o engodo do projeto criado pelos escritores românticos, mas também a dificuldade de articulação de um conceito de identidade nacional do país. Policarpo Quaresma é, antes de tudo, nacionalista. Ama o Brasil acima de si próprio, e de si próprio abriu mão para viver em prol do engrandecimento da pátria. Estudou com afinco o país, acreditando piamente nos livros de sua biblioteca, que o narrador refere como romântica, e, cotidianamente, chega à repartição pública onde trabalha com uma excelência da geografia brasileira, comportamento ironizado pelos companheiros de trabalho. Longe da realidade, começa a construir projetos de brasilidade. O primeiro, baseado em suas leituras, é montado sobre a cultura do índio, elemento usado no Romantismo como símbolo de identidade nacional, já que aqui estava ainda antes de o português chegar. Foi seu primeiro erro. Nem seus amigos compreenderam sua tentativa: Lima Barreto marca o “estranhamento” da conjunção cultural e ética proposta pelos escritores românticos, quando confrontada com a realidade. O hospício é a natural consequência. Então Lima Barreto desiste de aproximar identidade nacional de identidade cultural e étnica, partindo para o engrandecimento da Pátria por meio de um projeto agrícola científico esfacelado pela realidade: saúvas, tiriricas, pragas, dificuldade de comercialização, oportunismo político, questões fundiárias... O segundo projeto queda frustrado também. Policarpo não desiste. Seu terceiro plano é a esfera política, o centro das decisões: resolve, além de entregar a Floriano Peixoto um memorial cujo tema é a salvação nacional, engajar-se ao lado da ordem republicana contra a Revolta da Armada, que a ameaçava. Não via ele que a República amordaçava o povo com a morte quando esse se rebelava contra a marginalização de que era vítima. No entanto, essa realidade era tão forte que, por maior que fosse o sonho de Policarpo, ela terminou por vir à tona: a ordem republicana vitoriosa, indiscriminadamente, pune a todos que ousam discordar dela e, de tão arbitrária, alcançou Policarpo, que a defendia. Seu terceiro projeto foi atropelado pela realidade. Pobre Policarpo Quixote Quaresma! Na sua trajetória, foi obrigado a ver as feridas e as mazelas brasileiras, seu conceito idealizado de Pátria morreu com ele. E, agora, o que é Nacionalismo? Lima Barreto, simbolicamente, aponta as engrenagens da História: Pátria, ao fim e ao cabo, é uma construção, não um sonho; é um processo de enfrentamento da realidade, não de idealismo. Amar a Pátria significa participar da criação de todos, para todos. Policarpo Quaresma está vivo dentro dos que querem um país que abrigue todos os brasileiros. (Flávia Suassuna. Disponível em http://fsuassuna.blogpot.com)
Com relação à construção dos sentidos do Texto 5, analise as proposições a seguir. 1) A autora começa a análise da identidade nacional brasileira, reconhecendo-a como particularmente difícil. 2) É no contexto da repetição ingênua dos aspectos das tradições europeias que a autora localiza o romance “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto. 3) A autora enxerga semelhanças entre o protagonista do romance que analisa (Policarpo Quaresma) e aqueles que querem um país que abrigue todos os brasileiros. 4) Segundo a autora, os sonhos de Policarpo quedam frustrados quando confrontados com a realidade, da qual se alienou. Estão corretas:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
