Língua PortuguesaCoesão referencial: anáfora e catáforaEDUCA PB 2025
Pref Umbuzeiro
Questão de Língua Portuguesa
Texto 1 Bebês reborn e a infância em crise A cena parece inofensiva: um -realista adulto empurrando um carrinho de bebê com um boneco hiper, de silicone, vestido com roupas de recém-nascido, com nome, certidão de nascimento e... identidade afetiva. Mas por trás do que aparenta ser apenas um hobby curioso, cresce um fenômeno que desafia a psicologia, interroga a sociedade e exige respostas da educação: a “adoção” emocional de bebês reborn por adultos como substitutos de vínculos reais. Reportagens recentes têm trazido à tona casos extremos — como pessoas que tentam registrar os bonecos como filhos, brigam por sua guarda e os levam a consultas médicas. O que parece inusitado, é na verdade o sintoma de uma sociedade cada vez mais marcada pelo esvaziamento das relações humanas, pela solidão e pela substituição do afeto por objetos. Essa realidade acontece em paralelo a transformações profundas nas estruturas familiares. Dados do IBGE mostram que a taxa de fecundidade no Brasil caiu de 2,32 filhos, por mulher, em 2000, para apenas 1,57, em 2023, com projeção de 1,44 até 2041. O tamanho médio das famílias também encolheu: de 3,62 pessoas por domicílio, em 2008, para 3,07 em 2018. Crescem os lares unipessoais e as famílias com um único filho. São modelos de vínculos que estão se reconfigurando. Com menos filhos, mais autonomia infantil precoce e mais presença digital que física, muitos adultos vivem hoje uma maternidade/paternidade emocional frustrada, silenciosa. Em vez de enfrentar o vazio, substituem o vínculo pela ilusão do controle: o bebê reborn não chora fora de hora, não cresce, não contesta. Ele é a fantasia da relação sem conflito e, portanto, sem verdade. Profissionais da saúde mental já apontam o alerta. Psicólogos têm observado que a “rebornização” das relações é uma tentativa inconsciente de anestesiar frustrações, lutos não elaborados, desejos não realizados. A Organização Mundial da Saúde já havia identificado o isolamento social como um dos fatores mais graves na piora da saúde mental global, agravada após a pandemia. Mas o que podemos e devemos fazer como profissionais da educação? A escola é, por excelência, o lugar da experiência coletiva. É onde a criança aprende a negociar, a dividir, a esperar, a ouvir o outro e a entender que o mundo não gira ao seu redor. É onde se aprende que a amizade exige paciência. Que o colega é diferente. Que nem sempre o lanche virá na hora exata, nem o jogo terminará com vitória. O papel da escola, então, não é apenas ensinar conteúdo. É reconstruir o lugar das relações verdadeiras. É frear a lógica do consumo afetivo onde o carinho é terceirizado, a infância é estetizada e o afeto é substituído por performance. A “geração reborn” precisa reencontrar a dor e a beleza da convivência. Precisa voltar a conviver com o inesperado, o outro, o mundo real, imperfeito, barulhento, humano. E a escola é um dos poucos espaços sociais capazes de fazer essa travessia. Porque o afeto não se fabrica. Se vive. Se constrói. Tatiana Santana é diretora do Colégio Externato São José e coordenadora regional da ANEC (Associação Nacional de Educação Católica do Brasil). Fonte: Gazeta da Semana. Disponível em: https://gazetadasemana.com.br/noticia/229113/artigo-de-opiniao-bebes-reborne-a-infancia-em-crise.
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Leia o texto a seguir e responda as questões 1 a 3
No 3º parágrafo do texto, é utilizado o termo “essa realidade” como elemento de referenciação. Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


