Língua PortuguesaIdeia central, tema e títuloCEV URCA 2024
Pref Várzea Alegre
Questão de Língua Portuguesa
PROVA DE PORTUGU ÊS - 01 A 10 Por que e como utilizar narrativas indígenas na alfabetizac¸ ão? Abordagem diversifica os tipos de textos trabalhados, permite resgatar as contribuic¸ ões dos povos originários e amplia o repertório e a visão de mundo das crianc¸as Qual língua se fala no Brasil? Se “português” é a única resposta que vem à sua mente é porque o processo de colonizac¸ ão e o decorrente apagamento histórico dos povos originários silenciaram, durante séculos, as centenas de línguas indígenas faladas no país. Elas são 274, segundo dados de 2010 do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi somente com a Constituic¸ ão Federal de 1988 que os povos indígenas tiveram assegurado o direito às suas línguas, inclusive no âmbito escolar. E esperariam ainda mais dez anos para, em 1998, o Ministério da Educac¸ ão (MEC) aprovar o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (RCNEI). Esse documento estabeleceu as diretrizes para o ensino e a aprendizagem da Educac¸ ão indígena de forma a preservar e valorizar sua diversidade cultural e linguística. O referencial assegurou a chamada alfabetizac¸ ão intercultural, isto é, o direito das pessoas indígenas de se alfabetizarem tanto em sua língua materna como em língua portuguesa em seu processo de escolarizac¸ ão. O objetivo é o de fortalecer as práticas socioculturais de cada comunidade, recuperar suas memórias históricas e reafirmar suas identidades. “A língua indígena escrita não deixa de ser fruto de um processo colonial porque a gente sabe que a transmissão de conhecimento dos povos indígenas sempre foi oral”, aponta Cristine Takuá, da etnia Maxacali, professora da Aldeia Guarani Rio Silveira, em Boraceia (SP). “A escrita das línguas indígenas veio com a catequizac¸ ão, com os jesuítas e salesianos, que foram os primeiros a levar a escola para dentro das comunidades indígenas.” Panorama da alfabetizac¸ ão indígena Josélia Gomes Neves, uma das responsáveis pela criac¸ ão do curso de Licenciatura em Educac¸ ão Básica Intercultural da Universidade Federal de Rondônia (Unir), explica que, no estado, a maioria das comunidades faz uso das suas línguas maternas no convívio familiar e social e tem o primeiro contato com a língua portuguesa praticamente na escola. “Então, geralmente, no 1º ano, a maior parte das atividades acontece na língua materna e, a partir do 2º ano, entra o bilinguismo pedagógico”, diz ela, que também lidera o Grupo de Pesquisa em Educac¸ ão na Amazônia (GPEA) da Unir. A professora detalha como acontece o processo de formac¸ ão de professores na região onde atua, na Terra Indígena Rio Negro Ocaia (RO). “O curso trabalha na perspectiva da pedagogia da alternância cultural. Os estudantes indígenas vão para a Unir e têm dois meses de aulas intensivas e, em outro período, é feito seu acompanhamento nas aldeias. Há uma aldeia polo que recebe esses alunos para estudos e desenvolvimento de atividades práticas.” Desafios para preservar a língua materna Formado por esse curso, o professor Ihvkuhj Gavião, do povo Ikolen e residente do município de Ji-Paraná (RO), atua desde 2014 na alfabetizac¸ ão de crianc¸as. Ele acredita que preservar a língua materna indígena está diretamente vinculado a preservar o universo cultural que ela nomeia. “Para manter nossa cultura, precisamos ensinar nossa língua a nossos alunos. E quando vamos ensiná-la, tentamos envolver a realidade deles, nossas tradic¸ ões e costumes, dentro da concepc¸ ão de Paulo Freire de ler o mundo que nos rodeia”, conta. Mas os desafios não são poucos, a comec¸ar pela própria escassez de profissionais. “Não há professores com a formac¸ ão necessária em quantidade suficiente para atender as turmas dos Anos Finais do Ensino Fundamental, por exemplo. Então, nessa etapa, são basicamente professores não indígenas, falantes exclusivamente do português”, comenta Josélia. Outra questão são os livros didáticos escritos sob a lógica do modelo eurocêntrico. Apesar da Lei nº 11.645 de 2008, que tornou obrigatório o estudo da história e cultura indígena e afro-brasileira nas escolas do país, os conteúdos ainda trazem estereótipos de uma concepc¸ ão única do que é ser indígena ou adaptac¸ ões incoerentes. “Um dos materiais que os professores recebem do MEC é uma colec¸ ão que foi pensada para a Educac¸ ão no campo. Ela é totalmente em língua portuguesa e, embora tenha alguma preocupac¸ ão com o campo, não é na perspectiva da floresta ou dos indígenas”, relata Josélia. © Adaptado. Thais Paiva, Revista Nova Escola, 29/04/2024. ¡https://novaescola.org.br/conteudo/21860/narrativas-povosindigenas-alfabetizacao¿
(CONCURSO V ÁRZEA ALEGRE / 2024) Qual é o principal argumento do texto em relac¸ ão ao uso de línguas indígenas na educac¸ ão?
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


