Questões de Língua Portuguesa · CMRJ

Língua PortuguesaInterpretação de textosCMRJ 2019

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Questão de Língua Portuguesa

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Figura da questão (imagem do caderno de prova)

TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.24 Ilustração de Jean-Claude R. Alphen 6 Texto II: O Cão e o Lobo 1 Um lobo muito magro e faminto, todo pele e ossos, pôs-se um dia a filosofar sobre as tristezas da vida. E nisso estava quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto, gordo, forte, de pelo fino e lustroso. Espicaçado pela fome, o lobo teve ímpeto de

Figura da questão (imagem do caderno de prova)

5 atirar-se a ele. A prudência, entretanto, cochichou-lhe ao ouvido: “Cuidado! Quem se mete a lutar com um cão desses sai perdendo”. O lobo aproximou-se do cão com toda a cautela e disse: 10 — Bravos! Palavra de honra que nunca vi um cão mais gordo nem mais forte. Que pernas rijas, que pelo macio! Vê-se que o amigo se trata... — É verdade! — respondeu o cão. Confesso que tenho tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo, 15 suponho que você pode levar a mesma boa vida que levo. ― Como? — Basta que abandone esse viver errante, esses hábitos selvagens e se civilize, como eu. 20 — Explique-me lá isso por miúdo, pediu o lobo com um brilho de esperança nos olhos. — É fácil. Eu apresento você ao meu senhor. Ele, está claro, simpatiza-se e dá a você o mesmo tratamento que dá a mim: bons ossos de galinha, nacos de carne, um canil com palha macia. Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome. — Aceito! — respondeu o lobo. Quem não deixará uma vida miserável como esta por uma 25 de regalos assim? — Em troca disso — continuou o cão — você guardará o terreiro, não deixando entrar ladrões nem vagabundos. Agradará ao senhor e à sua família, sacudindo a cauda e lambendo a mão de todos. — Fechado! — resolveu o lobo e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho da 30 casa. Logo, porém, notou que o cachorro estava de coleira. — Que diabo é isso que você tem no pescoço? — É a coleira. — E para que serve? — Para me prenderem à corrente. 35 — Então não é livre, não vai para onde quer, como eu? 7 — Nem sempre. Passo às vezes vários dias preso, conforme a veneta do meu senhor. Mas que tem isso, se a comida é boa e vem à hora certa? O lobo entreparou, refletiu e disse: — Sabe do que mais? Até logo! Prefiro viver magro e faminto, porém livre e dono do meu 40 focinho, a viver gordo e liso como você, mas de coleira ao pescoço. Fique-se lá com a sua gordura de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre. E afundou no mato. LOBATO, Monteiro, in Fábulas: O Cão e o Lobo. Brasiliense, São Paulo, 2002, p. 29 Fonte da imagem Disponível: < http://www.iejusa.com.br/mundoinfantil/fabulasbrasileiras.php>. Acesso em 04 de out. de 2019.

Uma das condições para que o lobo seja aceito na casa do dono do cão é “civilizar-se”. De acordo com o texto, isso significa que o lobo deveria

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