Questões de Língua Portuguesa · COPS UFLA

Língua PortuguesaCoesão referencial: anáfora e catáforaCOPS UFLA 2018

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Questão de Língua Portuguesa

Postado por Gazeta de São João del-Rei em 3 de Março de 2018 Por Paulo Nassar* 1 Já dizia o filósofo e escritor italiano Umberto Eco: “O drama da internet é que ela promoveu o idiota da 2 aldeia a portador da verdade.” Segundo ele, os “idiotas da aldeia” tinham o direito à palavra em um bar após uma 3 taça de vinho, mas sem prejudicar a coletividade. Com o advento das redes sociais, no entanto, hoje eles “têm o 4 mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel”. A teoria de Eco é comprovada por um levantamento realizado 5 pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso à Informação da USP, em uma determinada semana de 6 abril de 2016. A diligência, que investigou mais de 8 mil reportagens publicadas em jornais, revistas, sites e blogs 7 no período, concluiu que três das cinco notícias mais compartilhadas no Facebook eram falsas. Juntos, os textos 8 tiveram mais de 200 mil compartilhamentos, o que nos leva a crer que mais de 1 milhão de pessoas tenham sido 9 impactadas por notícias falsas em menos de uma semana. 10 A má notícia (e essa não é falsa) é que a onda de inverdades não se restringiu ao período da pesquisa — 11 ela está presente em nosso dia a dia e hoje influencia discussões nas mais diferentes áreas, da política ao esporte, 12 passando pela economia e a cobertura ambiental. Vivemos a era do “fake news”, em que blogs com interesses 13 escusos deturparam o princípio básico do jornalismo, que é a imparcialidade, para manipular a opinião pública de 14 acordo com os interesses de determinados grupos. Nos últimos anos, essa se tornou uma atividade altamente 15 lucrativa — talvez até mais rentável que o jornalismo de verdade. Prova disso é que atualmente existe uma 16 verdadeira indústria que movimenta bilhões de dólares por ano através dos fake facts. 17 Mas nem só de blogs sujos vive o fake news. Em um momento de debates polarizados, de “nós contra 18 eles”, muitos profissionais da área têm misturado jornalismo com ativismo, levando a desinformação até mesmo 19 aos veículos que gozam de credibilidade junto ao seu público. O que pouca gente se dá conta é que notícias falsas 20 ou coberturas jornalísticas tendenciosas podem afetar não somente a política, como também pessoas e 21 empresas, destruindo a reputação e gerando prejuízos bilionários às corporações. 22 O jornalismo, não como empresa, mas como instituição, precisa criar um escudo para se proteger dessas 23 práticas obscuras e não ser predada pelo fake news. É cada vez mais necessário zelar pela história, valores e 24 princípios dos veículos tradicionais — e sobretudo pela credibilidade conquistada por eles ao longo de décadas. 25 Muitos desses meios de comunicação contam atualmente com checadores profissionais de informações, uma 26 arma eficiente na busca pela diferenciação. Outros apostam em parcerias com empresas especializadas em 27 checagem de notícias, um negócio novo, mas que se tornou altamente relevante nos dias de hoje. Até mesmo 28 companhias como Facebook, Google e Twitter — que não produzem conteúdo, apenas os distribuem entre seus 29 usuários — vêm investindo fortemente em ferramentas de checagem, buscando aumentar a credibilidade de 30 seus serviços. 31 Mas a busca pela verdade, é preciso dizer, não é uma tarefa exclusiva dos veículos de comunicação. Do 32 lado do leitor, também é preciso cuidado para interpretar as notícias, avaliar a credibilidade de quem as veicula e, 33 principalmente, não colaborar para a difusão de conteúdos falsos, uma tarefa que acaba dificultada pelo cunho 34 ideológico dos principais virais. A luta contra o fake news precisa ser encarada como uma via de mão dupla. Se 35 por um lado é preciso criar uma relação de confiança com o leitor, esse, por sua vez, precisa valorizar as fontes 36 confiáveis. Em tempos de pós-verdade, somente o bom jornalismo pode fazer a diferença para a sociedade. Essa 37 é a informação que vale. * professor da ECA/USP e presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) Disponível em http://www.gazetadesaojoaodelrei.com.br/site/2018/03/artigo-o-valor-da-verdade-na-era-do-fake-news/ Acesso em 30/03/2018 Página1

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Considerando os mecanismos de coesão textual, analise as proposições abaixo: I. “Com o advento das redes sociais, no entanto, hoje eles “têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel”. (linhas 3 e 4). O termo eles se refere aos USÁRIOS DO FACEBOOK. II. “Outros apostam em parcerias com empresas especializadas em checagem de notícias, um negócio novo, mas que se tornou altamente relevante nos dias de hoje”. (linhas 26 e 27). O termo outros se refere aos III. “Nos últimos anos, essa se tornou uma atividade altamente lucrativa — talvez até mais rentável que o jornalismo de verdade”. (linhas 14 e 15). O termo essa se refere à ATIVIDADE DE MANIPULAÇÃO DA IV. “Essa é a informação que vale”. (linhas 36 e 37). O termo essa se refere à INFORMAÇÃO PRODUZIDA PELO Assinale a alternativa CORRETA.

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