Língua PortuguesaIdeia central, tema e títuloCOPESE UFPI 2023
UFPI
Questão de Língua Portuguesa
Por que relacionamentos terminam, segundo Darwin 01 Vocês trocaram mensagens bobas pelo celular, dividiram brigadeiros de panela, assistiram TV juntos 02 largados na poltrona e dormiram de conchinha. Foram, enfim, o centro da vida um do outro. Mas agora é cada 03 um para o seu lado. E sempre fica um enorme ponto de interrogação: se era tão bom, por que acabou? Para 04 entender, é preciso voltar no tempo e fazer um passeio pelas savanas africanas, 3 milhões de anos atrás. O 05 homem caçava e protegia a família. A mulher cuidava dos filhotes. 06 Mas, em determinado momento, os casais se separavam. O objetivo da família nuclear – nome técnico 07 que os antropólogos dão ao conjunto de pai, mãe e filhos – era garantir que o homem ficasse por perto tempo 08 suficiente para criar o filhote. Somente isso. Quando o filhote já estava crescidinho e não exigia atenção 09 integral da mãe (que por isso podia voltar a se virar sozinha), o pai estava livre para ir embora e procurar 10 outras fêmeas para procriar. 11 É daí que vem a chamada crise dos 7 anos. Esse é o período necessário para que uma criança se torne 12 minimamente independente. Um estudo da ONU revelou que o número de separações vai aumentando a 13 partir do 3º ano dos relacionamentos e atinge o pico no 7º ano – quando começa a declinar. Ou seja: o 7º ano 14 realmente é a hora da verdade da relação. 15 No filme O Pecado Mora ao Lado, de 1955, Marilyn Monroe faz o papel de uma mulher que se relaciona 16 com um homem casado. Sabe qual é o nome original do filme, em inglês? The Seven Year Itch, em português, 17 “A Coceira dos 7 Anos”. Porque é justamente nesse momento que a relação está mais ameaçada – pela 18 comichão de trair. 19 As estatísticas variam, mas entre 50 e 60% dos homens têm sexo fora do casamento, contra 45 a 55% 20 das mulheres. O aumento da infidelidade tem a ver com a independência delas, que já são quase metade da 21 força de trabalho e estão diminuindo rapidamente a distância financeira para os homens (nos EUA, 22% das 22 esposas já ganham mais do que os maridos). Mas as raízes disso estão dentro do cérebro. Lembra-se de 23 quando dissemos, na primeira reportagem desta série, que os sistemas cerebrais (desejo, paixão e ligação 24 emocional) eram independentes? 25 Isso tem um motivo – e não é complicar os relacionamentos. Pelo contrário: surgiu para que nossos 26 ancestrais pudessem buscar estratégias reprodutivas diferentes. A mulher poderia ter um parceiro para 27 protegê-la enquanto gerava os filhos de outro, enquanto o homem poderia espalhar seus genes alegremente 28 por aí, com outras mulheres. A natureza não queria o ideal romântico de amor eterno. Ela queria que 29 tivéssemos um backup reprodutivo, um plano B genético, e nos meteu nessa confusão. 30 E as circunstâncias também influem: na hora de decidir trair ou não, a relação do casal, a insatisfação 31 com o parceiro, a oportunidade, tudo isso pesa. 32 Mas muita gente tem os genes, os hormônios, todas as oportunidades do mundo, e não trai. Nós não 33 somos robôs biológicos. É possível resistir ao desejo de trair. Mas é muito mais difícil resistir a outro 34 fenômeno, igualmente destrutivo para os relacionamentos: o ciúme. O mais engraçado é que esse monstro de 35 olhos verdes, como chamou Shakespeare, surgiu com o objetivo oposto – preservar a relação monogâmica. 36 Ao primeiro sinal de infidelidade, soa o alarme e a pessoa fica atenta. E, como homens e mulheres 37 desenvolveram estratégias distintas de reprodução, também sentem ciúmes de coisas diferentes. 38 Como para o homem é muito dispendioso criar o filho de outro homem, ele sente mais ciúmes da 39 infidelidade sexual. Já para a mulher, não faria tanta diferença se o homem distribuísse apenas esperma para 40 as moças por aí; a grande ameaça é o envolvimento emocional, que coloca em risco a proteção e o cuidado 41 que o homem dá a ela e aos filhos. 42 Em 2006, o neurologista japonês Hidehiko Takahashi fez exames de ressonância magnética no cérebro 43 de homens e mulheres que comprovaram essas diferenças. Quando sente ciúmes, o homem usa partes do 44 cérebro ligadas a comportamentos agressivos e sexuais, como a amígdala e o hipotálamo. Já nas mulheres, a 45 área mais ativada durante as crises de ciúme é o sulco temporal posterior superior, associado à percepção de 46 emoções nas outras pessoas. Página 2 47 E a internet está piorando o ciúme. Uma pesquisa feita por psicólogos canadenses com 308 48 voluntários descobriu que as redes sociais, como Orkut e Facebook, alimentam o ciúme. Sabe por quê? Nada 49 menos do que 74,6% das pessoas adicionam ex-namorados ou rolos como amigos nessas redes – que depois 50 o cônjuge atual vai fuçar atrás de indícios. 51 Com ou sem ciúme, a verdade é que boa parte dos relacionamentos está destinada a acabar. E esse 52 momento pode ser muito difícil. “A natureza realmente exagerou no que diz respeito ao fim dos 53 relacionamentos”, diz Helen Fisher. Quando uma pessoa é abandonada, sua reação se divide em duas fases. 54 A 1ª é o protesto. É quando a pessoa fica fazendo promessas, doida para reatar. Isso pode ser muito 55 inconveniente. Mas ela não tem culpa. É o corpo agindo. 56 “O cérebro estava acostumado com aquela recompensa [a pessoa amada], então faz você insistir mais e 57 mais para tentar consegui-la de novo”, explica a neurologista Suzana Herculano-Houzel. O pânico de ver que 58 não está dando certo pode acionar o sistema de estresse do organismo, que por sua vez estimula novamente 59 a produção de dopamina – ironicamente, fazendo a pessoa se sentir ainda mais apaixonada. 60 Depois vem a 2º fase: aceitação. Depois de ver que o amado não irá mesmo voltar, muita coisa pode 61 passar pela cabeça da pessoa – depressão, confusão, frustração. Até mesmo ódio. Mas por que sentir algo 62 tão ruim por alguém que se amou? É que o ódio e o amor passam pelas mesmas partes do cérebro – a ínsula 63 e o putâmen. “A diferença entre os dois é que, no ódio, existe mais capacidade de planejar as ações. No 64 amor, o julgamento está prejudicado”, diz o neurologista Semir Zeki, da University College London. 65 Então o ódio é mais racional que o amor? Não necessariamente. Mas ele tem sua função: é uma defesa 66 do organismo para nos fazer seguir em frente. Em vez de ficarmos remoendo eternamente as dores, 67 passamos a não querer mais ver a pessoa. “Assim como o cérebro associava coisas positivas a uma pessoa, 68 ele pode passar a associar só sentimentos ruins, negativos”, diz Suzana Herculano-Houzel. Todos nós 69 sofremos e fazemos sofrer. Callegari, Jeanne e Garattoni, Bruno. Por que relacionamentos terminam, segundo Darwin. Disponível em https://super.abril.com.br/ciencia/amor-o-fim/. Acesso em 2 de abril de 2023 [com supressões].
É possível afirmar, a partir da leitura global do texto, que o assunto principal dele é:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



