Questões de Língua Portuguesa · CMRJ

Língua PortuguesaInterpretação de textosCMRJ 2012

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Questão de Língua Portuguesa

No texto “Os meninos morenos”, você viu que o povo que aqui já vivia fez parte da formação do brasileiro, muito antes de os portugueses ou africanos chegarem a essa linda terra. Vamos conhecer um pouco sobre seus traços e sua cultura? Alguns traços da cultura indígena Cláudio e Orlando Villas Bôas 1 Os traços da cultura do índio se diferenciam dos nossos. Numa comunidade . elas são brandas, mansas, sem castigo. O índio é uma criatura livre. Ninguém . determina o que ele deve fazer. Ele é dono dos seus atos e do seu tempo. O que . mantém a unidade tribal é a força da cultura nascida das suas tradições. Ninguém 5 manda em ninguém. Não vivem, como muitos podem pensar, num regime comunal onde . tudo é de todos. A propriedade é individual dentro mesmo do grupo familiar. O que é . do marido é dele, o que for da mulher é dela. Os pais não castigam os filhos e deles . nada exigem. Respeitam-nos. Quando se aponta um menino e pergunta-se ao pai: . – Você está ensinando o seu filho? 10 – Não. Fl. 5 . – Por quê? . – Eu não sei se ele quer. Cmt . – E, então, como e quando ele vai aprender? . – À medida que ele for precisando, ele pergunta. Daí eu ensino. 15 O índio é uma criatura alegre. Quase nada o entristece. Tudo é motivo de . graça. Um civilizado na aldeia que quer ser desembaraçado pintando-se como índio, . cortando o cabelo igual a ele, pensando que assim o agrada, em verdade provoca risos . e comentários. À noite nas redes eles lembram o ocorrido, caçoam e quase sempre . com a observação: “Caraíba necatuité” (branco civilizado é bobo). 20 *** . A criança é uma entidade. E como tal deve ser respeitada. Não se há de . contrariá-la, assim pensa o índio. . Uma índia fazia caprichosamente umas panelinhas com forma de passarinho, . com asinha, rabinho e biquinho. Ao lado, sua filhinha de 4 anos. À medida que a mãe 25 terminava, ela “puf”, com um pedacinho de pau, quebrava. A cena à nossa frente . repetiu-se quatro vezes. Sugerimos à índia que parasse para que ela – a criança – não . continuasse quebrando. Ela incontinenti respondeu (claro, na sua língua): . – Não posso parar porque ela quer quebrar. Simplificando sugerimos: . – Então não faça o biquinho, a asinha e o rabinho, que são as partes mais 30 demoradas e trabalhosas. . Ela continuou trabalhando e apenas esclareceu: . – Sem rabinho, sem asinha e sem biquinho não é panelinha, e ela quer quebrar . panelinha! . Encerrado o assunto, depois da décima primeira a menininha foi embora e a 35 mãe continuou com sua labuta. VILLAS BÔAS, Cláudio; VILLAS BÔAS, Orlando. Almanaque do sertão: histórias de visitantes, sertanejos e índios. São Paulo: Globo, 1997, p. 213-215 - adaptado. Vocabulário: 1. Regime comunal (l. 5) – regime em que tudo é comum, é de todos. 2. Incontinenti (l. 27) – sem freios, sem parar. 3. Labuta (l. 35) - trabalho. Fl. 6 Cmt Sobre o texto III, responda às questões de 7 a 9.

No texto acima, vemos alguns costumes na criação das crianças indígenas que diferem da criação dos povos que se consideram “civilizados”. Indique a única situação que NÃO corresponde à cultura indígena retratada na narrativa.

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