Videoaulas · Português para a PC-PE 2026

Compreensão e reescrita no Cebraspe: o método e as armadilhas

Os comandos da banca, as 4 alternativas-armadilha, reescrita que mantém correção e sentido, e sentido da palavra no contexto. · 11 min · para PC-PE 2026 (Agente e Escrivão) e concursos do Cebraspe

Resumo da aula

  • Leia o comando primeiro: de acordo com o texto não deixa ir além; inferir exige base no texto.
  • Desconfie das quatro armadilhas: extrapolação, generalização, contradição e troca de relação.
  • Na reescrita, duas perguntas: está correto e diz a mesma coisa? Atenção ao conectivo e à vírgula do que.
  • E o sentido da palavra é o do contexto, não o do dicionário.

Teste o que aprendeu

Questão 1 · Estilo Cebraspe · Múltipla escolha

De acordo com o texto,

Questão 2 · Estilo Cebraspe · Múltipla escolha

“Por isso, investigadores experientes cruzam as versões ouvidas com os registros disponíveis antes de concluir qualquer coisa.”

Assinale a opção em que a reescrita do trecho acima preserva a correção gramatical e os sentidos do texto.

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Pegadinhas da banca

As 4 alternativas-armadilha

  • Extrapolação: Vai além do que o texto disse.
  • Generalização: “Costuma” vira “sempre”, “todo”, “nunca”.
  • Contradição: Diz o oposto do texto.
  • Troca de relação: Causa vira consequência, ou o contrário.
Transcrição da aula

Aula um da série de Português para a Polícia Civil de Pernambuco: compreensão e reescrita. Na prova de Agente, o Português está no bloco de conhecimentos específicos, com quarenta questões de múltipla escolha, de A a E, ao lado de Informática, Raciocínio Lógico, Contabilidade e Estatística. Hoje você vai aprender a ler o comando como a banca, a reconhecer as alternativas-armadilha, a julgar uma reescrita e a descobrir o sentido de uma palavra pelo contexto.

No Cebraspe, quase toda questão de Português parte de um texto. A gramática aparece, mas aparece dentro do texto. E o erro mais comum não é falta de vocabulário. É responder com o que você acha, e não com o que o texto diz. Na prova, a resposta está no texto. Sempre.

Antes de ler o texto, leia o comando. Cada comando pede uma coisa diferente. De acordo com o texto: a resposta está escrita, com outras palavras. Nada de ir além. Infere-se do texto ou depreende-se: aqui você pode concluir, mas a conclusão precisa ter base no que foi dito. E a reescrita: o trecho reescrito tem que manter duas coisas ao mesmo tempo, a correção gramatical e o sentido original. Falhou em uma, está errado.

Vamos treinar com um texto no estilo da banca. Leia comigo o primeiro parágrafo. Durante muito tempo, o sucesso de uma investigação foi medido pela confissão do suspeito. Hoje, essa lógica perdeu espaço: as polícias passaram a apostar na prova técnica, que não depende da memória nem da vontade de ninguém. Um vestígio bem coletado, preservado e analisado costuma dizer mais do que horas de interrogatório. Repare na virada. O texto começa no passado, com a confissão como medida de sucesso, e muda com a palavra hoje: a polícia passou a apostar na prova técnica. E o motivo vem explicado: a prova técnica não depende da memória nem da vontade de ninguém. Guarde também a palavra costuma. Não é sempre.

Agora, o segundo parágrafo. Isso não significa que o depoimento tenha deixado de importar. Testemunhas continuam essenciais para reconstruir os fatos, mas suas lembranças podem falhar ou ser contaminadas. Por isso, investigadores experientes cruzam as versões ouvidas com os registros disponíveis, como câmeras, dados de celulares e laudos periciais, antes de concluir qualquer coisa. Aqui o texto se protege de uma leitura exagerada: o depoimento não deixou de importar. As testemunhas continuam essenciais, mas a memória pode falhar. E a conclusão prática: os investigadores experientes cruzam as versões com os registros antes de concluir. Cruzam, comparam. Ninguém joga o depoimento fora.

Agora, as quatro armadilhas que a banca usa nas alternativas erradas. Extrapolação: a alternativa diz algo que o texto não disse. Parece razoável, mas não está lá. Generalização: troca o costuma do texto por sempre, todo, nunca. Contradição: afirma o contrário do texto. Por exemplo, que a confissão deixou de ter valor. E a troca de relação: o texto diz que uma coisa é causa e a alternativa diz que é consequência, ou o contrário.

Questão um, no formato da prova: cinco alternativas, uma correta. De acordo com o texto: A, a confissão do suspeito deixou de ter qualquer valor nas investigações. B, investigadores experientes descartam o depoimento das testemunhas. C, a prova técnica ganhou espaço por não depender da memória nem da vontade das pessoas. D, todo vestígio analisado esclarece o crime mais rápido que um interrogatório. E, as câmeras substituíram as testemunhas na reconstrução dos fatos. Vamos eliminar. A: qualquer valor? O texto diz que a lógica perdeu espaço. Perder espaço não é perder todo o valor. Extrapolação. B: o texto diz o contrário. As testemunhas continuam essenciais. Contradição. D: todo vestígio, mais rápido? O texto diz costuma dizer mais. Generalização. E: as câmeras são só um dos registros que os investigadores cruzam com as versões. Substituir é extrapolar. Sobrou a C, que está no primeiro parágrafo com outras palavras. Gabarito, letra C.

Agora, o tipo de questão que mais derruba candidato no Cebraspe: a reescrita. A banca pega um trecho do texto, reescreve de cinco jeitos, e pergunta qual manteve a correção gramatical e o sentido. Então você faz duas perguntas, sempre nesta ordem: está correto? E diz a mesma coisa?

Primeira armadilha da reescrita: trocar o conectivo. O texto original diz: testemunhas continuam essenciais, mas suas lembranças podem falhar. Testemunhas continuam essenciais, portanto suas lembranças podem falhar. A frase está gramaticalmente correta. Mas o mas indicava oposição, e o portanto indica conclusão. Ficou parecendo que a memória falha porque as testemunhas são essenciais. O sentido mudou. Para manter a oposição, só serve um conectivo da mesma família: no entanto, porém, contudo.

Segunda armadilha: tirar ou colocar vírgula numa oração com que. Compare. Os investigadores, que são experientes, cruzam as versões. Com vírgulas, a oração é explicativa: todos os investigadores são experientes. Os investigadores que são experientes cruzam as versões. Sem vírgulas, a oração é restritiva: só os experientes cruzam. Os outros, não. A frase continua correta nos dois casos. Mas o sentido muda. Na reescrita, isso é erro.

E como é uma reescrita que passa nas duas perguntas? Veja esta, a partir do primeiro parágrafo. As polícias passaram a apostar na prova técnica, a qual não depende da memória de ninguém. O que virou a qual. A qual concorda com prova técnica, feminino singular, e a vírgula da explicativa continua lá. Está correto e diz a mesma coisa.

Questão dois, de reescrita. O trecho é: por isso, investigadores experientes cruzam as versões ouvidas com os registros disponíveis antes de concluir qualquer coisa. Qual reescrita preserva a correção gramatical e os sentidos do texto? A troca antes por depois. B coloca uma vírgula depois de experientes. C troca por isso por portanto. D usa o verbo cruza, no singular. E troca por isso por contudo. A: antes virou depois. A frase está correta, mas o sentido mudou. B: a vírgula separou o sujeito, investigadores experientes, do verbo, cruzam. Erro de pontuação. D: investigadores cruza? O sujeito está no plural. Erro de concordância. E: contudo é oposição. O original era conclusão. Mudou a relação. Sobrou a C. Por isso e portanto têm o mesmo valor de conclusão. Gabarito, letra C.

Último bloco: o sentido de uma palavra no contexto. A banca escolhe palavras com mais de um significado e pergunta qual é o do texto. Perdeu espaço quer dizer perdeu importância. Não tem nada a ver com lugar físico. Apostar, aqui, é confiar, investir. Não é jogar. Cruzar as versões é confrontar, comparar. Não é atravessar. E contaminadas, falando de lembranças, quer dizer influenciadas, distorcidas por informações de fora. Não é infectadas.

Aquecimento rápido. Diga se a troca mantém o sentido e a correção. Trocar mas por porém. Mantém. Os dois indicam oposição. Trocar embora por porque. Não mantém. Embora é concessão, porque é causa. Trocar por isso por logo. Mantém. Conclusão nos dois. Trocar se houver provas por caso há provas. Não mantém a correção. Caso pede o subjuntivo: caso haja provas.

E a última, de sentido no contexto. No trecho, mas suas lembranças podem falhar ou ser contaminadas, o termo contaminadas foi empregado com o sentido de: A, infectadas por agentes biológicos. B, influenciadas por informações externas. C, apagadas de forma definitiva. D, registradas em documentos oficiais. E, confirmadas por outras provas. A é o sentido literal, de laboratório. Não combina com lembranças. C, D e E não têm a ver com o termo. Apagar, registrar e confirmar são outras ideias. Lembrança contaminada é a que foi influenciada pelo que a pessoa ouviu ou viu depois. Gabarito, letra B.

Revisão relâmpago, para fixar. Leia o comando primeiro: de acordo com o texto não deixa ir além; inferir exige base no texto. Desconfie das quatro armadilhas: extrapolação, generalização, contradição e troca de relação. Na reescrita, duas perguntas: está correto e diz a mesma coisa? Atenção ao conectivo e à vírgula do que. E o sentido da palavra é o do contexto, não o do dicionário.

Fechamos a aula um! Na próxima: coesão e conectores, os pronomes que retomam e as palavras que ligam o texto. As questões desta aula e o mapa mental estão de graça no link da descrição.