Questões de Psicologia · SUCONS UEMA

PsicologiaPsicologia social – história e vertentes teóricasSUCONS UEMA 2024

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Questão de Psicologia

O episódio de Casa de Pensão retrata uma das questões centrais para o desenvolvimento da sociologia como ciência. “[...] Havia na escola um rapazito, implicante e levado dos diabos, que se assentava ao lado dele e com quem vivia sempre de turra. Um dia pegaram-se mais seriamente. Amâncio teria então oito anos. [...] quando entrou o professor, e os dois contendores tomaram à pressa os seus competentes lugares. [...] Todos os meninos começaram a estudar em voz alta. [...] Mas, de repente, ouviu-se o estalo de uma bofetada. [...] Pires levantou-se, [...] e sindicou do fato. Amâncio foi o único acusado. — Sr. Vasconcelos! — gritou o mestre — por que espancou aquele menino? Amâncio respondera humildemente que o menino insultara sua mãe. — É mentira! protestou o novo acusado. — Que disse ele?! perguntou Pires. Amâncio repetiu o insulto que recebera. [...] — Cale-se atrevido! berrou o professor encolerizado a tocar a campainha. [...] E, puxando a pura força o delinquente para junto de si, ferrou-lhe meia dúzia de palmatoadas. Amâncio, logo que se viu livre, fez um gesto de raiva. — Ah! ele é isso? exclamou o professor. — Tens gênio, tratante?! [...] isso tira-se. E voltando-se para o rapazito que levou a bofetada, entregou-lhe a férula e disse-lhe que aplicasse outras tantas palmatoadas em Amâncio. Este declarou formalmente que não se submetia ao castigo. O professor quis submetê-lo à força; Amâncio não abriu as mãos. [...] O professor, então, desesperado com semelhante contrariedade, deixou escapar a mesma frase que pouco antes provocara tudo aquilo. Amâncio recuou dois passos e soltou uma nova bofetada, mas agora na cara do próprio mestre. Em seguida deitou a fugir, correndo. [...] Amâncio foi agarrado no corredor quando ia alcançar a rua. [...] sofreu novo castigo; serviu de escárnio aos seus condiscípulos e, quando chegou a casa, o pai, informado do que sucedera na escola, deu-lhe ainda uma boa sova e obrigou-o a pedir perdão, de joelhos, ao professor e ao menino da bofetada. Desde esse instante, todo o sentimento de justiça e de honra que Amâncio possuía, transformou-se em ódio sistemático pelos seus semelhantes. Ficou fazendo um triste juízo dos homens. [...] Como aquele, outros fatos se deram na meninice de Amâncio. Todas às vezes que lhe aparecia um ímpeto de coragem, [...] que lhe assistia um assomo de dignidade, [...] o pai, ou professor, caía-lhe em cima, abafando-lhe os impulsos pundonorosos. Ficou medroso e descarado. [...] Temia as consequências de qualquer desafronta. “Estava domesticado”. AZEVEDO, Aluísio de. Casa de Pensão. Editora Ática, 1997. Trata-se, especificadamente, da problematização acerca da relação entre

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.