Questões de Língua Portuguesa · PLANEJAR

Língua PortuguesaInterpretação de textosPLANEJAR 2011

TJ PE

Questão de Língua Portuguesa

Desigualdade, democracia e educação (1º§) - O Brasil já venceu vários desafios no seu processo paradoxal de crescimento. Superou a fase agrícola, modernizou boa parte da sua produção, se industrializou e, o mais importante, enterrou a cabeça de burro do autoritarismo, estabelecendo não sem dificuldades a democracia como regime estável. A questão é que o número de eleitores analfabetos e analfabetos funcionais empobrece sensivelmente o processo eleitoral, uma vez que a educação insatisfatória não permite escolhas conscientes e seguras. Portanto, se é verdade que o País já venceu grandes desafios, falta vencer o maior: o da educação. Sem o que, a democracia perde seu sentido essencial, como dizia o mestre Anísio Teixeira. (2º§) - Algumas regiões são mais sofridas do que outras como expressão do crescimento desigual da economia. Os indicadores sociais atestam essa desigualdade. Dos cerca de 1.200 municípios relacionados pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica como os que mais merecem atenção das autoridades, 800 estão no Nordeste e no Norte. Boa parte deles, na Bahia, ostenta indicadores negativos preocupantes. Alguns dos municípios baianos são os piores em desempenho escolar do Brasil. (3º§) - A má qualidade da educação brasileira deve-se à péssima administração dos recursos e das verbas, à mudança da direção das escolas por critérios políticos e não-pedagógicos, à interrupção dos programas administrativos quando da troca de secretários de Educação e à desvalorização profissional dos docentes, cujos baixos salários não cobrem sequer as despesas pessoais. Esse diagnóstico levou o governo federal, através do Programa de Desenvolvimento da Educação, a estabelecer metas claras para elevar a média de aproveitamento escolar, retirando-a da situação atual – 3,8 – para elevá-la, pelo menos, ao dobro até 2021. (4º§) - Para alcançar tal objetivo, além dos recursos colocados à disposição pelo governo, é indispensável à melhoria das condições de trabalho dos profissionais da área da educação e sua qualificação. A dignidade da profissão e a sua função social têm de ser restabelecidas para assegurar a excelência do ensino e garantir a qualidade da educação. (5º§) - O movimento sindical, as universidades, as autoridades do setor, as famílias e as comunidades têm de desempenhar papel proativo na reconstrução da rede de educação pública para podermos ter a certeza de que a democracia conquistada a duras penas garanta aos jovens um lugar de destaque e reconhecimento na sociedade que integram. O governo criou os instrumentos da mudança e possui recursos para tal tarefa que não é simples, nem rápida, mas absolutamente necessária para melhorar a natureza da nossa democracia e reduzir a desigualdade social nos próximos anos. (6º§) - Logo depois do Carnaval, a Universidade Federal da Bahia e a Secretaria de Educação do Estado, por meio do Instituto Anísio Teixeira, vão realizar em Salvador um seminário nacional para promover o intercâmbio de experiências exitosas em várias regiões. Gestão escolar, qualificação, melhoria do ensino e combate à repetência e evasão estarão na agenda dos interessados na construção de soluções coletivas e participadas para vencermos esse imenso desafio. (7º§) - As boas idéias – são muitas – e as articulações possíveis serão relacionadas para que a Bahia possa participar viva e ativamente dessa cruzada contra a ignorância que maltrata, humilha e ofende principalmente os jovens nascidos nas camadas populares. Além disso, todas as DIRECs serão mobilizadas para sistematizar suas experiências, dimensionar seus gargalos e entraves e discutir coletivamente alternativas plausíveis para a inovação educacional e para o enfrentamento dos seus principais problemas. (8º§) - Com o apoio da UFBA, através da sua Pró-Reitoria de Extensão e sua chancela técnica, o governo do Estado pretende com esse seminário nacional intensificar a mobilização para melhorar os índices de educação e retirar a Bahia da lamentável situação em que se encontra. Esse é o sentido do Projeto Nova Escola. (9º§) - A primeira trincheira desta luta é contra a indiferença. A segunda, pela conquista da opinião pública para a gravidade da situação da educação. A terceira, e mais difícil, é a de arregaçar as mangas e pôr as mãos na massa para banir o analfabetismo, melhorar a educação básica e expandir a educação superior. (10º§) - Num país ainda marcado por tanta perversidade, a luta pela melhoria da educação ganha dimensão social transformadora. É a revolução possível. (Gustavo Falcón é Doutor em História e Professor da UFBA. In. Jornal A Tarde 26/01/2008) As questões 01 a 10 referem-se ao texto I.

De acordo com o primeiro parágrafo, o desafio que referencia o pior dos desafios está diretamente relacionado:

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.