Questões de Língua Portuguesa · Fundatec

Língua PortuguesaOração sem sujeito e verbos impessoaisFundatec 2018

Pref Rondinha

Questão de Língua Portuguesa

Descaminhos da Hipercorreção 01 Chama-se de hipercorreção ao processo que leva a corrigir também quando não se deve 02 corrigir. Ou seja, na tentativa de ser correto, corrige-se demais. 03 As fontes da hipercorreção são duas. Uma é a própria variação linguística, que sempre 04 envolve uma forma considerada correta e outra considerada errada. A segunda fonte é a vontade 05 de ser correto. 06 Tomemos um caso como paradigma: o “l” de final de sílaba é, em geral, pronunciado como 07 semivogal (como se fosse um “u”): assim, “maldade” se pronuncia “maudade”. 08 Uma das atividades escolares consiste em insistir na grafia correta. Ora, na mesma posição 09 ocorrem semivogais “de verdade”, como em “cauda” (rabo). Uma das atividades escolares 10 consiste em corrigir erros como “maudade”, o que levaria os alunos (e ex-alunos) a eliminar o “u” 11 nesta posição. Mas o mesmo trabalho que leva a acertar a grafia de “maldade” leva a errar a 12 grafia de “cauda”. Acrescente-se que existe também a palavra “calda”, a dos doces, o que ajuda a 13 complicar a questão: no limite, alguém pode trocar “u” e “l”, escrevendo “cauda” quando deveria 14 escrever “calda” e vice-versa (o mesmo ocorre em “auto / alto”, “mal / mau”). 15 Muitos erros de grafia se devem a este fenômeno. Ao lado de escritas como “hoge” (hoje) 16 ou “pessa” (peça), previsíveis, dado o nosso sistema de escrita, ocorrem casos como os 17 comentados acima. 18 Também há hipercorreções sintáticas, como o excesso de concordância. Uma das 19 características do português “popular” é a diminuição das flexões verbais. A terceira pessoa do 20 singular funciona como “curinga” das outras pessoas: casos extremos podem ser representados 21 por “eu vou / você vai / ele vai / nós vai / vocês vai / eles vai”, conjugação na qual só a primeira 22 do singular é diferente (parece inglês…). Ora, estas formas são corrigidas na escola, pelo menos 23 quando se decoram as conjugações. É uma pena, mas dificilmente se constrói uma espécie de 24 gramática contrastiva, o que seria bem interessante e penso que eficaz. 25 “Flexionar mais” parece ser um imperativo. Não seria estranho dizer que formas como 26 “haviam muitas pessoas” e “fazem cinco anos” são efeito dessa vontade de acertar, de colocar 27 verbos no plural, que é o que se cobra sempre…

Considerando o último período do fragmento de texto (l. 25 a 27), avalie as afirmações que seguem, relativamente às regras de concordância de verbos impessoais: I. Os verbos haver e fazer (na indicação de tempo), quando usados como impessoais, ficam na 3ª pessoa do plural. II. passar de, na indicação das horas, deve ser flexionado na 3ª pessoa do plural, acompanhando o numeral. III. O verbo chover, no sentido figurado, deixa de ser impessoal e, portanto, deve concordar com o sujeito. Quais estão corretas?

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.