Questões de Língua Portuguesa · COTEC FADENOR

Língua PortuguesaSinônimos e antônimosCOTEC FADENOR 2017

Pref Jaíba

Questão de Língua Portuguesa

CADERNO 232 26/11/2017 Tarde EDITAL 1/2017 Professor de 6ª a 9ª Ano – Língua Portuguesa NOME: ASSINATURA 01 - Este caderno contém questões do tipo múltipla escolha. 02 - Verifique se o caderno contém falhas: folhas em branco, má impressão, páginas trocadas, numeração errada, etc. Encontrando falhas, levante a mão. O Fiscal o atenderá e trocará o seu caderno. 03 - Cada questão tem 4 (quatro) alternativas (A - B - C - D). Apenas 1 (uma) resposta é correta. Não marque mais de uma resposta para a mesma questão, nem deixe nenhuma delas sem resposta. Se isso acontecer, a questão será anulada. 07 - Não se esqueça de assinar a Lista de Presenças. 08 Após UMA HORA, a partir do início das provas, você poderá retirar-se da sala, SEM levar este caderno. 09 - Após DUAS HORAS, a partir do início das provas, você poderá retirar-se da sala, levando este caderno. OBS.: Candidatos com cabelos longos deverão deixar as orelhas totalmente descobertas durante a realização das provas. É proibido o uso de boné. 2 Questões numeradas de 01 a 10 INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder às questões propostas. Sinônimos e antônimos 1 “Não há sinônimos em francês. Aliás, em língua alguma”. Foi o que me disse meu amigo suíço Didier Marlier, quando falávamos sobre a melhor palavra para definir algo considerado perfeito, sem usar a palavra “perfeição”, uma vez que perfeição, na verdade, só existe no mundo das ideias. 5 Tentamos o excelente, o maravilhoso, o sensacional, mas nenhuma palavra atingia o objetivo. São parecidas, mas diferentes, ao mesmo tempo. Acho que o Didier, mais uma vez, teve razão. Sua observação foi, digamos, perfeitaH Por falar em palavras e em franceses, Gustave Flaubert era obcecado por usar a palavra certa para definir um sentimento ou uma situação. Consta que depois de escrever um texto, ele o relia à exaustão, e, caminhando pelo 10 jardim, pronunciava em voz alta algumas palavras até se certificar que eram as mais adequadas. “Le mot just!” – dizia – “A palavra certa”. Só existe uma para cada mensagem, era sua convicção. Não é à toa que Flaubert é considerado o gênio do estilo, o mago das palavras, a elegância personificada em texto. Ao interpretar a tristeza de Emma, por exemplo, escreveu: “Ela não era feliz e jamais o fora. Por que era tão frustrante a vida que levava, por que tudo em que se apoiava decompunha-se e ruía?”. 15 Ah, FlaubertH como não se enternecer com Emma Bovary. Ele também não acreditava em sinônimos. Pode haver palavras que expressem o mesmo sentido, querem dizer a mesma coisa, mas, na hora da aplicação, no momento de construir a frase, considerando o instante, a situação, a carga emocional, a ênfase que se quer dar, só há uma palavra adequada e pronto. Cabe-nos encontrá-la para dar precisão e poesia ao escrito, ou ao dito. 20 Apesar disso, existe a sinonímica, o capítulo da linguística que se dedica a estudar os sinônimos, suas semelhanças, peculiaridades e aplicações. É quem nos explica que comprido e longo são sinônimos, mas que uma calça é comprida enquanto um vestido é longo. E que pedra e rocha são sinônimos também, mas que a dinamite explode uma rocha da montanha, enquanto o garoto atira uma pedra no lago. Pois é. As palavras são parecidas, mas não semelhantes. Ou seria o contrário? Usá-las adequadamente pode 25 parecer simples, mas não é fácil. Ôps! SinônimosH A conversa com o filósofo dos Alpes me fez pensar sobre quantas palavras eu mesmo tenho alguma dificuldade em usar, e percebo que o mesmo acontece com meus interlocutores. Vamos a alguns exemplos de palavras frequentes, com seus erráticos sinônimos ou antônimos. Humildade e pobreza. A humildade é uma qualidade desejada e apreciada, com frequência atribuída a 30 pessoas que admiramos, citada em várias passagens da bíblia, e exaltada como marca de caráter e de sabedoria. Humildade, com frequência, é usada como sinônimo de pobreza – só que não é. É melhor interpretar o significado de humildade por seu antônimo. Sim, o oposto de humildade é a arrogância. O humilde não é o pobre. É o sem soberba, esta sim, um bom sinônimo de arrogância. Medo e coragem. Com frequência ouvimos que o corajoso é aquele que não tem medo. Nada mais errado. 35 Coragem significa avançar apesar do medo, e não na ausência dele. Aliás, quem não tem medo não precisa ter coragem. O corajoso avalia os perigos, os riscos prováveis, se preparar para enfrentá-los e então avança. O oposto da coragem seria a covardia. Persistência e teimosia. Sem dúvida, persistir é uma qualidade. Não desistir, manter-se firme em um propósito, apesar das dificuldades, dos percalços próprios dos trabalhos que dependem de algum tempo para apresentarem 40 resultado. É bom ser persistente. Entretanto, persistência é diferente de teimosia. O teimoso também persiste, mas o faz quando não deveria. O teimoso e o persistente não desistem, mas, enquanto o persistente aprende com o erro, o teimoso o repete. TeimosamenteH Desejo e vontade. Podem até ter a mesma conotação, mas são diferentes na essência. O desejo é um forte instinto ligado à busca do prazer. O desejo é irracional, inato, inconsciente, liberado pela parte mais primitiva de 45 nosso cérebro. Já a vontade é racional, está sob nosso controle. Poderíamos dizer, com auxílio da psicobiologia, que a vontade é um desejo mediado pelo pensamento. Pela manhã, por exemplo, meu desejo é permanecer no conforto e no calor de minha cama. Mesmo assim eu levanto e me preparo para o dia e seus desafios, pois estou cheio de vontades. Pressa e velocidade. No mundo moderno, com frequência temos pressa, estamos atrasados, sentimos o 50 tempo faltar como o ar. Então optamos pela velocidade, aceleramos o carro, realizamos tarefas simultâneas, comemos em pé, corremos pela vida. E então, erramosH e temos que repetir o que fizemos. Sim, a velocidade prejudica a pressa e vice-versa. É melhor ser veloz no que se faz, mas fazê-lo sem pressa. Aquele que é veloz domina a arte do que faz. O que tem pressa está atrasado, porque não tem domínio sobre seu destino. Amor e ódio. Dois sentimentos poderosos e excessivamente humanos. Muitas vezes referidos como as duas 55 faces da mesma moeda, ou como dois territórios separados por uma linha tênue, na verdade são sentimentos 3 independentes. E ambos têm o mesmo antônimo, que é a indiferença – a ausência de emoção. Por isso costuma-se dizer de alguém, que é possível amá-lo ou odiá-lo, mas que, sobre ele, não se pode ser indiferente. Nosso idioma é pródigo de traquinagens como essas, que dificultam a vida dos estrangeiros e dos incultos, ao mesmo tempo que fazem a alegria dos amantes da língua. Voltando ao Flaubert, que amava a palavra certa, muitas 60 vezes encontrava várias, que se somavam na construção perfeita de uma imagem de sua mente fértil. Ao tentar dar um alento à angustiada Emma Bovary, ponderou: “Suponhamos, porém, que, em algum lugar, existisse alguém forte e belo, um homem de coragem, ardoroso e refinado, coração de poeta em forma de anjo, uma lira de bronze tocando epitalâmios aos céus – por que não haveria, um dia, de deparar-se com ele?”. 65 Como não acreditar nas possibilidades da vida quando temos a sorte de cruzar com um pensamento estruturado e belo de Flaubert? Mesmo que ele seja representado por um colega do trabalho, um parente próximo, um amigo querido, um poema novo, um texto da revista que, no momento certo, nos entrega a palavra certa, aquela que não tem nem sinônimo nem antônimo, simplesmente é a palavra que você precisava ouvir naquele momento.

MUSSAK, Eugenio. Revista Vida Simples. jan. 2017. A partir das ideias defendidas pelo articulista, NÃO se pode inferir:

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