Língua PortuguesaAntítese, paradoxo e oxímoroFAFIPA 2023
CM Nova Fátima (PR)
Questão de Língua Portuguesa
O alto preço de viver longe de casa Muito além do valor do aluguel. Voar: a eterna inveja e frustração que o homem carrega no peito a cada vez que vê um pássaro no céu. Aprendemos a fazer um milhão de coisas, mas voar... Voar a vida não deixou. Talvez por saber que nós, humanos, aprendemos a pertencer demais aos lugares e às pessoas. E que, neste caso, poder voar nos causaria crises difíceis de suportar, entre a tentação de ir e a necessidade de ficar. Muito bem. Aí o homem foi lá e criou a roda. A Kombi. O patinete. A Harley. O Boeing 737. E a gente descobriu que, mesmo sem asas, poderia voar. Mas a grande complicação foi quando a gente percebeu que poderia ir sem data para voltar. E assim começaram a surgir os corajosos que deixaram suas cidades de fome e miséria para tentar alimentar a família nas capitais, cheias de oportunidades e monstros. Os corajosos que deixaram o aconchego do lar para estudar e sonhar com o futuro incrível e hipotético que os espera. Os corajosos que deixaram cidades amadas para viver oportunidades que não aparecem duas vezes. Os corajosos que deixaram, enfim, a vida que tinham nas mãos, para voar para vidas que decidiram encarar de peito aberto. A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia. É o peito eternamente divido. É chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. É se orgulhar da escolha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha que te subtraiu outras mil pedras preciosas. E começamos a viver um roteiro clássico: deitar na cama, pensar no antigo-eterno lar, nos quilômetros de distância, pensar nas pessoas amadas, no que eles estão fazendo sem você, nos risos que você não riu, nos perrengues que você não estava lá para ajudar. É tentar, sem sucesso, conter um chorinho de canto e suspirar sabendo que é o único responsável pela própria escolha. No dia seguinte, ao acordar, já está tudo bem, a vida escolhida volta a fazer sentido. Mas você sabe que outras noites dessa virão. Mas será que a gente aprende? A ficar doente sem colo, a sentir o cheiro da comida com os olhos, a transformar apartamentos vazios na nossa casa, transformar colegas em amigos, dores em resistência, saudades cortantes em faltas corriqueiras? Será que a gente aprende? A ser filho de longe, a amar via Skype, a ver crianças crescerem por vídeos, a fingir que a mesa do bar pode ser substituída pelo grupo do whatsapp, a ser amigo através de caracteres e não de abraços, a rir alto com HAHAHAHA, a engolir o choro e tocar em frente? [...] Será que um dia saberemos, afinal, se estamos no lugar certo? Será que há, enfim, algum lugar certo para viver essa vida que é um turbilhão de incertezas que a gente insiste em fingir que acredita controlar? Eu sei que não é fácil.[...] [...] O preço é alto. A gente se questiona, a gente se culpa, a gente se angustia. Mas o destino, a vida e o peito às vezes pedem que a gente embarque. Alguns não vão. Mas nós, que fomos, viemos e iremos, não estamos livres do medo e de tantas fraquezas. Mas estamos para sempre livres do medo de nunca termos tentado. [...]
"A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia". O paradoxo citado pela autora é reforçado no texto através:
Mais questões de Antítese, paradoxo e oxímoro
- Selecon 2026Ao afirmar que Nino Cais "faz das omissões uma maneira de reaver a corporalidade" (1º parágrafo), o texto estabelece um paradoxo segundo o qual a:
- FCC 2026O Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa define “antítese” como “figura de linguagem pela qual se opõem, numa mesma frase, duas palavras de sentido contrário”. Tendo em vista ess…
- ATAME 2026No trecho "quatro décadas após a morte do autor, Tintim ainda está 'vivo':", o emprego das aspas e da palavra "vivo" evidencia uma figura de pensamento em oposição à primeira part…
- Vunesp 2026No 1o parágrafo, o paradoxo a que os autores se referem pode ser sintetizado pela oposição entre as seguintes palavras do texto:
- Vunesp 2026Ao empregar as palavras “juventude” e “velhice”, no segundo quadrinho, o autor recorre ao recurso expressivo conhecido como
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

