Questões de Língua Portuguesa · Legalle

Língua PortuguesaEstrutura das palavras e elementos mórficosLegalle 2022

Pref Hulha Negra

Questão de Língua Portuguesa

Há uma fratura ética no nosso cotidiano que é a acomodação. Isto é, a percepção de que as coisas são como são. Não por serem do melhor modo, mas porque do modo como são não demandam esforço. A postura do "não mexa, é melhor assim" é muito marcante. O que justifica essa condição acomodada? O hábito. E o que é o hábito? É aquilo que, feito de maneira repetitiva, ganha função de norma. Em vez de ser uma possibilidade, se torna um imperativo. O escritor norte-americano Mark Twain (1835-1910) dizia que "hábitos não são coisas que se jogam pela janela, você tem de pegar e empurrar pela escada degrau por degrau". Isso vale para hábito alimentar, de estudo, de sono, de leitura... Para se desvencilhar de um mau hábito ou para adquirir bons hábitos, é preciso um esforço intenso. Qual é o fundamento do mau hábito? A passividade e o repouso que ele oferece. Fazer do mesmo modo, acreditando que aquele é o único modo de ser feito, me oferece tranquilidade para continuar fazendo do mesmo jeito. Esse nível de repetitividade acalma, mas pode gerar passividade e, portanto, ausência de vitalidade. O teólogo Erasmo de Roterdã (1466-1536), em sua obra Colóquios, escreveu: "Não há nada de tão absurdo que o hábito não torne aceitável". Ele chama atenção para o poder do hábito de configurar uma regra. Quando o hábito vira regra, ele perde a natureza de ser um dos modos de fazer para ser uma conduta contínua. A frase "com o tempo você se acostuma" expressa um modo de fazer que se instalou e se tornou regra. Isso está presente no nosso dia a dia. Paga-se IPVA e paga-se pedágio. Pagam-se o INSS e o seguro de saúde privado. Toma-se algo como normal. Não se deve tomar aquilo que é comum como normal. Isso é comum, não é normal. Normal é estar na norma, e normal seria o contrário. Pela norma, eu não poderia ser bitributado. Ter dois pagamentos para a mesma atividade configura desperdício. Isso seria a norma. Mas nós entendemos que aquilo que seria comum seja entendido como normal. É normal colar, é normal professor desconsiderar um risco de perturbação do ambiente, é normal a família não participar das reuniões, é normal haver gozação em sala de aula. Isso é comum, não é normal. Ao se tornar um hábito, ele precisa ser impedido; é preciso recusá-lo. Autor: Mario Sergio Cortella (adaptado).

Analise as assertivas: I. No vocábulo desvencilhar (l.14), observa-se a composição por justaposição; II. Os vocábulos configurar (l.27), fazer (l.31) e adquirir (l.15) estão conjugados, respectivamente, na 1ª, 2ª e 3ª conjugação; III. O vocábulo vitalidade (l.23) é formado por sufixação. Está(ão) CORRETA(S):

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.