Língua PortuguesaInterpretação de textosOFFICIUM 2003
TJ RS
Questão de Língua Portuguesa
Mary del Priore 01 “Mamãe, eu quero!” foi o de uma deliciosa marchinha de Carnaval, conhecida de todos nós. Mas a 02 mesma frase, dita na fila do supermercado, entre gritos histéricos e ameaças de choro infantil, dá-nos o que pensar. 03 Nossas crianças vivem cercadas de objetos e mensagens publicitárias que as a não deixar um mundo em 04 que toda a forma de querer é voltada à satisfação imediata. Sim, sabemos que elas são o maior alvo da publicidade 05 na televisão, publicidade que insiste em pintar-lhes um mundo de consumo; mas sabemos também que os 06 adultos são os maiores exemplos. E que exemplos! Uma criança, sem interferênci a dos pais, aprende, pela 07 vitrine que é a “telinha”, uma série de coisas. 08 Ela aprende, por exemplo, que a alegria está num produto, que o sonho está no consumo de marcas, que o 09 prazer é um direito fundamental do ser humano e que o querer é a única lei. Ela aprende também que a abundância 10 de coisas é um dado natural e gratuito do processo técnico e que tudo pode ser imediatamente encontrado no 11 shopping mais próximo. Enfim, ela registra que pode encontrar a felicidade consumindo. Ela subordina o sentido de 12 sua vida às finalidades da sociedade de consumo; seu desejo se desdobra no querer de múltiplos bens, de imagens a 13 consumir. 14 Viver assim, como bem diz um sociólogo, é “lamber os beiços diante de uma existência açucarada”. Essa visão 15 de um mundo cheio de prazeres e poderes concorre, contudo, com a experiência da realidade. Realidade logicamente 16 insatisfatória se comparada às maravilhas da prometida. Em relação ao sonho publicitário, o conto de fadas 17 tem pelo menos duas vantagens: ele comporta realidades cruéis que fazem com que o princípio de realidade não seja 18 esquecido, e propõe uma história imaginada, e a criança sabe que se trata de imaginação. O sonho publicitário, ao 19 contrário, tudo promete – pela compra ou pelo consumo. Ele abre as portas à inevitável frustração, sobretudo para 20 nossas crianças pobres e espectadoras da televisão. 21 Idealmente representada no seio do universo publicitário, a criança se pergunta por que deixar esse mundo ou, 22 então, por que crescer, se ela já tem prazer e poder? Os pais, por sua vez, maravilham-se e calam-se diante dessa 23 infância protegida em meio a objetos e às delícias do consumo. Os gritos diante do carrinho de supermercado meio 24 vazio me fazem constatar que estamos, infelizmente, educando crianças que são o fruto de um sistema 25 que as modela à sua imagem. Crianças que querem o mundo, em vez de construir suas personalidades a partir do 26 verdadeiro desejo. Contra a ditadura do querer, é preciso reaprender a desejar.
4
Considere as seguintes sugestões de alteração em frases do texto. I - Inclusão de se antes de dita na fila do supermercado (linha 02) II - Apagamento do pronome Ela (linha 09) III - Deslocamento de por sua vez (linha 22) para depois de infância (linha 23) IV - Apagamento de o antes de fruto (linha 24) Quais mantêm o significado das frases correspondentes?
Mais questões de Interpretação de textos
- CMRJ 2027Os textos I e II tratam os smartphones como os itens da contemporaneidade que têm levado as pessoas em geral a lidar (ou a não saberem lidar) com o hábito cotidiano. Que fragmento…
- CMRJ 2027Em entrevista ao jornal O Globo (04/09/2017), o brasileiro Gil Giardelli, um Web Ativista, membro do XMedia da Universidade de Stanford, disse: “há uma pesquisa global sobre varej…
- CMRJ 2027Coutinho traz uma reflexão crítica sobre o uso dos smartphones. Em sua visão, de todas as informações abaixo uma não está em consonância com o que ele afirma. Marque-a.
- Vunesp 2026“Fui ter com ela; expus-lhe a crise e fiz-lhe a proposta. Marcela ouviu-me com os olhos no ar, sem responder logo; como insistisse, disse-me que ficava, que não podia ir para a Eu…
- Fronte Concursos e Projetos 2026Ao abordar a consolidação da memória, o texto estabelece uma relação de dependência entre o intelecto e a emoção, sugerindo que:
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

