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Questões de Língua Portuguesa · IDIB

Língua PortuguesaEmprego do hífenIDIB 2023

COREN PI

Questão de Língua Portuguesa

O oxente e o ok 1 Com a chegada do complexo industrial e portuário do Pecém, a nossa cidade, São Gonçalo do Amarante, recebe pessoas de todo o Brasil e até do exterior. Cada um traz consigo a cultura, o jeito de ser e de falar. A mistura de sotaques e o uso de termos “estranhos” já são bem visíveis. O problema é que os que chegam aqui acreditam que falamos errado e os moradores acham que o erro está no modo como os recém-chegados falam. Uma briga em que não há ganhadores, muito 5 menos perdedores. A língua falada não é estática, imóvel; ela é viva e bem dinâmica. A prova disso é que, antes mesmo da colonização, já havia variantes da fala no Brasil. Com a chegada dos portugueses, africanos e, posteriormente, outros povos, a variedade da nossa fala passou a ter dimensões nacionais. Portanto, eu penso que a polêmica sobre o certo e o errado, acerca de como se deve falar aqui, é uma discussão sem fundamento. 10 O preconceito linguístico é um equívoco, e tão nocivo quanto os outros. Segundo Marcos Bagno, especialista no assunto, dizer que o brasileiro não sabe português é um dos mitos que compõem o preconceito mais presente na cultura brasileira: o linguístico. Ele diz ainda que a confusão se faz entre a língua e a gramática normativa, que não é língua, mas apenas uma descrição parcial dela. E que, se o domínio da norma-padrão fosse realmente um instrumento de ascensão na sociedade, os professores de português ocupariam o topo da pirâmide social. 15 A norma-padrão deve ser ensinada, é uma competência importante para a cidadania, mas não deve dividir as pessoas em dois grupos: os que sabem e os que não sabem falar direito. Julgar uma pessoa pela forma como ela fala é uma atitude insensata. Estima-se que o número de habitantes da nossa cidade será triplicado em uma década. Isso já é motivo suficiente para que todos compreendam que haverá outras maneiras de dizer, sem que ninguém seja melhor ou pior. Quem chegar a um 20 restaurante da cidade e pedir aipim vai comer uma deliciosa macaxeira, herança dos Anacés – primeiros habitantes de São Gonçalo do Amarante. As nossas cuias de guabiraba terão de conviver bem com as cuias de chimarrão. “Não troco o meu oxente pelo ‘ok’ de ninguém”, disse o saudoso Ariano Suassuna, defendendo a sua fala regional. Mas ninguém precisa trocar nada. Ninguém precisa, nem deve abrir mão da sua variante linguística. Fazê-lo é hipocrisia, a fala é a história da nossa vida, do nosso tempo 25 e do lugar onde vivemos. O nosso município é um dos que mais crescem no Brasil, mas não queremos crescer apenas economicamente, não queremos ser um povo vazio de tolerância e de conhecimento no que diz respeito a esse misto de falantes, a essa riqueza imaterial. O nosso “oxente” é tão correto e maravilhoso quanto o “ok” de quem vier. Eu não vou deixar de ser eu mesma se alguém me chamar de menina ou de guria. Além disso, quando se estigmatiza uma pessoa, prestigia-se outra, originando uma 30 exclusão social. Diante desse intenso movimento migratório que estamos vivendo, a decisão mais sábia é acatar todo “uai”, “oxente”, “tchê” e por que não o “ok”. Agora, somos todos são-gonçalenses, igualmente brasileiros. Disponível em: http://g1.globo.com/ceara/noticia/2014/12/texto-vencedor-de-olimpiada-nacional-critica-

Na passagem “A norma-padrão deve ser ensinada, ...” (linha 15), o vocábulo composto se grafa oficialmente com hífen. Há, da mesma maneira, um vocábulo escrito corretamente com hífen em

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.